13/05/2026, 12:06
Autor: Laura Mendes

A relação entre pais e filhos tem se transformado nos últimos anos, especialmente com a ascensão das tecnologias digitais. A educadora Ivana Jauregui recentemente destacou que muitos pais estão, de certa forma, "preguiçosos", utilizando telas como uma solução rápida para não lidarem com as responsabilidades que a criação de filhos exige. Entretanto, essa afirmação acendeu um debate intenso sobre os desafios que muitos pais enfrentam na sociedade contemporânea. Comentários feitos por internautas refletem a complexidade dessa situação, onde o uso das telas é visto como um sintoma de uma realidade muito mais profunda e sistêmica.
Uma parcela significativa da população discorda da ideia de que os pais estão ignorando seus filhos por pura negligência. Para muitos, a realidade do trabalho, os longos trajetos diários e a pressão econômica são fatores determinantes que moldam essas dinâmicas familiares. Em um depoimento, um comentarista apontou a carga extrema de trabalho que muitos enfrentam, lembrando que, mesmo após jornadas cansativas, existem expectativas em relação às responsabilidades parentais que tornam praticamente impossível dar atenção de qualidade aos filhos. Esse ponto de vista, amplamente reconhecido, levanta a questão de como o ambiente social e a estrutura de trabalho atuais têm um papel fundamental na maneira como as famílias se organizam e interagem.
Além disso, outro comentário salienta a condição socioeconômica das famílias brasileiras, que muitas vezes é precária e, por isso, exige que os pais priorizem a sobrevivência financeira em detrimento do tempo de qualidade com seus filhos. Essa voz, que representa um número crescente de adultos, critica a facilidade com que a sociedade rotula os pais de "preguiçosos" sem considerar o contexto em que vivem. Gerar um filho em um ambiente onde pressão social, economicidade e a falta de suporte governamental prevalecem exige mais que vontade; requer condições que, infelizmente, muitas vezes não estão à disposição da classe trabalhadora.
Por outro lado, não se pode ignorar a preocupação legitimamente expressada sobre o impacto das telas no desenvolvimento infantil. A hiperexposição a dispositivos eletrônicos e a estimulação constante que estes proporcionam têm gerado alarmes entre especialistas, que alertam sobre as consequências para a saúde mental e o desenvolvimento social das crianças na era digital. Pais são, portanto, desafiados a encontrar um equilíbrio entre utilizar a tecnologia como um recurso e a necessidade de interagir em atividades que fomentem o desenvolvimento emocional e cognitivo de seus filhos.
São precisar ser vilanizados, muito pelo contrário, é necessário reconhecer que se trata de um dilema multifacetado. Um dos comentários mais contundentes traz à tona o aspecto sistêmico da formação de famílias. A autora sugere que não devemos apenas olhar a educação infantil sob a perspectiva dos pais, mas sim entender o papel que a sociedade e suas tensões econômicas desempenham. Na verdade, a responsabilidade deve ser compartilhada entre a cultura que reforça a paternidade como uma tarefa individual e o sistema que deixa muitos nas classes mais baixas sem apoio, sem educação sexual, sem um verdadeiro suporte familiar.
Esses aspectos levantam uma discussão mais ampla sobre as práticas parentais em um mundo onde as tradições e valores sociais estão em constante mutação. As críticas à dependência de telas não surgem de um lugar de malícia, mas sim de um desejo de que as crianças tenham a chance de experimentar a infância de forma plena. Contudo, é essencial reconhecer a realidade em que muitos pais estão inseridos e a luta diária que enfrentam.
As desigualdades sociais e a falta de uma rede de apoio para pais jovens são desafios constantes no Brasil, um país onde a cultura ainda pressiona para que a maternidade e paternidade sejam padrões a serem seguidos a qualquer custo. O debate sobre o uso de telas na educação infantil não deve se restringir a um embate moral entre as gerações, mas sim ser visto como uma oportunidade de repensar o que significa ser pai ou mãe em uma sociedade em transformação.
É imperativo promover políticas públicas que ajudem a aliviar a carga sobre os pais, oferecendo apoio educacional para que possam fazer escolhas informadas sobre a influência da tecnologia na vida de seus filhos. Ao mesmo tempo, é preciso fomentar um diálogo que inclua a necessidade de um uso consciente das telas, reconhecendo que pode haver um meio termo entre a era digital que vivemos e a necessidade de experiências diretas de interação humana, algo que se perdeu ao longo dos anos. Ao final, a educação e o cuidado das novas gerações não podem e não devem ser um esforço solitário; é uma responsabilidade coletiva que demanda atenção, intenção e, sobretudo, empatia.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, O Globo
Resumo
A relação entre pais e filhos tem mudado com o avanço das tecnologias digitais, levando a educadora Ivana Jauregui a afirmar que muitos pais estão "preguiçosos", utilizando telas como uma solução rápida. Essa afirmação gerou um intenso debate sobre os desafios enfrentados pelos pais na sociedade atual. Muitos internautas argumentam que a carga de trabalho, longos deslocamentos e pressão econômica são fatores que dificultam a atenção de qualidade aos filhos. A realidade socioeconômica das famílias brasileiras, frequentemente precária, força os pais a priorizarem a sobrevivência financeira em detrimento do tempo com os filhos. Embora a preocupação com o impacto das telas no desenvolvimento infantil seja válida, é crucial reconhecer o contexto em que os pais estão inseridos. O debate sobre o uso de telas na educação infantil deve ser ampliado para incluir as tensões sociais e a falta de apoio, propondo uma responsabilidade compartilhada entre a sociedade e as famílias. Políticas públicas que ofereçam suporte e promovam um uso consciente da tecnologia são essenciais para facilitar a educação e o cuidado das novas gerações.
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