02/02/2026, 00:44
Autor: Ricardo Vasconcelos

A Nike, uma das marcas mais reconhecidas globalmente no setor de calçados e vestuário esportivo, está enfrentando dificuldades significativas para recuperar sua participação de mercado em 2023. A marca, que dominou as prateleiras de lojas e a preferência dos consumidores por décadas, agora observa outra narrativa se desenrolar à sua volta, com novos competidores capturando a atenção do público jovem e desafiando sua posição histórica.
Nos últimos anos, houve um desvio na preferência dos consumidores para marcas como Hoka, Brooks e Lululemon, que têm ganhado destaque com novas propostas e produtos inovadores. Muitas análises indicam que a Nike, que antes era sinônimo de performance e status, agora está sendo vista como uma marca ultrapassada por consumidores mais jovens, que associam seu uso a um estilo antiquado. Isso também é refletido nas conversas que apontam para o fato de que tênis que eram considerados "cool" estão agora sendo referidos como "tênis de pai".
Esse fenômeno de mudança de percepção não é um efeito isolado, mas parte de uma tendência mais ampla de saturação no mercado de roupas de athleisure. Em meados da década passada, a Nike parecia invencível, com seu logotipo Swoosh quase que garantido de estar presente em todos os calçados esportivos. Mas, de acordo com comentários de analistas de mercado, a marca começou a perder espaço para novas empresas que oferecem alternativas atraentes, muitas vezes a preço inferior e com uma estética que ressoa melhor com as novas gerações.
Com a concorrência se intensificando, a Nike viu sua avaliação se manter alta, com um múltiplo de preço sobre lucro (P/L) em 36, o que tem levantado questões sobre sua viabilidade no longo prazo. A ideia de que a empresa precisa apresentar um crescimento substancial para justificar tal avaliação está sendo discutida entre os investidores. Muitos estão questionando se isso realmente ocorrerá, especialmente com a escassez de inovações significativas nos últimos anos.
Investidores têm se mostrado céticos quanto ao futuro da Nike. Vários comentários apontam para a necessidade de uma reavaliação estratégica, com um foco em produtos que realmente chamem a atenção do consumidor. Para alguns, uma baixa no preço das ações para níveis mais justos é vista como inevitável. Uma análise forte indicou que o retorno sobre o capital investido (ROIC) da Nike caiu para níveis alarmantes, revelando a pressão que a marca enfrenta para se manter competitiva sem sacrificar a qualidade.
Outro ponto crítico levantado refere-se à impressão de que a Nike está se esgotando em sua capacidade de inovar e oferecer produtos que realmente cativem o consumidor contemporâneo. A escassez de produtos de qualidade e a diluição da identidade da marca colocaram a Nike em uma posição vulnerável. Comentários enfatizam que a marca corre o risco de se tornar uma "empresa zumbi", estagnada enquanto o restante do mercado se move rapidamente.
Mais preocupante ainda é o fato de que os consumidores estão cada vez mais migrando para marcas locais, especialmente na China, onde as grandes empresas americanas enfrentam uma perda de popularidade. Com a crescente gama de marcas chinesas, como Anta e Li-Ning, que estão rapidamente ganhando espaço no mercado internacional ao se tornarem patrocinadoras de atletas e eventos, a Nike deve urgentemente considerar seus próximos passos.
É nesse cenário que muitos investidores se perguntam se a Nike realmente possui um plano robusto para recuperar sua participação de mercado e assegurar a continuidade do crescimento nos próximos anos. Entre opções de investimento, alguns analistas argumentam que a empresa ainda possui o potencial para uma recuperação sólida, especialmente com eventos como os Jogos Olímpicos próximos, que costumam injetar um impulso nas vendas.
No entanto, a incerteza econômica e a evolução do comportamento do consumidor não podem ser ignoradas. As marcas que emergem na indústria de calçados e vestuário já mudaram a dinâmica do mercado. Se a Nike não conseguir inovar de maneira significativa e cativar a próxima geração de consumidores, a luta pela relevância pode se intensificar ainda mais nos próximos anos.
Conclui-se que, enquanto a Nike se pergunta se ainda está perdendo alguma coisa, a verdadeira questão pode ser sobre quanto tempo ela terá para descobrir como se reinventar antes que seja tarde demais.
Fontes: Financial Times, Bloomberg, Wall Street Journal
Detalhes
A Nike é uma das principais marcas globais de calçados e vestuário esportivo, conhecida por seu logotipo Swoosh e por inovações em produtos de performance. Fundada em 1964, a empresa se destacou ao longo das décadas como sinônimo de qualidade e estilo, patrocinando atletas e eventos esportivos de renome. Contudo, enfrenta crescente concorrência e desafios de percepção de marca, especialmente entre consumidores mais jovens que buscam alternativas inovadoras e acessíveis.
Resumo
A Nike enfrenta desafios significativos em 2023 para recuperar sua participação de mercado, com novas marcas como Hoka, Brooks e Lululemon ganhando popularidade entre os consumidores mais jovens. A percepção da Nike como uma marca ultrapassada tem se intensificado, levando os jovens a associar seus produtos a um estilo antiquado. A saturação no mercado de athleisure e a crescente concorrência estão pressionando a marca, que mantém uma avaliação alta, mas enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de crescimento. Investidores expressam ceticismo quanto ao futuro da Nike, destacando a necessidade de inovação e uma reavaliação estratégica. Além disso, a marca está perdendo popularidade para concorrentes locais na China, como Anta e Li-Ning, que estão se destacando no mercado internacional. A urgência em desenvolver um plano robusto para recuperar sua participação de mercado é evidente, especialmente com eventos como os Jogos Olímpicos se aproximando. A incerteza econômica e a evolução do comportamento do consumidor podem intensificar a luta pela relevância da Nike nos próximos anos.
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