Moradores locais se opõem à construção de centros de dados no país

Comunidades em várias partes dos Estados Unidos estão se unindo para barrar a construção de centros de dados, alegando impactos negativos em seus recursos locais.

Pular para o resumo

04/01/2026, 15:23

Autor: Laura Mendes

Uma grande manifestação em frente a um prédio público, com moradores segurando cartazes contra a construção de centros de dados. O cenário mostra cidadãos de diferentes idades reunidos, com expressões de determinação e preocupação. Algumas bandeiras são visíveis ao fundo, representando a luta local por transparência e preservação ambiental. O dia está ensolarado, e a atmosfera é de mobilização comunitária, refletindo a resistência às grandes corporações.

Nos últimos meses, uma onda crescente de resistência por parte de comunidades nos Estados Unidos tem se manifestado contra a construção de centros de dados de bilhões de dólares. Este movimento tem ganhado força à medida que cidadãos assumem a responsabilidade de monitorar como esses grandes projetos, impulsionados pela demanda por inteligência artificial e computação em nuvem, podem comprometer o fornecimento de água e eletricidade, além de afetar o emprego local.

Os centros de dados, que armazenam e processam enormes quantidades de informações, são frequentemente vistos como um potencial benefício econômico, mas os moradores locais destacam que os custos podem ser muito altos. André Miller, um agricultor da Pennsylvania, expressou suas preocupações: "Essas empresas vêm aqui, consomem água e energia como se não houvesse amanhã e, em troca, oferecem pouco para nossa comunidade." A afirmação de Miller ressoa com muitos que se sentem ameaçados por propostas de grandes empresas de tecnologia, comumente associadas à falta de consideração por suas necessidades locais.

Esse sentimento de descontentamento foi fervorosamente evidente em reuniões locais, que antes eram discretas, agora se tornaram campos de batalha de ideais. Em East Vincent Township, na Pennsylvania, o morador Larry Shank questionou autoridades locais sobre o impacto de um centro de dados planejado: "Você gostaria que isso fosse construído no seu quintal? Porque é literalmente isso que vai acontecer, vai ficar no meu quintal." Sua pergunta provocou aplausos e apoio geral entre os presentes, revelando um receio compartilhado.

Além da resistência vocal, há também um esforço organizado entre as cidades e municípios para trocar informações sobre estratégias de oposição, o que indica que o movimento pode acessoriamente criar uma nova forma de ativismo local. As preocupações são amplas, com cidadãos argumentando que esses centros não apenas consomem recursos essenciais, mas também oferecem escassas oportunidades de emprego. Em média, os empregos criados em novos centros de dados são limitados e, após a construção, as oportunidades de trabalho são reduzidas a um número ínfimo, levantando a questão: quem realmente se beneficia das construções?

As decisões sobre a aprovação de novos centros de dados não são simples. Funcionários do governo local frequentemente se veem entre a pressão do crescimento econômico e a necessidade de preservar os recursos da comunidade. Muitas comunidades não possuem regulamentações consolidadas sobre como lidar com instalações tão intensivas em recursos, o que exige um esforço coletivo para formular novas legislações que atendam às preocupações dos cidadãos.

Enquanto isso, as grandes empresas de tecnologia continuam a explorar novas áreas para garantir energia e conectividade confiáveis, desafiando as comunidades que ressentem a imposição de grandes projetos em suas localidades. A pressão para que esses centros sejam construídos pode vir acompanhada de promessas de desenvolvimento, mas a percepção pública é cautelosa. Apenas na última semana, o Google foi alvo de críticas por um projeto que ameaçaria a fonte de água de uma comunidade em que seus planos não foram comunicados claramente. Moradores reivindicaram por mais transparência e um plano de impactos do que a empresa propõe para o futuro.

Enquanto a luta contra a construção de centros de dados continua, muitos cidadãos já se perguntam se essa é uma batalha que vale a pena. As consequências ambientais e sociais colocam suas vidas em perspectiva, e muitos acreditam que é necessário resgatar o controle sobre o que acontece em suas comunidades. O sentimento de ativismo é palpável, com grupos de moradores se unindo, dispostos a lutar contra o que consideram predação corporativa, um movimento que reflete a crescente necessidade de um diálogo significativo e respeitoso entre a tecnologia e as comunidades que sustentam sua infraestrutura.

Assim, as dificuldades que estas comunidades enfrentam não são apenas sobre a construção física dos centros de dados. Elas questionam um paradigma que prioriza projetos de alta tecnologia em detrimento das necessidades humanas mais básicas. À medida que a resistência organizada se espalha, parece certo que essa questão do equilíbrio entre progresso tecnológico e um futuro sustentável seguirá em pauta, reverberando nas discussões sobre o que significa viver em um mundo cada vez mais digitalizado e corporativo.

Fontes: CNN, The Verge, Washington Post

Detalhes

Google

O Google é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, conhecida principalmente por seu motor de busca e uma variedade de serviços online, incluindo o Gmail, Google Drive e YouTube. Fundada em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, a empresa tem se expandido para áreas como inteligência artificial, computação em nuvem e hardware. O Google é também parte da Alphabet Inc., sua empresa-mãe, e é frequentemente criticado por questões relacionadas à privacidade, monopólio e impacto ambiental de suas operações.

Resumo

Nos Estados Unidos, comunidades têm se mobilizado contra a construção de centros de dados de bilhões de dólares, preocupadas com o impacto no fornecimento de água e eletricidade e nas oportunidades de emprego local. Cidadãos como André Miller, da Pennsylvania, expressam descontentamento, afirmando que essas empresas consomem recursos sem oferecer benefícios reais à comunidade. Reuniões locais, antes discretas, agora se tornaram espaços de debate acalorado, com moradores questionando as autoridades sobre os impactos desses projetos em suas vidas. Além disso, há um esforço organizado entre cidades para compartilhar estratégias de oposição, indicando um novo ativismo local. As preocupações incluem a escassez de empregos gerados e a falta de regulamentações adequadas para lidar com esses centros. Enquanto grandes empresas de tecnologia, como o Google, continuam a explorar novas áreas, a pressão por transparência e diálogo com as comunidades se intensifica. A resistência crescente reflete a necessidade de equilibrar progresso tecnológico e as necessidades humanas básicas, colocando em pauta questões sobre o futuro sustentável em um mundo digitalizado.

Notícias relacionadas

Uma imagem vibrante e caótica de um carnaval brasileiro, mostrando multidões aglomeradas em ruas cobertas de glitter e lixo, com carros alegóricos extravagantes ao fundo, enquanto alguns foliões dançam sensualmente. Em contraste, um grupo de pessoas ao lado, claramente desiludidas, observa a cena com expressões de descontentamento, destacando o contraste entre a festa e as consequências sociais do evento.
Sociedade
Carnaval provoca controvérsia sobre cultura e comportamento no Brasil
Carnaval gera debate sobre sua contribuição cultural e os problemas sociais, com muitos cidadãos questionando a violência, o uso de drogas e a hipersexualização.
05/01/2026, 18:38
Uma multidão em uma praça pública com cartazes que criticam a ideia de intervenção dos EUA no Brasil. Algumas pessoas estão usando camisetas com frases que ironizam a visão de que a invasão traria benefícios, enquanto outras seguram livros de história. O ambiente é vibrante com cores fortes e expressões de indignação.
Sociedade
Brasil enfrenta dilema sobre intervenção dos EUA em problemas locais
A crença de que uma intervenção norte-americana poderia solucionar problemas sociais e políticos no Brasil revela preocupantes falhas educacionais e históricas entre a população.
05/01/2026, 18:21
Um jovem contando sua incrível história de sobrevivência após cinco dias perdido na selva, rodeado de uma densa floresta tropical, enquanto interage com uma multidão de amigos e curiosos emocionados. A cena transmite alívio e alegria, com expressões de espanto e comemoração no rosto de todos.
Sociedade
Jovem ressurge após cinco dias desaparecido no Pico Paraná
Após cinco dias perdidos na selva do Pico Paraná, jovem é resgatado em estado de saúde estável, gerando reações e questionamentos sobre segurança em trilhas.
05/01/2026, 18:17
Uma cena de tribunal em Paris, com um júri atento ouvindo as alegações de cyberbullying, enquanto advogados e o juiz debatem animadamente. Em destaque, imagens da esposa do presidente francês, Brigitte Macron, e protestos nas redes sociais sobre o caso, com hashtags contra o cyberbullying visíveis ao fundo. O ambiente é tenso, refletindo a seriedade da situação.
Sociedade
Dez réus são considerados culpados por cyberbullying contra Brigitte Macron
Tribunal de Paris condena dez pessoas por cyberbullying contra Brigitte Macron, esposa do presidente da França, com penas de até oito meses.
05/01/2026, 17:12
Uma foto emocional de um jovem homem de cabelos escuros, cercado por flores e velas acesas em memória de sua irmã, com um olhar pensativo e triste, representando a dor da perda e o amor fraternal. Ao fundo, uma iluminação suave que destaca um tom de luto, mas também de celebração da vida, com mensagens de apoio escritas em cartões.
Sociedade
Jack Schlossberg presta homenagem à irmã Tatiana e reflete sobre a perda
Jack Schlossberg compartilha uma tocante homenagem à irmã Tatiana, que faleceu aos 35 anos devido à leucemia mieloide aguda, enfatizando a importância do apoio familiar e da saúde.
05/01/2026, 17:10
Uma imagem poderosa da primeira-dama francesa Brigitte Macron, refletindo uma expressão de determinação ao lado do Palácio do Eliseu, enquanto um grupo de manifestantes em segundo plano extravasa opiniões diversas. O céu nublado simboliza a tensão e as controvérsias enfrentadas por ela, além de demonstrar a polarização do público em relação a questões de gênero e assédio.
Sociedade
Tribunal de Paris condena pessoas por cyberbullying contra Brigitte Macron
A decisão do tribunal francês marca um importante passo na proteção da imagem pública contra ataques virtuais, ressaltando questões de assédio e liberdade de expressão.
05/01/2026, 15:44
logo
Avenida Paulista, 214, 9º andar - São Paulo, SP, 13251-055, Brasil
contato@jornalo.com.br
+55 (11) 3167-9746
© 2025 Jornalo. Todos os direitos reservados.
Todas as ilustrações presentes no site foram criadas a partir de Inteligência Artificial