14/01/2026, 14:43
Autor: Ricardo Vasconcelos

O investidor Michael Burry, famoso por prever a crise financeira de 2008, voltou sua atenção para o setor de tecnologia, especificamente aos data centers da Oracle. Em suas recentes análises, Burry expressou preocupações significativas sobre a utilização e valorização dos ativos da empresa, sugerindo que muitos podem estar se preparando para uma catástrofe financeira iminente da bolha atual em inteligência artificial (IA). Sua análise sugere que a crença de que o investimento em tecnologia de data centers é seguro pode ser uma ilusão.
Burry destaca o conceito da "fruta podre", que no contexto dos data centers se refere à obsolescência dos equipamentos. Os data centers, conforme a análise, são compostos principalmente por dois componentes: a infraestrutura física, como as paredes e elementos de energia, que geralmente mantêm valor, e os servidores ou chips, que têm um ciclo de vida mais curto e perdem seu valor rapidamente. O exemplo mais pertinente mencionado por Burry é a relação entre a Oracle e os chips Nvidia H100, atualmente em uso. Ele argumenta que, ao fazer bilhões de dólares em investimentos em tecnologia, a Oracle pode estar se expondo a um cenário onde, em poucos anos, esses servidores se tornem obsoletos à medida que novos modelos, como os chips Blackwell, entram no mercado.
A grande questão que Burry levanta é a diferença entre o valor contábil dos ativos e a realidade do mercado. Para aparentar maior lucratividade, a Oracle tem mudado suas práticas contábeis, estipulando que os servidores durarão cerca de seis anos. Essa abordagem pode dar uma impressão enganosa de segurança financeira, visto que, na realidade, a vida útil dos servidores de alta performance pode estar mais próxima de três anos. Se os servidores se tornarem obsoletos em um espaço de tempo tão curto, a empresa poderá enfrentar prejuízos bilionários, resultando em um impacto direto em suas ações.
Outro ponto levantado é o futuro dos data centers diante da saturação do mercado. Burry adverte que empresas como Amazon, Google e Microsoft estão, atualmente, investindo pesadamente na construção de novos data centers, o que pode levar a uma superoferta em um futuro próximo. Em até 2026, é possível que a capacidade de computação exceda a demanda real, resultando em um colapso nos preços de aluguel e impactos diretos nas receitas da Oracle. Com dívidas acumuladas e um mercado em baixa, a empresa pode se ver em uma posição financeira precária.
Por outro lado, algumas vozes na indústria defendem que a demanda por serviços de IA está, de fato, em ascensão. O aumento recente nos preços dos chips H100, que estão se aproximando de seus maiores valores em oito meses, indica uma pressão crescente por partes de empresas em crescimento que buscam capitalizar a tecnologia emergente em IA. Bradesco S.A. e outras empresas estão, supostamente, lutando para atender à crescente necessidade de capacidade de computação, revelando que a demanda por novos chips pode sustentar os investimentos em tecnologia, apesar das advertências de Burry.
Essas divergências de opinião quanto ao futuro da IA e dos data centers refletem as tensões econômicas e o dinamismo do setor de tecnologia. A principal incógnita permanece: até que ponto a demanda por IA irá converter-se em receita, justificada pelos trilhões de dólares de investimento em um mercado que ainda enfrenta desafios significativos.
Para investidores e observadores de mercado, o alerta de Burry é um chamado à cautela. Enquanto muitos acreditam que a procura por IA irá garantir a estabilidade financeira a longo prazo, Burry aconselha que a realidade pode ser mais complexa. A conexão entre uma infraestrutura física valorosa e a obsolescência acelerada dos chips pode criar um cenário volátil e imprevisível que poderia resultar em grandes perdas financeiras.
Assim, a mensagem subjacente é clara: enquanto o setor de tecnologia continua a avançar, as realidades do mercado e os riscos associados à depreciação de ativos tecnológicos devem se tornar uma parte central das considerações de investimento. Работы, como diz Burry, não se trata apenas de uma bolha, mas da recuperação do investimento e das estratégias contábeis das grandes empresas, que podem definir o futuro da indústria tecnológica nos próximos anos.
Fontes: Bloomberg, MVC Investing, relatórios financeiros da Oracle
Detalhes
Michael Burry é um investidor e médico americano, famoso por prever a crise financeira de 2008, que foi retratada no livro e filme "A Grande Aposta". Ele é conhecido por suas análises de mercado e por suas apostas contra o mercado imobiliário antes da crise. Burry é o fundador da Scion Asset Management e continua a ser uma figura influente no mundo dos investimentos, frequentemente emitindo alertas sobre bolhas de mercado e riscos financeiros.
Resumo
O investidor Michael Burry, conhecido por prever a crise financeira de 2008, está focado na Oracle e seus data centers, expressando preocupações sobre a valorização de seus ativos. Ele alerta que a crença de que investir em tecnologia de data centers é seguro pode ser enganosa, especialmente em relação à obsolescência dos equipamentos. Burry menciona que a Oracle, ao investir bilhões em tecnologia, pode estar se preparando para perdas significativas à medida que novos modelos de chips, como os Blackwell, se tornam disponíveis. Ele critica as práticas contábeis da empresa, que podem dar uma falsa impressão de segurança financeira, já que a vida útil dos servidores pode ser menor do que o estimado. Além disso, Burry destaca a saturação do mercado, com grandes empresas como Amazon, Google e Microsoft construindo novos data centers, o que pode resultar em uma superoferta e queda nos preços. Apesar das preocupações de Burry, há quem defenda que a demanda por serviços de IA está crescendo, o que pode sustentar os investimentos em tecnologia. No entanto, Burry aconselha cautela, pois a conexão entre infraestrutura física e a rápida obsolescência dos chips pode gerar um cenário volátil.
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