07/01/2026, 16:30
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um passo significativo para as relações internacionais, Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, visitará a China entre os dias 13 e 17 de janeiro. Este marco marca a primeira visita de um primeiro-ministro canadense ao país asiático em quase uma década, e reflete o desejo de Ottawa de melhorar os laços com Pequim em diversas áreas, incluindo comércio, energia, agricultura e segurança internacional. A viagem ocorre em um momento em que questões econômicas e ambientais se entrelaçam de maneira cada vez mais complexa, especialmente no que diz respeito à inovação e à adoção de tecnologias sustentáveis.
A presença de Carney na China é vista como uma oportunidade crítica para o Canadá em um mercado cada vez mais focalizado em veículos elétricos, onde fabricantes chineses como BYD e Xpeng se destacam. O acesso a esses veículos se torna essencial, não apenas para diversificar a oferta de automóveis no Canadá, mas também para cumprir compromissos climáticos do país em relação à redução de emissões e à implementação de tecnologias limpas. Especialistas afirmam que as relações construtivas com a China podem acelerar a transição para a mobilidade elétrica, aproveitando a capacidade dos fabricantes chineses de oferecer carros elétricos acessíveis e amplamente disponíveis.
Além da questão automotiva, a viagem de Carney também busca fortalecer os laços em termos de segurança e estabilidade econômica, algo que foi comprometido por tensões anteriores entre os dois países. A abordagem do governo canadense, sob a liderança de Carney, tenta reverter a tendência de isolamento da China em favor de uma estratégia mais pragmática, que reconhece a importância da colaboração como fator vital para lidar com os desafios globais atuais.
Críticos, no entanto, expressam preocupações sobre os potenciais riscos associados a uma maior dependência da China, especialmente em setores críticos da economia canadense. A presença da China no mercado canadense é vista por alguns como uma oportunidade, mas também como uma ameaça para o setor de manufatura, que emprega centenas de milhares de canadenses. A insatisfação em relação a possíveis perdas de emprego no setor automotivo é um tema recorrente nas análises sobre a natureza da colaboração entre os dois países.
O ex-primeiro-ministro Trudeau foi apontado por muitos como responsável por uma estratégia, que, segundo alguns críticos, pode ter se revelado prejudicial para os interesses canadenses em relação à China. A aproximação com os Estados Unidos contra o crescimento da influência chinesa não rendeu os frutos esperados, e com a mudança do cenário internacional, um reexame dessa estratégia se faz necessário. Se por um lado a aliança com os EUA pode ter garantido a segurança em tempos de crise, por outro, o abandono de relações comerciais com a China pode ter causado um retrocesso para a economia canadense.
Com a atmosfera política mundial sendo moldada pelas consequências das políticas de Trump e a redefinição de alianças estratégicas, a visita de Carney à China pode ser interpretada como uma tentativa de reestruturar a dinâmica do comércio internacional. O distanciamento das políticas protecionistas dos Estados Unidos, na visão de alguns analistas, está começando a empurrar nações ocidentais em direção a alianças mais estreitas com a China, que, apesar de suas controvérsias políticas, mantém um papel crucial no comércio global e na era de transição energética que se aproxima.
A esperança do governo canadense é que a visita possa abrir portas para novas receitas e acordos que beneficiem o país, especialmente em tempos de crescente competição internacional. O apoio à inovação tecnológica, ao mesmo tempo em que se respeitam os direitos trabalhistas e se busca a preservação de empregos locais, será uma questão central durante as discussões entre Carney e as autoridades chinesas.
No final das contas, a viagem de Mark Carney à China não é apenas uma questão de diplomacia, mas representa um testamento das complexidades nas relações internacionais contemporâneas, onde os interesses comerciais, ambientais e tecnológicos se entrelaçam de maneira inextricável. A resposta dos canadenses a essa aproximação e os efeitos a longo prazo nas indústrias locais permanecerão como questões centrais à medida que o Canadá navega por este novo capítulo em suas relações com a China.
Fontes: The Globe and Mail, CBC, The Toronto Star
Detalhes
Mark Carney é um político e economista canadense, conhecido por seu papel como governador do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra. Ele é reconhecido por suas contribuições em políticas monetárias e financeiras, além de sua atuação em questões relacionadas à sustentabilidade e mudanças climáticas. Carney tem sido uma voz ativa na promoção de uma economia de baixo carbono e na adaptação das políticas econômicas às novas realidades ambientais.
Resumo
Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, realizará uma visita à China entre 13 e 17 de janeiro, marcando a primeira visita de um líder canadense ao país em quase uma década. A viagem visa fortalecer os laços entre Ottawa e Pequim em áreas como comércio, energia e segurança internacional, especialmente em um contexto de crescente interesse por veículos elétricos. A presença de fabricantes chineses, como BYD e Xpeng, é vista como uma oportunidade para o Canadá diversificar sua oferta automotiva e cumprir compromissos climáticos. No entanto, críticos alertam sobre os riscos de uma maior dependência da China, especialmente em setores críticos da economia canadense, como a manufatura. A visita também busca reverter a tendência de isolamento da China, promovendo uma estratégia mais pragmática que reconhece a importância da colaboração. A esperança do governo canadense é que essa aproximação possa resultar em novos acordos benéficos, enquanto questões sobre direitos trabalhistas e preservação de empregos locais continuam a ser centrais nas discussões.
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