María Corina propõe dividir Nobel da Paz com Trump em meio a crise

A política da Venezuela ganha novas dimensões com a proposta de María Corina Machado de dividir o Nobel da Paz com Donald Trump, gerando reações diversas.

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06/01/2026, 18:39

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma mulher venezuelana de pé em um palco, segurando um prêmio que se assemelha a um troféu do Nobel da Paz, enquanto ao fundo está uma imagem grande do ex-presidente Donald Trump, que parece confuso, com uma expressão de surpresa. Pessoas na plateia expressam reações de indignação e riso, algumas segurando cartazes com mensagens controversas sobre a política venezuelana. A cena é vibrante e cheia de contrastes, refletindo a polarização do tema.

Na noite de {hoje}, a ex-deputada e figura política da oposição venezuelana, María Corina Machado, fez uma declaração polêmica ao sugerir que deveria dividir o Prêmio Nobel da Paz com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pedido foi feito durante um evento em Caracas, e rapidamente gerou uma onda de críticas e ceticismo, tanto na Venezuela quanto internacionalmente.

Machado, que tem se posicionado como uma das líderes da oposição ao regime de Nicolás Maduro, destacou que a divisão do prêmio seria um reconhecimento de esforços conjuntos pela "liberdade e democracia" na Venezuela. Entretanto, suas palavras foram recebidas com desdém por muitos, que alegam que a proposta se trata de uma tentativa de ganhar notoriedade política, visando uma possível candidatura nas próximas eleições presidenciais da Venezuela.

As reações nas redes sociais foram intensas. Muitos acusaram Machado de querer exaltar alguém que, segundo eles, alimentou as tensões políticas e sociais no país. Críticos apontaram que o governo de Trump foi responsável por uma série de sanções econômicas que, segundo eles, agravaram a já difícil situação econômica na Venezuela. Um comentarista expressou: "Quero dividir o Nobel da Paz com o cara que acabou de bombardear meu país. Depois dessa, o prêmio vale menos que um troféu da MLS".

Outros comentários sugeriram que a credibilidade do Nobel da Paz está em jogo, uma vez que o prêmio já havia sido associado a figuras controversas ao longo dos anos. A sensação generalizada é de que a tentativa de prestígio de Machando pode estar mais relacionada a interesses pessoais do que a uma genuína busca pela paz. Em um cenário onde grandes questões sociais e econômicas são debatidas, o apelo de uma figura como Trump parece ser uma manobra arriscada.

A relação entre a oposição venezuelana e o ex-presidente dos Estados Unidos é complexa. Durante a presidência de Trump, a retórica contra o regime de Maduro se intensificou, e o apoio dos EUA à oposição foi amplamente divulgado. No entanto, muitos na Venezuela veem as políticas de Trump, especialmente as sanções, como destrutivas. Como um comentarista observou, "o imperialismo estadunidense causou mais danos do que 20 anos de socialismo chavista". Esse choque de percepções destaca a polarização política no país.

A proposta de Machado também provocou reminiscências dos tempos em que o ex-presidente era visto como um potencial salvador por algumas facções da oposição. O apelo à solidariedade com uma figura tão polarizante como Trump fez com que muitos relembrassem momentos de intensa controversa política dentro e fora da Venezuela. Um usuário critiqueou: “A história vai lembrar dela como alguém que se rebaixou a Trump enquanto o mundo queimava”.

As eleições presidencial na Venezuela estão marcadas para 2024, e a cena política continua a ser moldada por crises econômicas e sociais. A luta pela legitimidade entre os líderes opositores se intensifica, e declarações como a de Machado têm o potencial de influenciar as percepções do eleitorado, seja em termos de apoio ou também em críticas. Os próximos meses serão cruciais para observar o impacto dessa declaração e como ela será interpretada pelos cidadãos venezuelanos que enfrentam uma realidade cada vez mais opressiva.

Enquanto isso, a situação na Venezuela continua incerta. Com uma população cansada e logo se aproximando de uma nova eleição, a busca por liderança e esperança se torna cada vez mais um aspecto vital na vida cotidiana do povo venezuelano. A proposta de Machado, além de surpreendente, traz à tona questões mais profundas sobre identidade, política e o papel das figuras internacionais nas disputas locais. Ao final, resta saber se essa manobra vai surtir efeitos significativos no cenário político ou se será apenas mais um capítulo em uma luta que parece longa e sem fim.

Fontes: Folha de São Paulo, UOL, El País, BBC Brasil

Detalhes

María Corina Machado

María Corina Machado é uma política venezuelana e ex-deputada, conhecida por sua forte oposição ao regime de Nicolás Maduro. Ela se destaca como uma das líderes da oposição, defendendo a democracia e a liberdade na Venezuela. Com uma trajetória marcada por sua luta contra a corrupção e a violação dos direitos humanos, Machado se tornou uma figura polarizadora no cenário político do país, especialmente em um contexto de crise econômica e social.

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por sua retórica polêmica e políticas controversas, Trump implementou sanções econômicas contra a Venezuela, apoiando a oposição ao regime de Maduro. Sua presidência foi marcada por divisões políticas internas e tensões internacionais, e ele continua a ser uma figura influente no Partido Republicano e na política americana.

Resumo

Na noite de hoje, a ex-deputada venezuelana María Corina Machado fez uma declaração polêmica ao sugerir que deveria dividir o Prêmio Nobel da Paz com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, durante um evento em Caracas. A proposta gerou críticas intensas, tanto na Venezuela quanto internacionalmente, com muitos acusando Machado de buscar notoriedade política em meio a sua oposição ao regime de Nicolás Maduro. Críticos argumentaram que a associação com Trump, cujas sanções econômicas são vistas como prejudiciais à Venezuela, diminui a credibilidade do prêmio. A relação entre a oposição venezuelana e Trump é complexa, com apoio dos EUA à oposição durante sua presidência, mas muitos na Venezuela veem suas políticas como destrutivas. As próximas eleições presidenciais em 2024 intensificam a luta pela legitimidade entre os líderes opositores, e a declaração de Machado poderá influenciar as percepções do eleitorado em um contexto de crise econômica e social.

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