17/01/2026, 10:07
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um desenvolvimento significativo nas complexas conversas de paz no Oriente Médio, o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou a formação do "Conselho de Paz" para Gaza. Entre os membros fundadores, destacam-se o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico, Sir Tony Blair. Essa nova estrutura visa supervisionar a administração e a reconstrução da região, severamente afetada por conflitos recentes, numa tentativa de trazer estabilidade a uma área marcada pela violência e pela crise humanitária.
Na última sexta-feira, a Casa Branca divulgou uma declaração confirmando que Trump irá presidir o conselho, que faz parte de seu ambicioso plano de 20 pontos, destinado a acabar com a guerra entre Israel e Hamas. Com a nomeação de figuras públicas de destaque, a administração norte-americana busca criar uma ferramenta abrangente para abordar as necessidades emergentes das pessoas na faixa de Gaza, que clama por reconstrução e paz duradoura.
Juntamente com Rubio e Blair, o conselho conta com a participação de Steve Witkoff, enviado especial do presidente para o Oriente Médio, e Jared Kushner, genro de Trump. Outros membros incluem o chefe do Banco Mundial, Ajay Banga, e o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Robert Gabriel. Cada membro terá responsabilidades "críticas" no que se refere à estabilização de Gaza, com a expectativa de que mais nomes sejam revelados nas próximas semanas.
A inclusão de figureheads como Sir Tony Blair é particularmente notável, dado seu histórico como primeiro-ministro do Reino Unido e mediador no Quarteto de potências internacionais que inclui EUA, UE, Rússia e ONU. Sua participação, embora bem-vinda para alguns, suscita críticas, especialmente considerando seu papel controverso na Guerra do Iraque. A experiência de Blair em mediações de paz foi reconhecida, e sua participação foi descrita por alguns analistas como um "privilégio" que pode trazer um valor significativo ao processo de negociação.
A gravidade da situação em Gaza não pode ser subestimada. Desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, as consequências da guerra têm sido devastadoras. Quase 450 palestinos perderam a vida em ataques israelenses em apenas algumas semanas, de acordo com informações provenientes de fontes médicas administradas pelo Hamas. O exército israelense, por sua vez, reporta a morte de três de seus soldados durante confrontos com grupos palestinos.
O conselho também operará em conjunto com um novo comitê palestino formado para gerenciar a administração de Gaza após a guerra, o "Comitê Nacional para a Administração de Gaza" (NCAG). Liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, o NCAG será responsável pela governança diária da região. Nickolay Mladenov, ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, terá um papel fundamental como representante do conselho no local, colaborando com o NCAG.
Para facilitar a segurança, o plano de Trump inclui o envio de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) para treinar e apoiar as forças policiais palestinas. Este plano sugere uma abordagem multifacetada, onde segurança e ajuda humanitária se entrelaçam no processo de reconstrução e estabilização de Gaza. O Major General Jasper Jeffers, dos EUA, será encarregado de liderar esta força.
Contudo, a implementação desses planos enfrenta uma série de desafios. O cessar-fogo que foi estabelecido entre Hamas e Israel continua a ser frágil, com frequentes acusações de violações por ambas as partes. A ONU está atenta às condições humanitárias em Gaza, que permanecem sombrias, ressaltando a necessidade de um fluxo irrestrito de suprimentos vitais para a população no território.
A sociedade civil na região aguarda com esperança e desconfiança o desdobramento dessa iniciativa. Enquanto Trump apresenta o conselho como um "orgulho" e "prestigioso", muitos em Gaza e na comunidade internacional permanecem céticos sobre a eficácia e a verdadeira intenção por trás dessas nomeações. A resposta à pergunta se esse novo conselho poderá realmente conduzir a uma paz duradoura em Gaza e promover um futuro estável e próspero para seus habitantes está nas mãos das negociações que se seguirão e, mais crucialmente, na capacidade das partes envolvidas de cumprir suas promessas e obrigações no processo.
Fontes: Agência Lusa, BBC News, Al Jazeera, The Guardian
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político norte-americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de 2017 a 2021. Conhecido por seu estilo de liderança controverso e suas políticas populistas, Trump também é um ex-empresário do setor imobiliário e personalidade da mídia. Sua presidência foi marcada por um enfoque em "América Primeiro", tensões comerciais com a China e a promoção de uma agenda conservadora. Após deixar o cargo, ele continuou a influenciar a política republicana e a sociedade americana.
Sir Tony Blair é um político britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido de 1997 a 2007. Membro do Partido Trabalhista, Blair é conhecido por suas políticas de centro-esquerda e por ter liderado o país durante um período de crescimento econômico. Sua administração é frequentemente lembrada por sua participação na Guerra do Iraque, que gerou controvérsias e críticas. Desde que deixou o cargo, ele tem se envolvido em questões internacionais, incluindo mediações de paz e iniciativas humanitárias.
Marco Rubio é um político americano e senador pela Flórida desde 2011. Membro do Partido Republicano, ele ganhou destaque nacional durante sua candidatura à presidência em 2016. Rubio é conhecido por suas posições conservadoras em questões econômicas e sociais, além de seu foco em políticas de imigração. Ele também tem sido ativo em questões de política externa, especialmente em relação à América Latina e ao Oriente Médio, onde defende uma abordagem firme em relação a regimes autoritários.
O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional que fornece empréstimos e assistência técnica a países em desenvolvimento para projetos que visam reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento sustentável. Fundado em 1944, o Banco Mundial é composto por duas instituições principais: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). A organização tem um papel crucial em financiar projetos de infraestrutura, educação e saúde em diversas nações ao redor do mundo.
A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma organização intergovernamental fundada em 1945, composta por 193 Estados membros. Seu objetivo principal é promover a paz, a segurança e a cooperação internacional. A ONU desempenha um papel fundamental em questões humanitárias, direitos humanos e desenvolvimento sustentável. Através de suas diversas agências e programas, como o UNICEF e a OMS, a ONU trabalha para enfrentar desafios globais, incluindo conflitos, pobreza e crises de saúde.
Resumo
Em um avanço nas conversas de paz no Oriente Médio, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a criação do "Conselho de Paz" para Gaza, com membros notáveis como o secretário de Estado Marco Rubio e o ex-primeiro-ministro britânico Sir Tony Blair. O conselho, presidido por Trump, tem como objetivo supervisionar a administração e a reconstrução da região, devastada por conflitos recentes. A Casa Branca confirmou que o conselho faz parte de um plano de 20 pontos para acabar com a guerra entre Israel e Hamas, visando atender às necessidades emergentes da população de Gaza. Além de Rubio e Blair, o conselho inclui Steve Witkoff, Jared Kushner, Ajay Banga e Robert Gabriel, que terão papéis críticos na estabilização da região. A participação de Blair é notável, dado seu histórico em mediações de paz, embora sua presença suscite críticas devido ao seu papel na Guerra do Iraque. Desde o início do conflito em outubro de 2023, a situação em Gaza se deteriorou, com centenas de mortes. O conselho trabalhará em conjunto com um novo comitê palestino, o NCAG, e planeja enviar uma Força Internacional de Estabilização para apoiar as forças policiais locais. No entanto, a implementação do plano enfrenta desafios, incluindo um cessar-fogo frágil e condições humanitárias preocupantes.
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