16/01/2026, 19:21
Autor: Ricardo Vasconcelos

Na última quarta-feira, mais de 80 deputados democratas se uniram para assinar artigos de impeachment contra a Secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem. A medida é uma resposta direta ao aumento das tensões em Minnesota, onde operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) geraram agitação pública e protestos. A proposta foi apresentada pela representante Robin Kelly, de Illinois, refletindo um movimento cada vez mais incansável dentro do partido em face do que consideram ações ineficazes e até prejudiciais na política de imigração.
O clima em Minnesota tem se deteriorado, em grande parte, devido a operações de enforcement do ICE que resultaram em tiroteios envolvendo oficiais federais e uma série de protestos que mobilizaram a população. Os legisladores acreditam que o impeachment é um passo necessário para responsabilizar a administração pelo que classificam como uma cultura de impunidade e falta de responsabilidade nas ações da agência. "Estamos lidando com um sintoma enquanto a doença continua", expressou um comentarista, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais robusta e fundamental na política de segurança interna.
Os artigos de impeachment estão embasados em alegações de que Noem não conseguiu proteger os direitos dos cidadãos e imigrantes, permitindo o uso excessivo da força por parte de agentes federais. Essa ação radical, embora elogiada por muitos dentro do partido, enfrenta desafios significativos. Críticos argumentam que, sem a disposição do Congresso para agir decisivamente, essa medida poderá ser apenas uma manobra política sem efeito real. “Isso é performático ou não, mas muitos nomes de peso estão não cooperando”, dizia um comentarista, apontando que muito pouco mudará, a menos que a liderança do partido tome medidas concretas para enfrentar a questão da imigração.
Um dos pontos mais discutidos entre os deputados e observadores políticos é a lista de co-patrocinadores do impeachment. Até agora, 86 representantes se inscreveram para apoiar a proposta, refletindo um alinhamento considerável dentro do partido. Entre os apoiadores estão figuras como John Fetterman, de Pennsylvania, e Maggie Hassan, de New Hampshire, que votaram a favor da confirmação de Noem inicialmente. A crescente lista de apoiadores sugere que o descontentamento com a administração do ICE e suas práticas está ressoando entre os legisladores, mesmo aqueles que antes poderiam ter hesitado em se opor a uma confirmada pela administração anterior.
Entretanto, mesmo com essa mobilização dentro do partido, há um sentimento recorrente de ceticismo sobre a real possibilidade de um impeachment passem das quatro paredes do Congresso. “Você pode ter todos os democratas que quiser, ainda assim isso não garante que passem em uma votação de comissão”, advertiu um dos comentaristas, subestimando a capacidade do Congresso de efetuar mudanças concretas. Essa fala ecoa um sentimento mais amplo - de que o impeachment pode, de fato, ser mais simbólico do que eficaz.
A gestão do ICE sob Kristi Noem tem sido exacerbada por uma série de decisões impopulares que agravam o clima de insegurança entre as comunidades imigrantes e de minoria. Ativistas afirmam que as operações do ICE têm sido desproporcionais e muito mais agressivas do que o necessário, levando a um aumento de vulnerabilidades e perigos para os indivíduos, que temem pela sua segurança e a de suas famílias. Em contrapartida, o governo se defende afirmando que tais operações são indispensáveis para manter a ordem e a segurança pública.
À medida que o processo de impeachment avança, a questão do que acontece a Noem após sua eventual remoção - se ocorrer - é igualmente preocupante. As possibilidades de retorno à vida privada ou de uma nova posição influente na política não foram ignoradas pelos críticos. "O que acontece com ela quando o tempo dela neste regime acaba?", questionou um comentarista, brincando sobre a possibilidade de uma futura carreira como comentarista política. Isso levanta a expectativa de que, mesmo que o impeachment seja bem-sucedido, a estrutura política e administrativa continuará a permitir que indivíduos cuja atuação é controversa permaneçam em posições significativas.
O aumento das tensões em Minneapolis e a pressão gerada por esta nova movimentação política demonstram que o ambiente em torno da política de imigração nos EUA permanece volátil e multifacetado. Com os democratas divididos entre ações que priorizem os direitos humanos e a segurança pública, este episódio pode ser mais um capítulo em um longo e difícil embate sobre o futuro da imigração e a segurança interna nos Estados Unidos. Assim, enquanto os legisladores tentam avançar com o impeachment, a pergunta que persiste é se essa manobra resultará em mudança ou se será apenas mais uma nota de rodapé na história política contemporânea.
Fontes: The New York Times, Washington Post, CNN
Detalhes
Kristi Noem é uma política americana e atual Secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos. Antes de assumir este cargo, ela foi governadora do estado de Dakota do Sul. Noem é conhecida por suas posições conservadoras, especialmente em questões de imigração e segurança pública. Sua gestão tem sido marcada por controvérsias, especialmente em relação às operações do ICE, que geraram protestos e críticas por parte de ativistas e legisladores.
Resumo
Na última quarta-feira, mais de 80 deputados democratas assinaram artigos de impeachment contra a Secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, em resposta ao aumento das tensões em Minnesota devido a operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). A proposta, liderada pela representante Robin Kelly, reflete a insatisfação do partido com a política de imigração, que muitos consideram ineficaz e prejudicial. O clima em Minnesota se deteriorou com tiroteios envolvendo oficiais federais e protestos públicos, levando os legisladores a buscar responsabilizar a administração por uma cultura de impunidade. Apesar do apoio crescente, críticos alertam que o impeachment pode ser apenas uma manobra política sem impacto real, dado o ceticismo sobre a capacidade do Congresso de efetuar mudanças concretas. A gestão do ICE sob Noem tem sido marcada por decisões impopulares, aumentando a insegurança entre comunidades imigrantes. À medida que o processo avança, a possibilidade de Noem retornar à vida privada ou assumir outra posição política levanta questões sobre a continuidade de práticas controversas na administração pública.
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