26/02/2026, 21:44
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em uma movimentação que promete agitar o cenário eleitoral de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Fernando Haddad, atual Ministro da Educação, para ser o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do estado nas eleições de 2024. A decisão surge em meio a uma série de especulações sobre lideranças políticas e a real possibilidade de Tarcísio de Freitas, atual governador e integrante do Partido Liberal (PL), fechar uma chapa competitiva. Haddad, que já foi prefeito da capital paulista, enfrenta um terreno político desafiador, especialmente diante da análise crítica apresentada por algumas figuras da esquerda que questionam a viabilidade da candidatura devido ao histórico recente das eleições no estado.
Uma série de comentários e análises sugere que a escolha de Haddad não é unanimidade entre os membros do PT e aliados. A desconfiança é palpável, com muitos se perguntando se essa candidatura não representa uma tentativa de empurrar o ex-prefeito para uma disputa que, segundo críticos, já parece fadada ao fracasso. A preocupação com a possibilidade de uma humilhação eleitoral, similar à que ocorreu em anos anteriores, tem gerado debates acentuados entre os integrantes do partido, levando a um escrutínio rigoroso sobre a estratégia adotada.
Diversos comentários enfatizam a insatisfação com o atual cenário político, apontando que o ex-governador Geraldo Alckmin, que agora é vice-presidente da República, não demonstrou interesse em retomar sua carreira no governo estadual. Isso levanta dúvidas sobre a escolha de posicionamentos estratégicos pelo PT em uma disputa contra Tarcísio, que já possui uma base de apoio consolidada. De acordo com as reações, muitos se perguntam: por que o PT não apoia Márcio França, ex-governador e, por um tempo, um candidato viável numa eventual disputa? Essa reflexão se revela ainda mais pertinente considerando o histórico de Haddad nas urnas, onde sua ascensão não se traduziu em baixos índices de aprovação.
Neste contexto, fica evidente que o interior paulista representa um desafio formidável para qualquer candidato do PT. Eleitores engajados com uma ideologia mais conservadora e de direita se mostram hesitantes em apoiar qualquer proposta que venha de um candidato ligado ao partido, multimilionários e empresários tentando maximizar os votos, enquanto as regiões metropolitanas permanecem divididas entre um anseio por mudança e a resistência à correção do curso.
Observadores também notaram que, se Haddad optasse por uma candidatura ao Senado, as probabilidades de sucesso seriam significativamente mais altas, de acordo com as últimas pesquisas. O presidente também pode estar mirando uma estratégia mais abrangente: fornecer a Haddad um “palco” para impulsionar a candidatura de Lula ao longo da campanha ao governo de São Paulo. Não obstante, essa tática pode entregar o Senado de bandeja à direita, causando um rompimento nos planos dos aliados do governo federal.
Além disso, muitos comentadores refletem sobre a perplexidade que essa escolha cria. A crítica à antiga gestão de Haddad se baseia na performance acadêmica e na formação neoliberal que ele possui, sendo uma figura proeminente que, ao invés de voltar ao ensino e compartilhar ensinamentos, parece preferir as intricadas e acirradas batalhas do setor político, com as quais poderia ter um impacto mais positivo se adotasse um caminho alternativo. Essa luta interna dentro do PT faz parte de uma tendência mais ampla de redefinição das estratégias eleitorais, onde visibilidade é tanto uma moeda quanto uma armadilha.
Portanto, à medida que o tempo avança em direção às eleições de 2024, o clima na política de São Paulo se torna cada vez mais tenso e incerto. A possibilidade de debates acalorados e confrontos políticos entre Haddad e Tarcísio se tornam cada vez mais palpáveis, enquanto as expectativas do eleitorado se mantêm ambíguas. O resultado da movimentação política e da escolha dos candidatos não apenas pode moldar o futuro imediato do estado, como também terá repercussões significativas para o panorama nacional. Assim, o próximo ano se anuncia crucial para todos os envolvidos, e a ação de Lula em apoiar Haddad poderá ser uma aposta que pode tanto reverter, quanto perpetuar uma série de derrotas na história do PT no estado mais populoso do Brasil.
Fontes: Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo, G1
Detalhes
Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, é um político e ex-sindicalista brasileiro, co-fundador do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele foi presidente do Brasil de 2003 a 2010, período marcado por políticas de redução da pobreza e crescimento econômico. Lula é uma figura polarizadora, admirado por muitos por suas conquistas sociais, mas também criticado por escândalos de corrupção que resultaram em sua prisão e posterior absolvição.
Fernando Haddad é um político e professor brasileiro, membro do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele foi prefeito de São Paulo de 2013 a 2016 e é atualmente Ministro da Educação. Haddad é conhecido por suas políticas educacionais e por sua candidatura à presidência em 2018, onde obteve uma votação significativa, mas não venceu. Sua trajetória política é marcada por debates sobre a educação e a gestão pública.
Tarcísio de Freitas é um político brasileiro e atual governador do estado de São Paulo, eleito em 2022. Membro do Partido Liberal (PL), ele é conhecido por sua atuação como ministro da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro, onde se destacou em projetos de infraestrutura e transportes. Freitas tem uma base de apoio consolidada e é visto como um potencial adversário forte nas eleições estaduais.
Márcio França é um político brasileiro e ex-governador do estado de São Paulo, tendo exercido o cargo de 2017 a 2018. Membro do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ele foi candidato ao governo de São Paulo em 2018, onde obteve uma votação expressiva. França é conhecido por suas propostas voltadas para a educação e desenvolvimento econômico e é considerado uma figura viável para futuras disputas eleitorais.
Resumo
Em uma movimentação que promete agitar o cenário eleitoral de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou Fernando Haddad, atual Ministro da Educação, para ser o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do estado nas eleições de 2024. Essa decisão surge em meio a especulações sobre a viabilidade da candidatura, especialmente considerando o histórico recente das eleições no estado. A escolha de Haddad não é unânime entre os membros do PT, que expressam preocupações sobre uma possível humilhação eleitoral. Além disso, a insatisfação com o atual cenário político é evidente, com questionamentos sobre a falta de apoio ao ex-governador Márcio França. O interior paulista representa um desafio para qualquer candidato do PT, dado o perfil conservador dos eleitores. Observadores sugerem que Haddad teria mais chances de sucesso se optasse por uma candidatura ao Senado. A escolha de Haddad também levanta dúvidas sobre a estratégia do PT, que pode impactar não apenas as eleições estaduais, mas também o panorama político nacional. Com a aproximação das eleições de 2024, a tensão política em São Paulo aumenta, e as expectativas do eleitorado permanecem ambíguas.
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