19/02/2026, 20:52
Autor: Laura Mendes

Em um contexto no qual o ativismo social e os movimentos por igualdade racial estão em constante evolução, declarações da artista Leigh-Anne ganham destaque ao abordar a questão da superficialidade do ativismo contemporâneo. Durante um episódio do programa "What's the Tea Amy", divulgado no dia 3 de fevereiro de 2026, Leigh-Anne fez uma crítica contundente à forma como as pessoas muitas vezes se envolvem em questões sociais mais como uma tendência do que por um verdadeiro compromisso com a mudança.
A artista enfatizou que muitos indivíduos se sentem compelidos a agir ao perceber uma onda de apoio a uma causa específica, como o movimento Black Lives Matter (BLM), mas, uma vez que a atenção da mídia e do público diminui, esse engajamento frequentemente se esvai. "As pessoas veem as coisas como tendências e todo mundo entra na onda e posta um quadrado preto e acha que está fazendo algo", declarou Leigh-Anne, destacando a performatividade nas redes sociais como uma forma de engajamento que carece de substância e consistência.
Esse fenômeno de ativismo performático se reflete em outras áreas também. Comentários notarizados afirmam que, ao passo que a diversidade se torna um tópico discutido amplamente, a realidade é que as medidas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) nas empresas e na sociedade em geral enfrentam retrocessos. Há quem acredite que o foco em diversidade foi, em parte, uma resposta ao crescimento de movimentos sociais, mas, à medida que as manchetes sobre questões relacionadas a pessoas negras se tornaram menos frequentes, o apoio também começou a diminuir. Sinais disso podem ser vistos em debates eleitorais, nos quais a urgência de apresentar candidatos que representem minorias acaba cedendo lugar à busca por “vitórias a qualquer custo”, como apontado por alguns críticos.
Um aspecto que merece consideração é o impacto das representações culturais nos meios de comunicação. Algumas pessoas relataram uma resistência por parte de certos públicos em se identificarem com histórias que não refletem diretamente suas experiências. Esses receios podem limitar o potencial comercial de produções que apresentam elencos majoritariamente não brancos, como o filme “Sinners”, que mesmo sendo um sucesso, não alcançou a mesma bilheteira em mercados internacionais que produções mais convencionais. Esse cenário evidencia a luta para que narrativas diversificadas consigam espaço e reconhecimento no cenário global.
Ademais, o descontentamento com ações performáticas também foi tema abordado. Muitas pessoas comentaram sobre sua indignação ao participarem de iniciativas que, em vez de promoverem uma verdadeira compreensão do racismo, se transformaram em movimentos superficiais, como um clube do livro focado em “culpa branca”, que foi percebido como apenas uma forma de “performar” um compromisso com a diversidade, sem um real entendimento dos problemas em jogo.
Os comentários feitos após a intervenção de Leigh-Anne ressaltam a necessidade de um ativismo mais autêntico, que não se limite a ações temporárias ou à adesão rápida a modas sociais, mas que busque de verdade a construção de uma base sólida para mudanças duradouras. Entre alguns dos participantes da conversa, há um crescente cansaço com o que foi chamado de “ativismo de ocasião”, frequentemente associado apenas a um desejo por reconhecimento ou validação social, em vez de um compromisso genuíno com as causas.
A reflexão que surge desse debate, portanto, é sobre como o verdadeiro ativismo deve ser estruturado. É possível observar que não se trata apenas sobre label ou postagens sociais, mas sim sobre construir uma compreensão mais profunda sobre o racismo e suas implicações, especialmente em um mundo onde a luta por igualdade ainda enfrenta muitos desafios e retrocessos. Ao mesmo tempo, é importante considerar os revezes que movimentos como o BLM enfrentaram, com críticas aos seus dirigentes e gestões, trazendo à tona a complexidade do ativismo negro nos dias de hoje.
Nesse contexto, a voz de figuras como Leigh-Anne se torna essencial para ecoar as preocupações sobre a realidade do ativismo contemporâneo - uma chamada à ação para que a sociedade não se acomode em esforços superficiais, mas busque, de fato, construir um futuro onde a diversidade e a igualdade sejam normas, não tendências passageiras. O ativismo social deve transcender a performatividade e, em seu núcleo, deve refletir um compromisso verdadeiro com a mudança social e a justiça.
Fontes: Folha de São Paulo, The Guardian, BBC
Detalhes
Leigh-Anne é uma artista e ativista conhecida por seu trabalho no grupo britânico Little Mix. Além de sua carreira musical, ela se destaca por seu ativismo em questões sociais, especialmente relacionadas à igualdade racial e diversidade. Leigh-Anne utiliza sua plataforma para abordar temas importantes e incentivar um engajamento mais autêntico em causas sociais, criticando a superficialidade do ativismo contemporâneo e promovendo uma reflexão sobre a necessidade de ações consistentes e comprometidas.
Resumo
Em um debate sobre ativismo social, a artista Leigh-Anne criticou a superficialidade do engajamento contemporâneo em questões raciais. Durante o programa "What's the Tea Amy", ela destacou como muitos se envolvem em causas como o movimento Black Lives Matter (BLM) apenas por tendência, sem um compromisso genuíno. Leigh-Anne observou que, após o pico de atenção midiática, o apoio a essas causas frequentemente diminui, levando a um ativismo performático que carece de substância. Ela também mencionou a resistência do público em se identificar com narrativas que não refletem suas experiências, o que limita o sucesso de produções diversificadas. Além disso, o descontentamento com iniciativas que não promovem uma verdadeira compreensão do racismo foi abordado, ressaltando a necessidade de um ativismo autêntico e duradouro. O debate enfatizou que o verdadeiro ativismo deve ir além de ações temporárias e buscar uma compreensão mais profunda das questões raciais, com a voz de figuras como Leigh-Anne sendo crucial para promover mudanças significativas.
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