01/03/2026, 17:02
Autor: Ricardo Vasconcelos

Um novo livro de memórias revela detalhes surpreendentes sobre a trajetória política de Kristi Noem, a atual governadora de Dakota do Sul, que emergiu como uma figura influente na administração de Donald Trump. A obra, intitulada "Undue Process: The Inside Story of Trump’s Mass Deportation Program", da autora Julia Ainsley, expõe um aspecto controverso da vida de Noem que aparentemente a favoreceu dentro do governo. Segundo o livro, a governadora apresentou a sua decisão de atirar em um cachorro como um sinal de responsabilidade, o que, ironicamente, teria chamado a atenção de Trump para ela como uma possível aliada em seu gabinete.
Noem, que em uma reunião relatou ter atirado em um cachorro considerado “incontrolável”, descreveu o ato como uma medida necessária para assegurar a responsabilidade no cuidado de animais de estimação. Esse tipo de relato, porém, gerou reações de repúdio e incredulidade tanto em meios políticos quanto na opinião pública. O livro também a apresenta como uma das principais figuras encarregadas de implementar uma forte agenda de deportação, o que inclui políticas controversas no Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).
Noem não é uma figura estranha à controvérsia. A percepção pública sobre ela é marcada por sua aparência fisicamente alterada, com muitos questionando sua autenticidade. Recentemente, líderes comunitários e críticos da administração Trump levantaram preocupações sobre sua prioridade em criar uma imagem pessoal, supostamente em detrimento das políticas que deveriam ser focadas na segurança e no bem-estar da população. O livro de Ainsley menciona que, mesmo diante do caos constante na administração de deportações em massa, Noem e seu assessor, Corey Lewandowski, mantiveram um controle quase absoluto do acesso a informações e a estratégia do DHS, levando a outros a descrever o ambiente como algo “incontrolável”.
Lewandowski, que já foi uma figura central na campanha de Trump, é citado como uma influência-chave sobre Noem, sugerindo uma agenda de ações rigorosas, incluindo a proposta "Alligator Alcatraz" para instalação de detenção de migrantes. Essa proposta horrorizou defensores dos direitos humanos e acendeu críticas sobre a brutalidade das condições propostas para aqueles que buscam refúgio nos Estados Unidos. Críticos acusam Lewandowski de manipular políticas públicas para acentuar sua própria notoriedade e acesso ao poder durante a administração Trump.
Essa combinação de eventos e a caracterização de Noem refletem uma mentalidade em que o uso da força se tornou um tema recorrente não apenas no tratamento de animais, mas também nas políticas de imigração que a governadora ajudou a criar e implementar. Desde o início, sua ascensão à fama e influência na política foi cercada por um apelo por medidas drásticas e pela defesa obstinada da administração, o que a posiciona como uma figura polarizadora no cenário político contemporâneo.
Especialistas em direitos dos animais e ativistas em defesa da imigração se manifestam sobre as implicações morais do comportamento de Noem. O que pode parecer uma anedota trivial sobre a posse de cães em sua vida pessoal ressoa com uma crítica mais ampla à responsabilidade ética de figuras públicas em suas decisões. Com a aproximação de novas eleições e o crescente interesse no futuro da política americana, o legado de Noem e suas ações questionáveis podem vir a moldar profundamente não apenas sua carreira, mas também as políticas de imigração que definem a era contemporânea.
À medida que o debate sobre os atos de Noem se intensifica, o que se destaca é o dilema em torno da desumanização. A narrativa de Noem apresenta um desafio à lógica de que o comportamento em relação aos animais e a compaixão pelas vidas dos seres humanos, particularmente aqueles que buscam asilo, são interligados. O impacto de suas ações ressoa longe, levantando questões sobre a natureza da liderança e o que significa ser um responsável por políticas que afetam a vida de milhões. O que Noem representa nesse contexto pode determinar não apenas sua trajetória pessoal, mas também a futura direção das políticas de imigração e controle de segurança nos Estados Unidos.
Fontes: Folha de São Paulo, The New York Times, CNN
Detalhes
Kristi Noem é a atual governadora de Dakota do Sul, conhecida por sua forte aliança com a administração de Donald Trump. Desde sua ascensão à política, Noem tem sido uma figura polarizadora, defendendo políticas de imigração rigorosas e uma agenda de deportação. Sua imagem pública é frequentemente debatida, especialmente em relação a suas decisões controversas e sua aparência física. Ela se destaca por seu papel em implementar políticas no Departamento de Segurança Interna dos EUA, o que a tornou uma figura influente no cenário político contemporâneo.
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de 2017 a 2021. Conhecido por seu estilo de liderança controverso e suas políticas polarizadoras, Trump ganhou notoriedade por suas posturas rígidas em relação à imigração, economia e relações internacionais. Antes de sua presidência, ele era um magnata do setor imobiliário e personalidade da mídia, famoso por seu programa de televisão "The Apprentice". Sua administração foi marcada por debates acalorados e uma base de apoio fervorosa.
Resumo
Um novo livro de memórias, "Undue Process: The Inside Story of Trump’s Mass Deportation Program", da autora Julia Ainsley, revela aspectos controversos da trajetória política de Kristi Noem, governadora de Dakota do Sul e figura influente na administração de Donald Trump. O livro destaca uma reunião em que Noem relatou ter atirado em um cachorro considerado “incontrolável”, apresentando o ato como uma demonstração de responsabilidade, o que chamou a atenção de Trump. Essa declaração gerou reações de repúdio e levantou questões sobre sua autenticidade. Noem é retratada como uma das principais responsáveis por implementar uma agenda rigorosa de deportação, em meio a críticas sobre sua imagem pessoal em detrimento das políticas públicas. O assessor Corey Lewandowski, figura central na campanha de Trump, é citado como uma influência sobre Noem, propondo ações polêmicas, como a instalação de detenção de migrantes. O comportamento de Noem levanta questões éticas sobre a desumanização e a responsabilidade de líderes em suas decisões, com implicações profundas para a política de imigração nos Estados Unidos.
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