11/04/2026, 12:48
Autor: Ricardo Vasconcelos

A política peruana vive um novo capítulo polêmico com a proposta de Keiko Fujimori de expulsar imigrantes caso vença as eleições presidenciais. Este compromisso recente despertou debates acalorados entre os cidadãos e analistas políticos, especialmente com a perspectiva de uma aproximação estratégica com o ex-presidente norte-americano Donald Trump. Em meio a uma sociedade dividida, a candidata às eleições de 2026 busca reconstruir sua imagem e conquistar votos ao destacar suas intenções assertivas quanto à segurança nacional e controle das fronteiras.
Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país de forma controversa durante a década de 1990, tem enfrentado resistência e desconforto entre setores da população que ainda recordam os abusos de direitos humanos associados ao regime de seu pai. Recentemente, a candidata mencionou que, se eleita, tomará medidas para repatriar imigrantes de diversas nacionalidades, priorizando a expulsão de aqueles que considera indesejáveis. Tal postura é vista com desconfiança por muitos analistas, que apontam que sua estratégia visa não apenas consolidar apoio dentre eleitores mais conservadores mas também provocar uma resposta positiva de figuras influentes no cenário americano, como Trump.
A conexão entre Fujimori e Trump é particularmente notável; ambos cavalgaram a onda do nacionalismo e do populismo em suas respectivas políticas. Em várias declarações, Keiko expressou sua admiração por Trump, levando a especulações sobre o que seria uma possível parceria em políticas que afetam imigrantes. "É comum que políticos na América Latina tentem copiar o estilo de governança de líderes controversos dos EUA, mas essa aproximação pode ser perigosa", afirma Luiza Mota, professora de ciência política na Universidade Nacional de San Marcos, no Peru. A relação com um ex-presidente que agora enfrenta dificuldades políticas nos Estados Unidos também levanta questões sobre a eficácia dessa estratégia.
A proposta de expulsão de imigrantes gerou uma onda de reações, que variam de apoio entusiástico a um repúdio veemente, refletindo o contexto de polarização política no país. Muitos peruanos se manifestaram contra a ideia, citando dados que mostram que a maioria dos imigrantes não representa uma ameaça à segurança e, ao contrário, contribui para a economia nacional. "O Peru precisa de imigrantes qualificados para crescer, e a história de nosso próprio povo está cheia de migrações que enriqueceram nossa cultura e economia", diz Juan Carlos, um economista que participou de uma mesa-redonda sobre políticas migratórias na capital.
Além disso, é importante notar que a política de repatriação proposta por Fujimori, ao incluir imigrantes de diferentes nacionalidades, pode acentuar a xenofobia já presente em setores da sociedade peruana. Observadores apontam que essa retórica não é nova na política latino-americana, onde muitas vezes grupos minoritários e imigrantes são usados como bodes expiatórios em tempos de crise econômica.
Um olhar mais profundo sobre o passado de Alberto Fujimori também levanta questões éticas sobre a legitimidade político-social de sua filha. O governo de seu pai foi marcado por violações de direitos humanos, incluindo esterilizações em massa de mulheres indígenas e a repressão brutal de opositores. Keiko frequentemente é confrontada com heranças desse passado tumultuado, que a leva a esclarecer sua posição sobre políticas de direitos humanos. Contudo, os críticos sugerem que sua retórica atual evoca um retorno às táticas que contribuíram para a polarização e divisão social durante o governo de seu pai.
Como parte da campanha eleitoral, Fujimori se apresenta como uma defensora da lei e da ordem, posicionando-se como uma alternativa a um campo político fragmentado. No entanto, sua estratégia de campanha também levanta preocupações sobre o que significa uma vitória para o futuro do diálogo aberto e inclusivo nas questões sociais e culturais do Peru.
Nos próximos meses, a luta por votos e apoio se intensificará à medida que as eleições se aproximam. Com a polarização crescente, os peruanos se deparam com uma escolha difícil: apoiar uma política que promete segurança através da exclusão ou buscar uma visão mais inclusiva que reconheça e valorize a diversidade como um elemento-chave para o progresso nacional.
A trajetória política de Keiko Fujimori e suas propostas em relação aos imigrantes estarão sob vigilância intensa, enquanto analistas e eleitor se perguntam se o Peru se afastará das lições dolorosas do passado ou se repetirá os erros cometidos sob um regime que muitos acreditam ter deixado cicatrizes profundas na sociedade.
Fontes: O Estado de S. Paulo, Folha de São Paulo, BBC Brasil
Detalhes
Keiko Fujimori é uma política peruana e filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Ela tem sido uma figura polarizadora na política do Peru, buscando se distanciar do legado controverso de seu pai, que governou o país na década de 1990. Keiko tem se posicionado como defensora da segurança nacional e controle de imigração, propondo medidas que incluem a expulsão de imigrantes. Sua candidatura para as eleições presidenciais de 2026 é marcada por uma tentativa de reconstruir sua imagem e conquistar apoio entre eleitores conservadores, além de sua admiração por líderes populistas, como Donald Trump.
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por seu estilo de governança controverso e retórica populista, Trump implementou políticas de imigração rigorosas e promoveu um forte nacionalismo. Sua presidência foi marcada por divisões políticas intensas e um foco em questões como segurança nacional e comércio. Após deixar o cargo, Trump continuou a ser uma figura influente no Partido Republicano e na política americana, frequentemente sendo mencionado em debates sobre imigração e política externa.
Alberto Fujimori é um ex-presidente do Peru, que governou de 1990 a 2000. Seu governo é frequentemente lembrado por suas políticas autoritárias e pela violação de direitos humanos, incluindo a repressão de opositores e esterilizações em massa de mulheres indígenas. Fujimori implementou medidas de combate ao terrorismo que inicialmente reduziram a violência no país, mas a um alto custo em termos de direitos humanos. Ele fugiu para o Japão em 2000 e foi preso em 2005 ao retornar ao Peru. Seu legado continua a ser um tema de intenso debate e polarização na sociedade peruana.
Resumo
A política peruana enfrenta um novo dilema com a proposta de Keiko Fujimori de expulsar imigrantes caso vença as eleições presidenciais de 2026. A candidata, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, busca reconstruir sua imagem e atrair votos ao enfatizar a segurança nacional e o controle das fronteiras. Sua proposta gerou debates acalorados, especialmente em relação à sua conexão com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, com quem compartilha posturas nacionalistas e populistas. Enquanto muitos peruanos se opõem à ideia de expulsão, argumentando que a maioria dos imigrantes contribui para a economia, a retórica de Fujimori pode acentuar a xenofobia. Além disso, o passado controverso de seu pai, marcado por violações de direitos humanos, levanta questões sobre a legitimidade de sua candidatura. À medida que as eleições se aproximam, a polarização política no Peru se intensifica, forçando os eleitores a escolher entre uma política de exclusão ou uma visão mais inclusiva.
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