05/03/2026, 11:45
Autor: Ricardo Vasconcelos

A gigante do setor de delivery Keeta, que pertence ao conglomerado chinês Meituan, enfrentou uma crise aguda nesta quarta-feira, 4 de outubro de 2023, ao demitir cerca de 200 funcionários no Rio de Janeiro. A decisão veio após a empresa cancelar sua estreia no estado, em um movimento que levantou questões sobre a eficácia de sua estratégia de mercado no Brasil. Segundo fontes internas, os trabalhadores foram convocados para uma "reunião de alinhamento", mas muitos já esperavam que o encontro resultasse em demissões em massa.
A demissão ocorreu em um clima de apreensão, onde os funcionários foram divididos em dois hotéis para a realização das reuniões. Essa situação revela a fragilidade da operação da Keeta no Brasil, que prometeu crescimento e oportunidades a trabalhadores recrutados de outras empresas e agora se vê em meio a uma reestruturação abrupta. A companhia, que já havia enfrentado polêmicas sobre a "cultura de trabalho" que impõe, agora se vê novamente sob uma nova sombra de questionamentos.
Entre os principais pontos levantados por ex-funcionários, estão as condições de trabalho consideradas excessivas e a percepção de uma falta de organização interna que acabou não entregando as promessas feitas durante o processo seletivo. Curiosamente, muitos trabalhadores observam que as horas de trabalho se aproximam do modelo "996", uma prática muito criticada que dura de nove da manhã até nove da noite, seis dias por semana, frequentemente abusiva e sem consideração pelo bem-estar dos colaboradores.
A Keeta chegou ao Brasil buscando competir com gigantes como iFood e 99 Food, mas agora se depara com desafios significativos que vão além de questões de sobrevivência financeira. Comentários de observadores do mercado afirmam que a empresa é "péssima em matemática" quando se trata de entender a dinâmica do setor de delivery no país e que a concorrência vivida por empresas como Rappi e iFood já estabelecidas há mais tempo é uma barreira difícil de superar.
Além de suas operações, a Keeta também bateu de frente com a indústria e o cenário regulatório do Brasil. Com suas alegações de práticas abusivas e anti-concorrenciais por parte de concorrentes já consolidadas no mercado, a empresa disse que cláusulas de exclusividade adotadas por plataformas como iFood e 99 Food limitam a liberdade de operação dos restaurantes, um argumento que, se verdadeiro, poderia suscitar intervenções legais, apesar da grande burocracia envolvida.
Ex-funcionários e consumidores ressaltam que, mesmo com a oferta competitiva inicial, a percepção do serviço da Keeta não chega a ser tão positiva quanto a de outros concorrentes, com queixas sobre a interface do aplicativo e dificuldades na aplicação de cupons promocionais. Um utilizador comentou: "O app da Keeta parece um jogo de azar, em que você tenta girar para ganhar um desconto, mas não funciona como deveria". Essa imagem exemplifica a difícil relação da Keeta com a experiência do usuário: clientes que se decepcionam frequentemente procuram alternativas em serviços que podem não apenas oferecer preços competitivos, mas também uma plataforma mais funcional.
Com a demissão e a suspensão do lançamento no Rio, a Keeta se vê agora em uma encruzilhada. Manter sua operação no Brasil e tentar reverter sua imagem negativa exigirá uma estratégia sólida e um compromisso significativo do comando da empresa com as condições de trabalho e a experiência do usuário. Resta saber se a organização será capaz de se reinventar e competir efetivamente em um dos mercados de delivery mais dinâmicos do mundo, onde muitas vezes promessas e expectativas se chocam com a realidade cruenta do dia a dia.
Os próximos meses serão cruciais para a percepção que o mercado terá da Keeta e se a empresa conseguirá se ajustar de maneira a garantir não apenas sua sobrevivência financeira, mas também um ambiente de trabalho mais saudável e uma experiência mais satisfatória para seus usuários. Os especialistas alertam que, sem uma avaliação crítica da cultura corporativa e dos processos internos, a empresa pode acabar se tornando apenas mais um nome em um setor repleto de incertezas.
Fontes: O Globo, Folha de São Paulo, TecMundo
Detalhes
A Keeta é uma empresa de delivery que pertence ao conglomerado chinês Meituan. A empresa entrou no mercado brasileiro com a intenção de competir com plataformas estabelecidas como iFood e 99 Food. No entanto, enfrenta desafios significativos, incluindo críticas sobre suas condições de trabalho, a eficácia de sua estratégia de mercado e a experiência do usuário em sua plataforma. As recentes demissões e o cancelamento de sua estreia no Rio de Janeiro levantam questões sobre a viabilidade de suas operações no Brasil.
Resumo
A Keeta, empresa de delivery pertencente ao conglomerado chinês Meituan, demitiu cerca de 200 funcionários no Rio de Janeiro em 4 de outubro de 2023, após cancelar sua estreia no estado, levantando dúvidas sobre sua estratégia no Brasil. Os trabalhadores foram convocados para reuniões em dois hotéis, onde muitos já esperavam demissões. A operação da Keeta no Brasil, que prometia crescimento, enfrenta agora uma reestruturação abrupta, com ex-funcionários criticando as condições de trabalho e a falta de organização interna. A empresa, que busca competir com gigantes como iFood e 99 Food, enfrenta desafios significativos, incluindo a percepção negativa do serviço e a comparação desfavorável com concorrentes. Além disso, a Keeta alega práticas abusivas por parte de concorrentes, mas enfrenta um ambiente regulatório complexo. A demissão e a suspensão do lançamento no Rio colocam a Keeta em uma encruzilhada, exigindo uma estratégia sólida para melhorar sua imagem e garantir sua sobrevivência em um mercado altamente competitivo.
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