18/02/2026, 23:18
Autor: Ricardo Vasconcelos

No primeiro dia da Quaresma, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, fez uma declaração contundente criticando a posição do Vaticano em relação ao “Conselho de Paz” proposto por Donald Trump. A iniciativa visa supervisionar a reconstrução de Gaza, que foi devastada por anos de conflito. A resposta do Vaticano, através do Cardeal Pietro Parolin, foi clara: a Santa Sé acredita que tais crises devem ser tratadas pelos organismos competentes, como as Nações Unidas, e não por um conselho que poderia ser visto como politicamente tendencioso.
Leavitt expressou sua frustração, afirmando que “é profundamente lamentável” a recusa do Vaticano em se envolver em um esforço que, segundo ela, deveria transcender as divisões partidárias e políticas. Ela destacou a visão arrojada do presidente Trump para a região, clamando por um compromisso maior, focado na reconstrução de um território que sofre com a pobreza e a violência há muito tempo. “A paz não deve ser uma questão controversa”, disse Leavitt, acreditando que a administração Trump possui um plano legítimo com apoio internacional.
Contudo, a proposta de Trump e a reação de Leavitt levantaram questões significativas sobre a política externa dos Estados Unidos em relação ao Oriente Médio e os papéis que a religião e a doutrina católica desempenham nesse contexto. A oposição ao Papa Francisco não é novidade; muitos católicos americanos expressam descontentamento com a liderança atual, citando preocupações sobre sua abordagem mais liberal em questões sociais e políticas. Essa divisão se reflete nas opiniões de católicos que têm dificuldade em conciliar suas crenças com as diretrizes papais atuais, levando a um sentimento de alienação em relação à Igreja.
Comentários de internautas sobre a situação revelam um ceticismo crescente em relação à liderança do Papa. Enquanto alguns defendem a posição tradicional da Igreja, outros argumentam que a relevância da instituição na política moderna é questionável. Um comentarista se permitiu especular sobre o impacto de Leavitt em um eventual excomunhão, sugerindo que a crítica ao Papa poderia resultar em retaliações dentro da Igreja. Outro usuário chamou a atenção para a lógica paradoxal de se considerar católico ao mesmo tempo que se rejeita a figura do Papa, levantando a questão da identidade católica em um ambiente social complexo, cada vez mais polarizado.
A maneira como Leavitt e outros membros da administração abordam a questão do Conselho de Paz pode, de fato, ser vista como uma oportunidade para explorar mais a relação entre política e fé no mundo contemporâneo. A ideia de que um projeto de paz possa ser liderado por um presidente controverso, como Trump, que já enfrentou críticas tanto de liberais como de conservadores, adiciona outra camada de complexidade. Muitos observam que a separação entre a Igreja e o Estado deve ser respeitada, e que o envolvimento do Vaticano em questões políticas pode minar sua autoridade espiritual.
A administração Trump procura estabelecer sua própria narrativa para a paz no Oriente Médio, desafiando a longa tradição diplomática que historicamente contou com a participação do Vaticano em questões delicadas. As tensões existentes levam a uma crescente indiferença de alguns católicos fervorosos em relação aos líderes do Vaticano, o que pode prejudicar a unidade da Igreja e seu papel na resolução de conflitos globais.
Conforme os fatos se desenrolam, a luta pela alma do catolicismo nos Estados Unidos parece se intensificar, refletindo as disputas mais amplas entre liberais e conservadores. A antiga questão de como a Igreja Católica deve se posicionar nos assuntos mundiais continua a gerar debates quentes e divisões entre os fiéis. Enquanto isso, o Vaticano mantém sua posição, acreditando que a diplomacia deve ser conduzida de maneira objetiva, sem a intervenção de agendas políticas. Isso levanta um ponto crucial: será que os esforços para a paz estão sendo comprometidos por posturas ideológicas? Esta é uma questão que continuará a reverberar nos círculos tanto políticos quanto religiosos.
À medida que o mundo observa, resta saber qual será o impacto das palavras e ações de líderes como Leavitt, que navegam nas águas turbulentas entre fé e política, e como isso moldará o futuro do diálogo sobre a paz no Oriente Médio e o papel da Igreja nesse debate.
Fontes: Folha de São Paulo, The New York Times, Reuters
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que foi o 45º presidente dos Estados Unidos, exercendo o cargo de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por seu estilo controverso e suas políticas polarizadoras, Trump é uma figura central no Partido Republicano e tem uma base de apoio fervorosa, bem como críticos acérrimos. Sua administração focou em temas como imigração, economia e política externa, incluindo tentativas de paz no Oriente Médio.
O Vaticano, oficialmente conhecido como Estado da Cidade do Vaticano, é uma cidade-estado independente e a sede da Igreja Católica. Governado pelo Papa, o Vaticano é o menor país do mundo em termos de área e população. É um centro espiritual e administrativo para os católicos e desempenha um papel importante na diplomacia internacional, frequentemente mediando conflitos e promovendo a paz. A posição do Vaticano em questões sociais e políticas é frequentemente objeto de debate e controvérsia.
Resumo
No início da Quaresma, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, criticou o Vaticano por sua recusa em apoiar a proposta de Donald Trump para um "Conselho de Paz" destinado à reconstrução de Gaza. O Cardeal Pietro Parolin, representando a Santa Sé, afirmou que a resolução de crises deve ser conduzida por organismos competentes, como as Nações Unidas, e não por um conselho que poderia ser percebido como politicamente tendencioso. Leavitt expressou sua frustração, defendendo que a paz deve transcender divisões políticas e elogiando a visão de Trump para a região. A proposta levantou questões sobre a política externa dos EUA no Oriente Médio e a influência da religião nesse contexto. A oposição ao Papa Francisco entre católicos americanos e a crescente indiferença em relação à liderança do Vaticano foram destacadas, refletindo divisões internas na Igreja. O envolvimento do Vaticano em questões políticas é visto por alguns como uma ameaça à sua autoridade espiritual, enquanto a administração Trump busca estabelecer sua própria narrativa de paz, desafiando a tradição diplomática que inclui o Vaticano.
Notícias relacionadas





