09/01/2026, 18:13
Autor: Ricardo Vasconcelos

Na última quinta-feira, Jesse Ventura, ex-governador de Minnesota, não poupou críticas ao ex-presidente Donald Trump, chamando-o de "covarde" por sua desapego ao serviço militar durante a Guerra do Vietnã. A declaração foi feita durante uma visita à Roosevelt High School, onde Ventura, que se formou, expressou seu orgulho pela escola e seu apoio aos valores que ela representa. “Ele é o covarde que escapou do alistamento, que, quando foi sua vez de servir ao seu país, fez o que todos os meninos brancos ricos fizeram”, disse Ventura, referindo-se ao fato de Trump ter sido dispensado do serviço militar devido a um diagnóstico de esporão ósseo. “Eu não era um menino branco rico. Nós tivemos que ir... Ele vai me dizer o que é coragem?”, questionou.
Além de suas críticas a Trump, Ventura também fez uma afirmação surpreendente ao sugerir que poderia concorrer novamente ao cargo de governador nas próximas eleições. “Sabe de uma coisa? Talvez seja hora do Jesse. Eu só fiz um mandato. Eu tenho direito a um segundo”, afirmou. Essa declaração gera expectativas e especulações sobre seu retorno à política, especialmente em um momento em que o atual governador, Tim Waltz, anunciou que não buscará a reeleição.
Durante sua fala na Roosevelt High School, Ventura destacou a importância da liberdade e o respeito à Constituição. Ele criticou o Partido Republicano, insinuando que membros do partido não se importam com os princípios constitucionais e, em vez disso, promovem ações que desrespeitam a lei e a dignidade dos cidadãos. A paixão e a convicção de Ventura em suas declarações refletem sua contínua influência no cenário político do estado e sua conexão com os eleitores.
No entanto, o retorno de Ventura à política não está isento de desafios. Desde seu primeiro mandato, ele se tornou uma figura polarizadora e, embora tenha um nicho de apoiadores, enfrenta a tarefa de reestruturar sua base em um ambiente político que se tornou ainda mais divisivo. Embora tenha sido um governador popular em seu primeiro mandato, a paisagem política mudou significativamente desde então, com o surgimento de novas vozes e ideologias.
A visita de Ventura à Roosevelt High School não foi apenas uma oportunidade para criticar Trump, mas também um momento para refletir sobre a tragédia recente que abalou a comunidade. Ele mencionou o tiroteio fatal que ocorreu na área, afirmando que “sempre que você tem a perda de uma vida que acontece desnecessariamente, isso é uma tragédia. E o que ocorreu ontem não precisava ter acontecido”. Essa sensibilidade em relação à questão da violência armada e suas implicações sociais demonstra que Ventura está atendo às preocupações de segurança da comunidade.
As reações a Ventura variam, e enquanto alguns o veem como um moderado em meio a um partido cada vez mais influenciado pela extrema direita, outros o consideram apenas uma figura que busca se destacar em um cenário saturado. Seus críticos apontam sua conexão com a cultura popular e o wrestling, sugerindo que essas características podem não ressoar com todos os eleitores.
A possibilidade de Ventura concorrer novamente ao governo também levanta questões sobre a natureza da política em Minnesota, onde ele foi o primeiro e, até agora, único ex-lutador a assumir o cargo de governador. A singularidade de sua trajetória é uma lembrança de que a política muitas vezes não segue os caminhos tradicionais, e a popularidade de Ventura entre certos grupos pode ajudar a moldar o futuro da corrida. É uma história que exigirá poucos ouvidos atentos, pois os apoiadores e opositores aguardam as próximas etapas em meio ao cenário político em transformação.
A próxima eleição em novembro promete ser um marco significativo, não apenas para Ventura, mas para o futuro do estado. Com candidatos emergindo e promessas de novas visões, a disputas por Minnesota poderá revelar novas dinâmicas eleitorais. Com a notoriedade de Ventura como um candidato que não se enquadra facilmente em categorias políticas tradicionais, seria interessante observar se os eleitores estarão dispostos a sinalizar um retorno ao seu estilo de governança, que se destacou pela individualidade e ousadia.
Este desenvolvimento é um convite à reflexão sobre a trajetória política americana e sobre como personalidades icônicas como Ventura podem subverter as expectativas eleitorais. A mobilização e o engajamento político nas comunidades podem continuar a moldar as visões sobre candidatos e suas propostas, fazendo da cidadania um ativo crucial neste momento.
Fontes: Fox 9, CNN, The New York Times, Star Tribune, Politico
Detalhes
Jesse Ventura é um ex-governador de Minnesota e ex-lutador profissional, conhecido por seu estilo carismático e suas opiniões políticas controversas. Ele serviu como governador de 1999 a 2003, sendo o primeiro ex-lutador a ocupar o cargo. Ventura é reconhecido por sua postura independente e por criticar tanto o Partido Republicano quanto o Partido Democrata, frequentemente abordando questões de liberdade civil e direitos dos cidadãos. Sua trajetória política e sua conexão com a cultura popular o tornaram uma figura polarizadora, mas também carismática, em Minnesota.
Resumo
Na última quinta-feira, Jesse Ventura, ex-governador de Minnesota, criticou o ex-presidente Donald Trump, chamando-o de "covarde" por ter escapado do alistamento militar durante a Guerra do Vietnã. Ventura fez essas declarações em sua antiga escola, a Roosevelt High School, onde também manifestou interesse em concorrer novamente ao cargo de governador. Ele destacou a importância da liberdade e criticou o Partido Republicano por desrespeitar princípios constitucionais. Ventura, que se tornou uma figura polarizadora desde seu primeiro mandato, enfrenta desafios para reestruturar sua base em um ambiente político divisivo. Além de suas críticas, ele expressou sensibilidade em relação a um recente tiroteio na comunidade, refletindo preocupações com a violência armada. A possibilidade de seu retorno ao governo levanta questões sobre a política em Minnesota e a singularidade de sua trajetória como ex-lutador. A próxima eleição promete ser um marco significativo, com a expectativa de novas dinâmicas eleitorais.
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