Irã pede apoio ao BRICS em meio a tensões geopolíticas crescentes

O presidente do Irã solicita ação do bloco BRICS e um papel independente na contenção das agressões, em um contexto de intensas tensões na região.

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21/03/2026, 17:29

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma mesa de negociações com bandeiras dos países do BRICS e do Irã, enquanto um mapa do Oriente Médio é exibido ao fundo, sugerindo tensão geopolítica. Os representantes parecem debater intensamente, com gestos expressivos e papéis na mão, ilustrando a complexa dinâmica de poder em jogo.

No dia de hoje, o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, lançou um apelo aos países do bloco BRICS, que inclui grandes economias emergentes, solicitando que tomem uma posição ativa contra as agressões que o país enfrenta, notando que a aliança, atualmente presidida pela Índia, deve "desempenhar um papel independente" em favor do Irã. Esta calloma, enquanto o Oriente Médio se torna cada vez mais um ponto focal de tensão geopolítica, levanta questões sobre a efetividade e a disposição do BRICS para intervir em um conflito que, ao lado de outras crises regionais, tem potencial para impactar a segurança energética e econômica global.

O cenário atual envolve várias dinâmicas, onde a natureza da aliança BRICS, que contrasta significativamente com entidades como a OTAN, é relevante. O conceito por trás do BRICS é o de um comprometimento mútuo entre os membros, onde um ataque a um estado se tornaria um ataque a todos. Contudo, muitos analistas questionam se essa aliança realmente teria o peso necessário para contestar a influência dos Estados Unidos e seus aliados na região. Como foi pontuado, a Ucrânia continua sendo a prioridade da Rússia, o que reduz suas capacidades de apoio ao Irã, apesar de sua colaboração em termos de informações de inteligência e armamentos.

Nos comentários que surgiram na sequência do apelo do presidente Raisi, surgiu a reflexão de que, mesmo que haja uma expectativa de intervenção significativa por parte do BRICS, muitos acreditam que essa expectativa é infundada. A opinião predominante sugere que o bloco, embora seja visto como uma alternativa à hegemonia ocidental, ainda não demonstrou uma capacidade real de ação coletiva em crises semelhantes no passado. A mera expressão de preocupação, portanto, é vista como a extensão das possibilidades que o BRICS está disposto a oferecer, conforme a realidade geopolítica se desenrola.

Ademais, observadores apontam que a situação no campo da diplomacia internacional exige uma atenção particular. A interação entre o Irã e os países do BRICS pode ser vista como um reflexo do desejo do Irã de buscar alianças alternativas àquelas tradicionalmente dominadas por potências ocidentais. O presidente Raisi, ao falar com o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, enfatizou a necessidade de uma coalizão que não apenas expresse preocupação, mas que aja de forma significativa diante da realidade atual de tensões, especialmente com o Ocidente, que inclui uma contínua série de sanções.

A complexa rede de interesses no cenário internacional contribui para a interdependência entre os países do BRICS e o Irã. A China e a Rússia, que têm interesses próprios na região, podem ver no Irã uma ferramenta para desafiar a influência dos EUA. A falta de um comprometimento maior do BRICS é analisada sob a ótica de suas prioridades internas, onde cada membro luta com suas próprias questões de segurança e estabilidade.

Neste cenário, a indagação é se o apoio do BRICS ao Irã excederá as meras declarações e equiparará ações concretas diante de um padrão crescente de agressões externas. A questão também se estende à capacidade do bloco de formar uma resposta unificada, ou se as tensões e divergências entre os próprios membros do BRICS – que vão da Índia à África do Sul – criarão uma barreira intransponível para qualquer ação coordenada em relação ao Irã.

Além disso, a situação humanitária no Irã, exacerbada por conflitos e sanções, é um elemento que não pode ser ignorado nas discussões sobre a eficácia da ajuda internacional. O que se observa na plateia geopolítica pode ser unicamente a expressão de um desejo de mudar o paradigma de poder, embora muitos analistas sejam céticos quanto a isso. A expectativa de que o Irã possa contar com uma assistência substancial em um conflito tão multidimensional e profundamente enraizado pode ser, afinal, uma esperança assombrosa, marcada pela realidade das limitações políticas e econômicas enfrentadas pelos países do BRICS em suas próprias operações.

Esse desenvolvimento é uma demonstração de que o status quo da política internacional continua em uma fase de reavaliações e potenciais reconfigurações. O futuro das relações entre o Irã e os membros do BRICS poderá resultar em interações diplomáticas ou, em última análise, em uma reiteração das limitações de alianças que nascem mais da retórica do que de uma realidade pragmática em termos de resposta militar ou política internacional. Com as chamadas de ação emergindo contra a backdrop de realidades complexas, o mundo observa para ver como esta nova configuração geopolítica navegará entre os interesses de cada membro e a situação tensa que se desenrola no Oriente Médio.

Fontes: Folha de São Paulo, BBC News, Al Jazeera, The Guardian

Detalhes

Ebrahim Raisi

Ebrahim Raisi é o atual presidente do Irã, tendo assumido o cargo em agosto de 2021. Ele é conhecido por suas posições conservadoras e sua forte retórica contra o Ocidente. Antes de se tornar presidente, Raisi ocupou cargos importantes no sistema judicial iraniano e é visto como um aliado próximo do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Sua presidência tem sido marcada por desafios econômicos e tensões geopolíticas, especialmente em relação ao programa nuclear do Irã e às sanções internacionais.

BRICS

O BRICS é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Formado para promover a cooperação econômica e política entre suas nações-membro, o BRICS busca oferecer uma alternativa à hegemonia ocidental nas relações internacionais. O bloco tem se reunido regularmente para discutir questões globais, mas sua eficácia em agir de forma coesa em crises internacionais tem sido frequentemente questionada.

Resumo

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, fez um apelo aos países do bloco BRICS, solicitando que adotem uma postura ativa contra as agressões enfrentadas pelo Irã. Raisi enfatizou a importância de o BRICS, sob a presidência da Índia, desempenhar um papel independente em favor do Irã, especialmente em um contexto de crescente tensão geopolítica no Oriente Médio. Analistas questionam a capacidade do BRICS de contestar a influência dos EUA na região, dado que a Rússia prioriza a Ucrânia, limitando seu apoio ao Irã. Apesar das expectativas de intervenção do BRICS, muitos acreditam que essas esperanças são infundadas, já que o bloco ainda não demonstrou ação coletiva em crises passadas. A interação entre o Irã e os países do BRICS reflete o desejo do Irã de buscar alianças fora da influência ocidental. A complexa rede de interesses entre os membros do BRICS e o Irã levanta dúvidas sobre a possibilidade de uma resposta unificada a agressões externas, especialmente considerando as tensões internas entre os próprios membros do bloco. A situação humanitária no Irã também é um fator importante nas discussões sobre a eficácia da ajuda internacional.

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