26/02/2026, 20:30
Autor: Ricardo Vasconcelos

No dia 30 de outubro de 2023, o Ifood, um dos principais aplicativos de entrega do Brasil, deu um passo polêmico ao introduzir anúncios de apostas na plataforma utilizada por entregadores. A decisão gerou um alvoroço entre os trabalhadores da empresa, que expressaram suas preocupações sobre a exploração e o impacto negativo que esses anúncios podem ter sobre suas vidas financeiras e profissionais. As críticas se intensificaram a partir de relatos de entregadores, que afirmaram que, além da pressão constante por entregas, agora são também bombardeados por propagandas que promovem jogos de azar.
Os comentários dos entregadores revelam um descontentamento crescente com a maneira como a plataforma parece priorizar o lucro em detrimento do bem-estar dos que a fazem funcionar. Um dos entregadores mencionou que já está sobrecarregado com os anúncios relacionados a produtos e serviços do próprio Ifood, afirmando que se sente cada vez mais "trambicado" pela empresa. Essa sensação de exploração se intensifica com a adição de propagandas de "bets", como a marca iBet, que não apenas consomem o espaço publicitário na plataforma, mas que estão, segundo os trabalhadores, intrinsecamente ligadas ao comportamento de consumo deles.
O impacto da presença de anúncios de apostas levanta questões sérias, especialmente com o fundo da cultura de consumo que permeia o mundo do trabalho dos entregadores. Vários relatos mencionam que, durante os intervalos entre as corridas, muitos entregadores se veem utilizando suas horas de espera em jogos de azar, o que os leva a um ciclo vicioso de gastos. Um entregador comentou que ficou alarmado ao ver seu próprio aplicativo geralmente utilizado para fins práticos agora promover algo que ele considera uma “armadilha” financeira. Isso foi especificamente criticado por outros, que afirmaram que mesmo que seu CPF esteja cadastrado em um programa do governo que bloqueia anúncios relacionados a apostas, eles ainda estão sendo bombardeados com essas mensagens.
A introdução de anúncios de apostas no Ifood também inaugura um debate sobre a regulamentação e as responsabilidades das plataformas digitais em relação ao bem-estar dos trabalhadores que dependem delas. Enquanto isso, o mercado de jogos online, que já é altamente rentável, parece se expandir ainda mais, aproveitando-se de plataformas acessíveis e populares. Muitos entregadores já preveem a inclusão de mais propaganda de apostas e demonstram receio de que os anúncios venham a se tornar invasivos e persistentes.
A crescente insatisfação e preocupação também se concentram na ideia de que a movimentação por parte dessas plataformas pode refletir um padrão problemático que não apenas ignora as necessidades e preocupações dos trabalhadores, mas também explora sua vulnerabilidade financeira. Além da exploração monetária, existe uma ansiedade iminente sobre os riscos associados a veículos das apostas, que os entregadores temem possa criar um ciclo de dívida e desgaste emocional.
Diante dessa nova realidade, muitos entregadores começaram a considerar alternativas para reduzir ou eliminar a presença dessas propagandas em suas vidas, buscando soluções técnicas como ajustes em configurações de DNS para bloquear anúncios indesejados. Essas soluções são frequentemente vistas como uma resposta desesperada a uma problemática que se agrava sem que haja um diálogo construtivo entre a plataforma empregadora e seus colaboradores.
Além de gerar indignação entre os trabalhadores, o episódio levanta perguntas cruciais sobre a ética dos serviços de entrega, especialmente no que toca aos impactos financeiros sobre os entregadores e a cultura de consumo. Companhias como o Ifood devem agora enfrentar uma pressão crescente para implementar políticas que não apenas respeitem a segurança financeira de seus trabalhadores, mas que também abordem a regulamentação necessária para evitar a exploração a que muitos entregadores se sentem submetidos.
Os desafios que o Ifood enfrenta agora não são apenas sobre o seu negócio e como maximizar lucros; trata-se também de assumir a responsabilidade por seus trabalhadores e considerar como suas decisões moldam o futuro do trabalho na sociedade moderna. Cada ação que a empresa toma pode afetar diretamente a percepção pública e a situação financeira de milhares de pessoas que trabalham com o aplicativo. Com um futuro de incertezas à vista, os entregadores esperam que um diálogo mais aberto e justo surja, criando um espaço para discutir as preocupações legítimas que emergem desse novo modelo de negócio.
Fontes: UOL, Estadão, Folha de São Paulo
Detalhes
O Ifood é um dos principais aplicativos de entrega de alimentos no Brasil, fundado em 2011. A plataforma conecta consumidores a restaurantes e entregadores, permitindo que os usuários façam pedidos de forma prática e rápida. Com uma ampla gama de opções de restaurantes e um crescimento significativo ao longo dos anos, o Ifood se tornou uma referência no setor de delivery, mas também enfrenta críticas relacionadas às condições de trabalho de seus entregadores e à exploração de suas vulnerabilidades financeiras.
Resumo
No dia 30 de outubro de 2023, o Ifood, um dos principais aplicativos de entrega do Brasil, lançou anúncios de apostas na plataforma utilizada por entregadores, gerando polêmica e preocupações entre os trabalhadores. Os entregadores expressaram descontentamento com a adição de propagandas de jogos de azar, como as da marca iBet, que, segundo eles, agravam a pressão já existente por entregas e afetam suas finanças. Muitos relatam que, durante os intervalos entre as corridas, acabam jogando, o que os leva a um ciclo vicioso de gastos. Além disso, a situação levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas digitais em relação ao bem-estar dos trabalhadores. A crescente insatisfação sugere que a introdução desses anúncios pode refletir uma exploração das vulnerabilidades financeiras dos entregadores. Diante disso, muitos estão buscando soluções para bloquear as propagandas, enquanto o Ifood enfrenta pressão para implementar políticas que respeitem a segurança financeira de seus colaboradores e promovam um diálogo mais construtivo.
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