Goldman Sachs adota IA da Anthropic para contabilidade e conformidade

Goldman Sachs inicia uso do Claude, da Anthropic, visando automatizar processos contábeis, despertando críticas sobre a precisão e supervisão humana na área.

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06/02/2026, 17:32

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma cena futurística dentro de um escritório moderno, onde robôs estão ajudando humanos em tarefas de contabilidade e conformidade. Funcionários parecem confusos e um robô com um laptop exibe uma mensagem de erro, enquanto outro humano lê documentos com expressão intrigada. Balões de pensamento revelam incerteza sobre a eficácia da IA nas provas de conformidade fiscal, criando um contraste entre a animação da tecnologia e a seriedade do trabalho.

Em um movimento que está gerando discussões acaloradas entre profissionais de contabilidade e especialistas em tecnologia, o Goldman Sachs anunciou recentemente que adotará a inteligência artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic, em suas operações de automação contábil e de conformidade. Essa decisão reflete uma tendência crescente de empresas financeiras em integrar soluções de IA para melhorar eficiência e reduzir custos. Contudo, surgem questionamentos sobre a precisão dessa tecnologia na execução de funções críticas, como a contabilidade, onde erros podem levar a consequências legais e financeiras severas.

A contabilidade, como os críticos apontam, envolve uma série de regras complexas e é, em essência, uma disciplina que requer não apenas habilidades matemáticas, mas também entendimento do contexto econômico e regras interpretativas que podem não ser totalmente reproduzíveis por sistemas baseados em IA. Um comentarista no debate levantou o ponto de que, apesar da impressionante capacidade de processamento de dados dos sistemas de IA, esses ainda não conseguem interpretar nuances que muitas vezes surgem em situações contábeis. Isso levanta um alerta significativo sobre a potencial dependência excessiva dessas tecnologias, que podem falhar em áreas onde se esperaria uma decisão humana.

A complexidade dos padrões contábeis já é amplamente analisada e otimizável por programas de software específicos. No entanto, a introdução da IA como uma ferramenta substitutiva tem gerado a pergunta: se substituirá a supervisão humana ou se apenas mudará a natureza desse supervisão, transformando-a em uma atividade meramente reativa? Vários especialistas expressaram preocupação de que a IA, ao não ser adequadamente supervisionada, possa criar um ambiente de “sink de responsabilidade”, onde humanos poderiam ser considerados responsáveis por erros gerados por algoritmos. Em essência, a tecnologia está sendo vista como uma forma de delegar a responsabilidade, enquanto a humanização na supervisão poderia ser prejudicada.

Um ponto bastante abordado foi a necessidade de projetos de software mais eficazes antes de implementar IA para automatizar processos contábeis. Profissionais com experiência anterior na área de design de software de contabilidade notaram que muitas soluções em mercados atuais carecem de interface e eficiência, o que poderia ser abordado sem a necessidade de inteligência artificial. Especialistas defendem que um design melhor do software poderia resultar em melhorias significativas na eficiência do trabalho, sem os perigos associados à IA, que ainda não é capaz de julgar situações com a mesma precisão de um ser humano.

Por outro lado, a introdução da IA na contabilidade também é vista como uma oportunidade para transformar a função desta profissão, criando novos papéis focados mais no atendimento ao cliente do que na execução conta a conta. Alguns acreditam que isso pode forçar os trabalhadores a desenvolver habilidades sociais que se perderam em um mundo cada vez mais automatizado. No entanto, isso apenas aumenta a ansiedade entre os trabalhadores, que temem pela segurança de seus empregos em um setor em rápida transformação.

Enquanto alguns defendem que a IA pode facilitar tarefas mais repetitivas, outros alertam que essa mudança pode resultar em uma pressão considerável para que os humanos se mantenham em passo com o volume aumentante de informações e tarefas que a IA produz. Estudos anteriores indicam que empresas que adotaram soluções de IA sem uma metodologia apropriada de integração e formação de equipes muitas vezes viram uma queda na moral e na qualidade do trabalho realizado, além de um aumento da rotatividade de funcionários.

A implementação desta tecnologia pelo Banco de Investimento não é apenas uma visão futurista, mas um reflexo da pressão intensa que organizações como o Goldman Sachs sentem em um mercado competitivo e em rápida evolução. Enfrentando concorrência crescente da arte da automação, muitos na indústria estão observando atentamente como essa nova tendência se desenrola e se perguntam se a automação realmenta atenderá à promessa de maior eficiência, ou se se tornará uma fonte de complicações imprevistas.

À medida que a adesão à IA na contabilidade continua a aumentar, é vital que os líderes do setor assegurem que a tecnologia complemente suas operações, em vez de se tornar um fardo que possa comprometer os padrões de conformidade e a ética do setor. O desdobramento dessas mudanças e suas consequências ainda são incertos, mas é inegável que a interseção entre a contabilidade e a inteligência artificial está criando um novo panorama que todos na profissão devem considerar.

Fontes: The New York Times, Financial Times, MIT Technology Review

Detalhes

Goldman Sachs

O Goldman Sachs é um dos principais bancos de investimento e instituições financeiras do mundo, com sede em Nova York. Fundado em 1869, o banco oferece uma ampla gama de serviços, incluindo gestão de investimentos, serviços bancários de investimento e gestão de ativos. Reconhecido por sua influência no mercado financeiro global, o Goldman Sachs desempenha um papel importante na intermediação de grandes transações e na consultoria a empresas e governos.

Resumo

O Goldman Sachs anunciou a adoção da inteligência artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic, para automação contábil, gerando debates sobre a precisão e os riscos dessa tecnologia em funções críticas. Especialistas alertam que, apesar das capacidades de processamento de dados da IA, ela pode não captar nuances essenciais da contabilidade, levantando preocupações sobre a dependência excessiva de sistemas automatizados. A discussão inclui a possibilidade de a IA substituir a supervisão humana, criando um ambiente onde a responsabilidade pode ser diluída. Alguns profissionais defendem que melhorias no design de software contábil poderiam ser mais eficazes do que a implementação da IA. Embora a IA possa transformar a função contábil e criar novos papéis focados no atendimento ao cliente, há um aumento da ansiedade entre trabalhadores sobre a segurança de seus empregos. A pressão por eficiência em um mercado competitivo pode levar a consequências imprevistas, tornando essencial que a tecnologia complemente as operações contábeis sem comprometer a conformidade e a ética do setor.

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