25/02/2026, 17:29
Autor: Laura Mendes

A TV Globo está enfrentando um desafio significativo com sua mais recente novela das 19 horas, "Coração Acelerado", que se destacou pela temática centrada na música sertaneja. Apesar de ser um gênero musical que ressoa fortemente em várias regiões do Brasil, as últimas pesquisas indicam que o sertanejo não é bem aceito no Rio de Janeiro, um dos mercados mais importantes para a emissora. Essa situação gerou preocupação na alta cúpula da Globo, que está agora em busca de soluções para reverter a baixa audiência que a novela vem registrando na capital fluminense.
Os dados revelados sobre a baixa popularidade do sertanejo no Rio são alarmantes e demonstram uma desconexão entre o conteúdo da novela e os interesses do público local. Apesar de que o sertanejo é um sucesso em diversas partes do Brasil, especialmente em estados do Centro-Oeste e do Sudeste, como São Paulo e Goiás, ele não encontrou o mesmo acolhimento no Rio. Um levantamento feito pela emissora indicou que o sertanejo se posicionou apenas como o sétimo gênero musical favorito entre os cariocas, fato que levanta questões sobre a condução criativa da Globo na escolha de histórias para suas produções.
A emissora não parece ter levado em consideração essa informação crucial quando da aprovação do projeto. Como resultado, com a audiência em queda, a solução preliminar da Globo foi aumentar a quantidade de comerciais promovendo a novela, na esperança de cativar o interesse do público carioca. Além disso, a emissora descobriu que a vilã interpretada por Isabelle Drummond conquistou o coração dos espectadores, levando a planejamentos para alterações no enredo, que visam explorar mais essa personagem.
Os comentários da audiência refletem uma forte insatisfação não apenas com a prevalência do sertanejo na programação, mas também com a repetição de temas associados ao agronegócio nas novelas. Apesar de esforços da Globo em gerar conteúdo que atraia diversos públicos, muitos espectadores já expressaram que se sentem saturados de histórias que não ressoam com suas realidades, como é o caso de "Coração Acelerado".
Um dos comentários expressos sobre a situação relaciona o apelo popular do sertanejo universitário, que é considerado por muitos como uma versão menos autêntica e com menos mérito do gênero. Opiniões como essa evidenciam o descontentamento generalizado em grupos sociais que não se reconhecem na narrativa promovida pela emissora. Enquanto alguns defendem uma diversidade melhor na temática das novelas, outros sugerem que a Globo está se focando excessivamente em um público que não reflete a realidade cultural do Rio de Janeiro.
O descontentamento da audiência levanta um ponto interessante sobre as divisões culturais do Brasil, onde certas narrativas e músicas prevalecem em algumas regiões e são praticamente estranhas em outras. O sertanejo, associado à vida rural e ao agronegócio, encontra um espaço muito maior em estados como Goiás e Paraná, mas a sua introdução em uma metrópole como o Rio de Janeiro parece desconectar-se da realidade urbana e multicultural da cidade.
Dessa forma, a Globo se vê em uma posição complicada, tentando atingir um equilíbrio entre as preferências e a cultura de diferentes faixas do Brasil ao mesmo tempo em que se depara com seu público tradicional que está expressando frustração por não se ver refletido nas histórias contadas. Ao mesmo tempo, a emissora não pode ignorar que a televisão deve ser um reflexo da sociedade, e a alienação de uma parte significativa de sua audiência poderia ter consequências de longo alcance para suas futuras produções e para sua estratégia.
A novela "Coração Acelerado" serve como um exemplo de como a televisão deve se adaptar aos gostos e necessidades do público em constante mudança. O que se destaca é a urgência de um diálogo atualizado sobre a narrativa nas mídias brasileiras e a necessidade de um olhar mais atento às preferências culturais regionais. A Globo pode precisar não apenas de mais campanhas publicitárias, mas também de uma reconsideração profunda sobre o que realmente conecta sua audiência com suas produções.
Além disso, a natureza dinâmica da indústria do entretenimento exige que a emissora permaneça vigilante e responsiva às mudanças culturais que ocorrem no Brasil, assegurando que suas histórias sejam relevantes e engajadoras para um público cada vez mais diversificado. Portanto, o futuro de "Coração Acelerado" e, possivelmente, de outras produções, pode depender de quão bem a mídia será capaz de ouvir as vozes de seus telespectadores e ajustar seu conteúdo em resposta a essa dinâmica cultural em evolução.
Fontes: Folha de São Paulo, Época, UOL
Detalhes
A TV Globo é uma das maiores emissoras de televisão do Brasil, conhecida por sua programação diversificada que inclui novelas, programas de entretenimento, notícias e esportes. Fundada em 1965, a emissora tornou-se um ícone da cultura brasileira, influenciando a sociedade e a indústria do entretenimento no país. Com uma vasta audiência, a Globo tem enfrentado desafios recentes para se manter relevante em um cenário de mudanças nas preferências do público e na concorrência com plataformas digitais.
Resumo
A TV Globo enfrenta dificuldades com sua nova novela das 19 horas, "Coração Acelerado", que aborda a música sertaneja, um gênero que não ressoa bem no Rio de Janeiro. Pesquisas indicam que o sertanejo é apenas o sétimo gênero musical favorito entre os cariocas, gerando preocupações na emissora sobre a desconexão entre o conteúdo e os interesses do público local. Para tentar reverter a baixa audiência, a Globo aumentou a quantidade de comerciais da novela e planeja explorar mais a vilã interpretada por Isabelle Drummond, que conquistou os espectadores. Comentários da audiência revelam insatisfação com a repetição de temas relacionados ao agronegócio e a falta de identificação com as histórias apresentadas. A situação destaca a necessidade de a Globo adaptar suas produções às preferências culturais regionais, refletindo a diversidade do Brasil e evitando a alienação de seu público. O futuro da novela pode depender da capacidade da emissora de ouvir e responder às demandas de seus telespectadores.
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