05/03/2026, 16:16
Autor: Laura Mendes

Em um recente estudo que investiga as percepções da Geração Z sobre papéis de gênero e igualdade, dados alarmantes indicam que quase um terço dos homens jovens acredita que a esposa deve obedecer ao marido. Essa pesquisa, que abrange 29 países, incluindo Brasil, Estados Unidos e Reino Unido, sugere uma luta interna entre normas tradicionais e os anseios por uma sociedade mais igualitária.
Os resultados apontam que, apesar dos mesmos homens reconhecerem a atratividade em mulheres que conseguem equacionar uma carreira de sucesso e independência, 31% deles ainda retêm ideias conservadoras, como a expectativa de que a mulher não deve ser excessivamente independente ou autossuficiente. Essas equações complexas de crenças são reflexo da pressão social que esses jovens enfrentam.
Heejung Chung, diretora do Instituto Global de Liderança Feminina da King's Business School, destacou a discrepância entre as visões pessoais das pessoas e o que elas sentem que a sociedade espera delas. “Nossos dados revelam uma discrepância impressionante entre as visões pessoais das pessoas, que são muito mais progressistas, e o que elas imaginam que a sociedade exige delas. Essa discrepância é particularmente acentuada entre os homens da Geração Z.”
Comentários feitos em relação à pesquisa evidenciam uma discordância sobre as expectativas sociais atuais. Alguns observadores argumentam que é preocupante notar que, ao buscar respeitar as mulheres, muitos homens estão mais interessados em exercer poder do que celebrar a igualdade. Esse sentimento de controle acaba por compor uma imagem problemática de relacionamentos, que deveriam ser baseados no respeito mútuo e no carinho.
Enquanto os dados demonstram que a Geração Z possui a maior proporção de jovens discordando de normas tradicionais, os críticos afirmam que essa onda de progressismo não se originou exclusivamente nessa geração. Pesquisas anteriores mostram que tanto a Geração X quanto os Millennials também abrigam visões enviesadas, refletindo uma manutenção das ideias conservadoras no decorrer das décadas.
Outro aspecto intrigante da pesquisa é o fato de que a Geração Z, mesmo à medida que adota visões tradicionalmente mais progressistas sobre gendering, parece também coexistir com a expectativa de que as mulheres devem se comportar de maneira mais tradicional. Essa dualidade pode ser alimentada pelo que muitos denominam de polarização social, onde as interações online criam um espaço para amplificação de ideais, distorcendo a visão que os jovens têm de si mesmos e de suas interações no mundo real.
Ainda mais curioso é a observação de que, mesmo esses homens com padrões rígidos de masculinidade, percebem-se sob pressão. A pesquisa aponta que um número considerável acredita que os homens estão sendo esperados para fazer “demais” para apoiar a igualdade. Este reconhecimento contraditório de suas próprias experiências os posiciona em uma encruzilhada; muitos anseiam por quebra de normas em um mundo que afiança o contrário.
Dentro desse cenário, o impacto de fatores culturais diversificados não pode ser subestimado. Atitudes sobre igualdade de gênero e papéis tradicionais são frequentemente influenciadas por contextos culturais e sociais específicos. Portanto, quando se analisa o comportamento da Geração Z, é vital considerar como as tradições locais em torno de gênero se entrelaçam com os argumentos de mudança.
Além disso, a pesquisa sugere a necessidade de reavaliar a narrativa sobre o que significa ser homem ou mulher na sociedade contemporânea. As pressões contemporâneas não apenas trazem à tona os desafios enfrentados, mas também destacam o desejo de mudança que muitos jovens sustentam. Entre homens e mulheres Z, a luta por igualdade e compreensão parece estar mais viva do que nunca, exigindo um diálogo respeitoso e transformador que desafie normas.
A esperança é que, ao olharmos para o futuro, novas conversas e entendimentos possam emergir, promovendo uma base sólida para relacionamentos saudáveis. O desafio será mobilizar esses diálogos de forma eficaz, utilizando as ferramentas necessárias para moldar uma sociedade que valorize a equidade e o respeito em todas as suas interações, facilitando um espaço onde todos possam prosperar — não importa sua origem ou crença.
Ao entendermos o que os jovens pensam sobre questões de gênero e como essas opiniões mudam de acordo com fatores sociais e culturais, podemos gastar recursos na construção de um mundo que promove de fato a equidade — no trabalho, nas relações e em todas as esferas da vida. Com isso, surge a oportunidade de training no respeito mútuo, essencial para um futuro mais harmonioso e justo.
Fontes: The Guardian, King's Business School, Folha de São Paulo, BBC Brasil
Detalhes
Heejung Chung é uma acadêmica e diretora do Instituto Global de Liderança Feminina da King's Business School. Ela é reconhecida por suas pesquisas sobre liderança feminina e igualdade de gênero, abordando questões contemporâneas que afetam as dinâmicas de gênero no local de trabalho e na sociedade. Chung busca promover a compreensão e a mudança nas percepções sobre o papel das mulheres em posições de liderança.
Resumo
Um estudo recente sobre as percepções da Geração Z em relação a papéis de gênero e igualdade revelou dados alarmantes, indicando que quase um terço dos homens jovens acredita que a esposa deve obedecer ao marido. A pesquisa, realizada em 29 países, incluindo Brasil, Estados Unidos e Reino Unido, mostra uma luta interna entre normas tradicionais e o desejo por uma sociedade mais igualitária. Embora esses homens reconheçam a atratividade em mulheres que equilibram carreira e independência, 31% ainda mantêm ideias conservadoras sobre a independência feminina. Heejung Chung, diretora do Instituto Global de Liderança Feminina, destacou a discrepância entre as visões pessoais e as expectativas sociais. A pesquisa também revela que, apesar de um aumento no progressismo, muitos homens da Geração Z sentem pressão para apoiar a igualdade, refletindo uma dualidade nas expectativas de gênero. Além disso, fatores culturais influenciam essas atitudes, ressaltando a necessidade de reavaliar o que significa ser homem ou mulher na sociedade contemporânea. O estudo sugere que um diálogo respeitoso e transformador é essencial para promover relacionamentos saudáveis e uma sociedade mais equitativa.
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