Geógrafos do Brasil reconhecem a presença de montanhas no país

Um grupo de geógrafos e geólogos conclui que o Brasil possui montanhas e divulga novos estudos que reclassificam regiões antes consideradas apenas morros.

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02/04/2026, 12:25

Autor: Laura Mendes

Uma vista panorâmica deslumbrante da Serra da Mantiqueira, destacando suas encostas íngremes e formações rochosas. No fundo, o céu claro com algumas nuvens brancas dá um toque sereno à paisagem natural, enquanto a vegetação exuberante se espalha pelo solo, ressaltando a beleza das montanhas brasileiras. A imagem transmite a grandiosidade e a diversidade geológica do Brasil, contrastando as cadeias montanhosas com o vale abaixo, onde riachos e flores silvestres podem ser vistos em primeiro plano.

No dia 20 de outubro de 2023, um marco importante na geografia brasileira foi estabelecido. Um grupo de geógrafos e geólogos coordenado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chegou a um consenso que tem gerado amplas discussões nas redes sociais e entre especialistas: o Brasil tem, sim, montanhas. Esta reclassificação, promovida por meio de novos estudos e análises, afirma a existência de cadeias montanhosas em terras brasileiras, um tema que anteriormente gerava polêmica entre os especialistas. O IBGE se prepara para publicar um mapa detalhado que reunirá as montanhas do país, uma ferramenta que promete auxiliar no entendimento e valorização do nosso rico e diversificado patrimônio geológico.

Historicamente, o Brasil foi considerado um país sem montanhas em comparação a outras nações que detêm cadeias montanhosas imponentes, como os Alpes na Europa ou os Andes na América do Sul. Essa concepção estava ligada a critérios geomorfológicos que envolviam declividade e altitude relativa, levando a uma categorização que desmereceria a complexidade da geologia nacional. Atendendo à antiga visão predominante, muitos geógrafos sustentavam que nossa geologia era composta exclusivamente por morros e serras, sem a presença daquilo que tradicionalmente se considera montanha.

Os especialistas envolvidos nesta nova abordagem geológica afirmam que o Brasil de fato abriga diversas formações que se encaixam na definição científica de montanha. Utilizando os critérios geológicos de orogenia, que consideram os processos de formação e elevação do relevo, os profissionais argumentam que regiões como a Serra da Mantiqueira, Serra do Mar e a Serra da Canastra são exemplos claros de cadeias montanhosas. Para a maioria do público, isso poderia parecer uma simples mudança de nomenclatura. Contudo, o impacto das classificações geográficas vai além de terminologias, uma vez que reflete a forma como a sociedade percebe e valoriza o mundo natural ao seu redor.

Comentando sobre essa nova classificação, um geólogo destacou a importância de comunicar essas descobertas fora do ambiente acadêmico, enfatizando que é fundamental que a população compreenda a riqueza geológica do Brasil. Além disso, é relevante que os cientistas encontrem formas criativas de disseminar esse conhecimento para aqueles que não estão familiarizados com a leitura de referências bibliográficas. Isso se torna especialmente importante numa época em que as questões ambientais e a preservação dos nossos ecossistemas estão em pauta mundialmente.

Por outro lado, a reclassificação não vem sem controvérsias. Alguns especialistas criticaram a necessidade de rotular regiões detentoras de relevos elevados como montanhas, alertando que essa narrativa pode desmerecer a verdade sobre a diversidade geológica que o Brasil oferece. Para muitos, o valor das formações naturais não precisa ser validado por títulos como "montanha". A singularidade geológica do país é um fator que merece ser celebrado independentemente da nomenclatura atribuída a essas formações.

Além disso, os resultados dessa discussão vão além do estrito âmbito científico. As implicações sobre como as montanhas e as serras são percebidas afetam o comércio local, o turismo e até iniciativas de preservação ambiental que dependem do reconhecimento do valor dessas formações. Montanhas podem ser vistas não apenas como meras elevações de terreno, mas como elementos culturalmente significativos que atraem turistas, inspiram artistas e elevam o espírito de quem se encanta por suas belezas naturais.

Essa nova visão também vem como um convite à reflexão sobre como já vivemos e aprendemos a encarar a geografia do Brasil desde a formação de nossos conhecimentos até hoje. Ao revisitar conceitos antigos e estabelecer diálogos com práticas e saberes tradicionais, criamos um espaço mais amplo para a construção de um conhecimento geográfico que não apenas respeita, mas também valoriza as particularidades de nosso patrimônio natural.

Portanto, enquanto o Brasil avança para reconhecer formalmente suas montanhas, a discussão em torno da geografia nacional continua a se desenvolver. O IBGE, ao publicar o mapa das montanhas do Brasil, não só reafirma um novo entendimento geológico, mas também instiga um diálogo necessário sobre a nossa relação com a natureza e com as representações que damos aos nossos próprios ambientes.

Essa mudança, ainda que aparentemente técnica, possui um grande potencial de impactar como os brasileiros veem seu próprio país, estimulando um novo apreço e uma conexão mais significativa com o patrimônio natural em todas as suas formas.

Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Folha de São Paulo, O Globo

Detalhes

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O IBGE é uma instituição pública brasileira responsável pela produção e análise de informações estatísticas e geográficas. Criado em 1936, o IBGE desempenha um papel fundamental na coleta de dados sobre a população, economia e território do Brasil, sendo conhecido por realizar o Censo Demográfico a cada dez anos. Além disso, a instituição é responsável pela elaboração de mapas e estudos geográficos, contribuindo para o planejamento e desenvolvimento do país.

Resumo

No dia 20 de outubro de 2023, um grupo de geógrafos e geólogos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou a reclassificação do Brasil como um país que possui montanhas, um tema que gerou debates nas redes sociais e entre especialistas. A nova abordagem, baseada em estudos geológicos, reconhece cadeias montanhosas como a Serra da Mantiqueira, Serra do Mar e Serra da Canastra, desafiando a visão anterior que considerava o Brasil sem montanhas. Essa reclassificação visa não apenas atualizar a terminologia geográfica, mas também valorizar o patrimônio geológico do país. Especialistas ressaltam a importância de comunicar essas descobertas ao público, especialmente em um contexto de crescente preocupação com questões ambientais. No entanto, a mudança não é isenta de controvérsias, com alguns críticos argumentando que a nomenclatura não é necessária para reconhecer a diversidade geológica do Brasil. O IBGE se prepara para lançar um mapa das montanhas, promovendo um diálogo sobre a relação dos brasileiros com a natureza e seu patrimônio natural.

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