Fechamento do Estreito de Ormuz eleva a importância do gás canadense

O fechamento do Estreito de Ormuz limita o suprimento de energia para a Ásia, evidenciando a crescente relevância do GNL canadense como alternativa energética.

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20/03/2026, 21:04

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem vibrante de um navio petroleiro atravessando águas azuis do Pacífico, com montanhas ao fundo e um pôr do sol radiante. Navios de carga estão ancorados na costa, sugerindo um comércio energético em expansão, com terminais de GNL visíveis em um canto da imagem.

O recente fechamento do Estreito de Ormuz, uma importante via de navegação para o petróleo e o gás natural liquefeito (GNL), está tendo um impacto significativo na segurança energética da Ásia. Este estreito é crucial para o transporte de mais de 80% do petróleo bruto e do GNL destinado a mercados asiáticos, incluindo grandes consumidores como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Com a interrupção na passagem de cerca de 150 petroleiros e a declaração de força maior por parte dos produtores, o mercado viu uma reação acentuada, com o aumento dos índices de GNL em 39% em um único dia. Esta situação crítica obriga governos a adotar medidas de economia de energia, instigando a busca por soluções alternativas.

Nesse contexto, a infraestrutura energética do Pacífico do Canadá, com projetos como o GNL Canadá em Kitimat e a ampliação do oleoduto Trans Mountain, surge como uma potencial via de escape para compradores asiáticos, escapando dos riscos associados ao Estreito de Ormuz e a outras vulnerabilidades geopolíticas, como o Estreito de Malaca e o Mar do Sul da China. De acordo com análises do setor, a rota alternativa através do Pacífico permite o envio de remessas a terminais do Nordeste Asiático em até 11 dias e com custos reduzidos em comparação com as rotas pela Costa do Golfo dos EUA e o Canal do Panamá.

Além disso, o lançamento da Fase 2 do GNL Canadá e do GNL Ksi Lisims, previsto para início da década de 2030, promete aumentar significativamente a capacidade total de exportação de GNL do Canadá. Contudo, o desenvolvimento da infraestrutura adequada enfrenta desafios substanciais. A Colúmbia Britânica, por exemplo, tem resistência à construção de novos oleodutos e petroleiros em suas águas, o que complica os planos para expandir a exportação de combustíveis fósseis. Os oleodutos canadenses, atualmente, foram projetados para exportar principalmente para os EUA, o que limita a capacidade de atender à demanda crescente na Ásia.

Adicionalmente, as províncias canadenses têm lutado para chegar a um consenso sobre a construção de novo oleodutos e portos, uma vez que há profundas divisões sobre suas necessidades e prioridades. Mesmo que um acordo seja alcançado, as análises sugerem que levará anos, possivelmente uma década ou mais, até que a infraestrutura de exportação esteja em pleno funcionamento. Enquanto isso, o Canadá observa um crescimento acelerado na demanda por GNL na Ásia, devido à necessidade de diversificação das fontes de energia e à crescente importância de opções mais limpas durante a transição energética global.

A situação no Estreito de Ormuz ressalta não apenas os riscos associados à dependência de rotas de transporte energéticas vulneráveis, mas também a importância de estratégias de longo prazo para diversificar fontes de suprimento e mitigar riscos geopolíticos. O desempenho do GNL canadense nos próximos anos não apenas fará diferença na segurança energética da Ásia, mas também poderá ter um papel importante nas dinâmicas do mercado global de energia, à medida que o mundo continua a se adaptar a um cenário energético em transformação.

Facilitar a transição e ativar a infraestrutura necessária restará como um desafio essencial para o governo e as províncias canadenses que decidirão o futuro energético da nação nas próximas décadas. As soluções que emergirem de debates, planos e implementação de ações darão forma não apenas para o futuro energético do Canadá, mas também para o papel estratégico que o país poderá desempenhar como fornecedor essencial de energia em um cenário global cada vez mais volátil e em busca de segurança.

Fontes: The Globe and Mail, Financial Times, Agência Internacional de Energia

Resumo

O fechamento do Estreito de Ormuz, vital para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) para a Ásia, está impactando a segurança energética da região, afetando grandes consumidores como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Com a interrupção de cerca de 150 petroleiros e a declaração de força maior por parte dos produtores, os índices de GNL aumentaram 39% em um único dia. Em resposta, a infraestrutura energética do Pacífico do Canadá, incluindo projetos como o GNL Canadá e a ampliação do oleoduto Trans Mountain, emerge como uma alternativa viável. No entanto, a construção de novos oleodutos enfrenta resistência na Colúmbia Britânica e divisões entre as províncias sobre prioridades energéticas. Mesmo que um consenso seja alcançado, a implementação pode levar anos. A crescente demanda por GNL na Ásia e a necessidade de diversificação das fontes de energia destacam a importância de estratégias de longo prazo para mitigar riscos geopolíticos e garantir a segurança energética. O futuro energético do Canadá está em jogo, com potencial para se tornar um fornecedor essencial em um mercado global em transformação.

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