06/02/2026, 17:25
Autor: Ricardo Vasconcelos

A descoberta de que insider trading pode oferecer uma vantagem significativa no mercado de ações voltou a ser discutida por estrategistas financeiros, que defendem que, quando insiders compram ações de suas próprias empresas, isso pode ser um sinal forte de que a ação está subvalorizada. Esse fenômeno, conhecido como "négócio interno", resulta da percepção de que aqueles que detêm informações privilegiadas sobre a performance futura de uma empresa têm uma vantagem informativa única. Diante disso, várias metodologias têm sido propostas para identificar essas oportunidades e maximizar os retornos financeiros.
Um dos comentários mais frequentes é sobre a análise de small caps. A associação é consistente: enquanto grandes empresas, conhecidas como “blue chips”, frequentemente atraem algoritmos e instituições, as small caps, com valor de mercado abaixo de US$ 500 milhões, geralmente ficam fora do radar dos grandes investidores. Contudo, essa ausência de atenção pode representar uma oportunidade de investimento interessante, desde que o investidor tenha acesso aos dados corretos e consiga identificar quais insiders estão comprando suas próprias ações.
Dentre os critérios propostos para avaliar essas oportunidades, destaca-se o fator da materialidade. Segundo as estratégias discutidas, a compra deve representar uma parte significativa do patrimônio líquido do insider, com transações superiores a US$ 1 milhão e que aumentem sua posição em mais de 10%. Essa abordagem é fundamentada na premissa de que um insider que investe de forma significativa em sua própria empresa tem informações que indicam um positivo retorno futuro. Assim, os investidores são incentivados a seguir essas transações como uma bússola para suas decisões.
Além disso, a assimetria de informação é um componente crítico na avaliação. A estratégia aponta que as melhores oportunidades surgem em setores como biotecnologia e mineração de ouro, onde insiders geralmente possuem dados que não são acessíveis ao público geral. Por exemplo, em biotecnologia, um insider pode antecipar resultados positivos de testes clínicos, enquanto em mineração, novas descobertas de jazidas podem não ser imediatamente reveladas ao mercado.
Investidores, portanto, têm a opção de extrair dados de insider trading de relatórios disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (SEC), mas nem todos dispõem do tempo ou da habilidade para fazê-lo manualmente. Por essa razão, há uma crescente demanda por plataformas que automatizem essa análise.
Recentemente, uma proposta interessante ganhou popularidade: a ideia de utilizar ETFs geridos ativamente, como o COPY, que seleciona ativamente ações com empresários que compram ações. Este ETF, em particular, já demonstrou um crescimento de 40% desde seu lançamento, superando o desempenho do S&P 500. Essa abordagem não apenas proporciona diversificação, mas também permite que os investidores se beneficiem da expertise de gestores que monitoram essas negociações de insiders.
Com tantas abordagens disponíveis, fica claro que o acompanhamento contínuo de negociações internas e a utilização de estratégias fundamentadas podem ser um diferencial considerável na busca de rentabilidade em um mercado que, muitas vezes, parece volátil e incerto. No entanto, essa prática ainda encontra resistência entre investidores menos experientes, que podem se sentir cautelosos diante de ofertas de investimento supostamente baseadas em informações privilegiadas.
No âmago dessa discussão está a transversalidade entre ética e investimento. Enquanto muitos reconhecem que informações de insiders podem potencialmente deslocar o equilíbrio do mercado, outros acreditam que isso faz parte do jogo de cada investidor. A questão que ela levanta é: até que ponto um investidor pode ou deve se apropriar dessas informações inigualáveis?
Em meio a esse debate, a pesquisa e o levantamento de dados precisos tornam-se indispensáveis. A necessidade de criar plataformas ou sistemas que forneçam de maneira mais acessível essas informações pode abrir novas portas para investidores ávidos por segurança e rentabilidade.
Portanto, enquanto se continua a observar essas dinâmicas em evolução, fica claro que, mais que um simples reflexo da compra interna, as negociações internas representam um espaço crucial para investidores que buscam maximizar seus ativos. A sabedoria popular pode, de fato, se confirmar: quando aqueles que sabem algo compram suas ações, talvez seja a hora de os demais ficarem atentos.
Fontes: Exame, Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg
Detalhes
O COPY é um ETF (fundo negociado em bolsa) que se destaca por sua estratégia de investimento ativa, focando em ações de empresas cujos insiders estão comprando ações. Desde seu lançamento, o COPY demonstrou um crescimento significativo, superando o desempenho do S&P 500 em 40%. Essa abordagem permite que os investidores se beneficiem da experiência de gestores que monitoram as negociações de insiders, proporcionando tanto diversificação quanto potencial de rentabilidade.
Resumo
A discussão sobre insider trading e suas vantagens no mercado de ações voltou a ganhar destaque entre estrategistas financeiros. A prática, que envolve a compra de ações por insiders de suas próprias empresas, é vista como um sinal de que a ação pode estar subvalorizada. Especialistas sugerem que a análise de small caps, empresas com valor de mercado abaixo de US$ 500 milhões, pode revelar oportunidades de investimento, já que frequentemente ficam fora do radar de grandes investidores. A compra significativa de ações por insiders, especialmente em setores como biotecnologia e mineração, é considerada um indicativo de informações privilegiadas que podem resultar em retornos positivos. A crescente demanda por plataformas que automatizem a análise de insider trading reflete a dificuldade que muitos investidores têm em acessar esses dados. Além disso, ETFs geridos ativamente, como o COPY, que foca em ações com compras de insiders, têm mostrado desempenho superior ao S&P 500. No entanto, a ética em torno do uso de informações privilegiadas continua a ser um tema controverso entre investidores.
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