EUA vota contra resolução da ONU sobre escravidão e reparações

A Assembleia Geral da ONU aprovou resolução sobre escravidão, mas EUA se opõe e pede reflexão sobre implicações históricas e jurídicas.

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26/03/2026, 14:13

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem impactante que retrata uma balança de justiça com um lado pesado carregando correntes e grilhões, simbolizando a escravidão, enquanto o outro lado é um símbolo de liberdade como uma pomba branca. Ao fundo, uma representação diversa de pessoas com expressões de indignação e esperança, refletindo as consequências históricas da escravidão.

Na quarta-feira, 25 de outubro de 2023, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução que classifica o tráfico de africanos escravizados como "o crime mais grave contra a humanidade" e propõe reparações como uma maneira de corrigir injustiças históricas. A votação foi bastante expressiva, com 123 votos a favor, 3 contra e 52 abstenções. Os Estados Unidos, junto com a Argentina e Israel, foram os únicos países a votar contra a medida, enquanto diversos países da Europa e o Reino Unido optaram por se abster da votação.

O embaixador adjunto dos EUA, Dan Negrea, elaborou as razões para essa oposição, afirmando que os Estados Unidos não reconhecem um direito legal a reparações por injustiças que não eram ilegais de acordo com a legislação internacional vigente na época em que ocorreram. Ele também expressou a preocupação de que a resolução tentasse hierarquizar crimes contra a humanidade, o que, segundo ele, poderia diminuir o impacto sobre as vítimas de outros crimes atrozes ao longo da história.

O conteúdo da resolução suscita um importante debate sobre como a história da escravidão deve ser abordada e a responsabilidade moral de países que, como os Estados Unidos, têm uma trajetória marcada por injustiças raciais e desigualdades. Em 2021, estatísticas alarmantes indicavam que cerca de 1,1 milhão de pessoas estavam em situação de escravidão nos Estados Unidos, colocando o país entre as nações com maior número de escravizados. Isso é ainda mais impactante considerando que a 13ª Emenda à Constituição dos EUA permite a escravidão como forma de punição para crimes. Essa complexidade legal frequentemente leva a uma série de questões éticas que permeiam a discussão sobre reparações.

Comentários a respeito da votação evidenciam uma variedade de perspectivas. Alguns críticos argumentam que a resolução é excessivamente focada nas experiências africanas, deixando de lado outras formas de escravidão que persistem globalmente. Outros, no entanto, enfatizam a necessidade de um reconhecimento formal da escravidão como um crime contra a humanidade, sugerindo que a abordagem da resolução poderia ter sido mais abrangente.

Ademais, a questão das reparações vem à tona, levantando a dúvida sobre quem seria realmente responsável por compensar as injustiças do passado. Uma opinião frequente entre os que se opõem à ideia de reparações é que a responsabilidade não pode recair apenas sobre os descendentes de pessoas que, em algum momento, participaram do comércio de escravos. Isto levanta discussões éticas sobre até que ponto essas compensações são viáveis e justas e se elas realmente levariam a uma reparação completa das injustiças históricas.

A decisão dos EUA em votar contra a resolução pode ser vista sob a luz de um espectro mais amplo de política interna e externa, onde a questão racial e histórica continua a criar divisões profundas. O argumento de que as reparações colocariam um ônus indevido sobre os cidadãos modernos de países ocidentais é frequentemente utilizado, levando certas nações a manterem uma posição conservadora em relação ao reconhecimento e reparação de injustiças históricas.

A discussão acerca da escravidão, tanto no contexto da ONU quanto nas interações culturais e políticas atuais, sublinha a necessidade de um diálogo mais amplo sobre os legados do passado e como esses ecos ainda afetam as sociedades contemporâneas. Assim, a votação não apenas reflete uma posição política, mas também as dificuldades em abordar um tema que continua a gerar repercussões nas relações sociais e internacionais.

O desfecho dessa resolução e suas implicações ainda serão debatidos pelo mundo, especialmente entre aqueles que veem essa questão como uma oportunidade de finalmente dar voz às injustiças históricas, enquanto outros permanecem apreensivos sobre as repercussões de tal reconhecimento e suas consequências práticas. O mundo aguarda as reações dos Estados membros da ONU e as políticas que poderão surgir a partir desse novo capítulo na luta contra a escravidão e pela justiça histórica.

Fontes: The Guardian, BBC News, Al Jazeera, Reuters

Resumo

Na quarta-feira, 25 de outubro de 2023, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que classifica o tráfico de africanos escravizados como "o crime mais grave contra a humanidade" e sugere reparações para corrigir injustiças históricas. A votação teve 123 votos a favor, 3 contra e 52 abstenções, com os Estados Unidos, Argentina e Israel se opondo. O embaixador adjunto dos EUA, Dan Negrea, justificou a posição contrária, afirmando que não reconhecem um direito legal a reparações para injustiças que não eram ilegais na época. A resolução levanta um debate sobre a responsabilidade moral dos países, especialmente os EUA, que têm um histórico de desigualdades raciais. Em 2021, cerca de 1,1 milhão de pessoas estavam em situação de escravidão nos EUA, complicando a discussão sobre reparações. Críticos apontam que a resolução foca excessivamente nas experiências africanas, enquanto defensores clamam por um reconhecimento formal da escravidão como crime. A decisão dos EUA reflete divisões profundas sobre questões raciais e históricas, e a discussão continua a gerar repercussões nas relações sociais e internacionais.

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