EUA intervêm militarmente e pressiona América Latina para afastar China

Confronto geopolítico na América Latina se intensifica com a intervenção militar dos EUA, colocando em xeque as relações comerciais com a China.

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17/01/2026, 11:52

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem impactante do presidente Nicolás Maduro em uma tabela de negociações com representantes da China, mostrando expressões tensas e as bandeiras dos países ao fundo, enquanto sombras de forças militares americanas se projetam ominosamente. O cenário destaca o clima de incerteza e manipulação geopolítica na América Latina.

A recente intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina marca um ponto de inflexão nas relações geopolíticas da região e acentua a crescente influência da China em países historicamente alinhados com Washington. A operação, considerada por especialistas como um dos maiores desafios à soberania dos países sul-americanos em mais de 200 anos, teve como epicentro a Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro se encontrou, poucas horas antes de ser sequestrado por forças especiais americanas, com o embaixador chinês para a América Latina, Qui Xiaoqi. Essa situação irrompe em um período já conturbado, onde as tensões entre as duas potências globais estão em constante evolução.

Os comentários em torno desse evento miram em questões centrais, como o futuro das relações comerciais entre a América Latina e a China em um contexto onde os EUA impõem pressões militares e econômicas. O advogado e especialista em relações internacionais Jorge Heine comentou que a política americana, ao adotar uma "linha dura", não apenas se distancia dos valores da Doutrina Monroe, mas também substitui a diplomacia por ações assertivas que causam repercussões estruturais na dinâmica regional. O fato é que, enquanto os EUA se envolvem em ações militares, a China parece estar capitalizando sobre a incerteza, mostrando tanto eficácia em suas operações diplomáticas quanto na construção de laços comerciais na região.

Um dos pontos notáveis desta nova estratégia do governo dos EUA é a resposta internacional ao que muitos consideram uma operação emergencial mal calculada. O ataque em solo venezuelano não pode ser visto como um evento isolado, mas sim como parte de uma narrativa maior que posiciona o país dentro da disputa de hegemonia entre os EUA e a China. A operação teve como consequência não apenas destruição e perda de vidas, mas também um redesenho das alianças e parcerias no continente.

A "Operação Resolve Absoluta", como foi chamada, provocou uma onda de condenação internacional e uma crescente solidariedade entre os países latino-americanos que podem ver seu comércio, sua soberania e suas relações econômicas ameaçadas. Fala-se até que a estratégia americana em relação à Venezuela tem um efeito inverso ao pretendido, afastando os países da esfera de influência americana, enquanto aumentam as oportunidades para a China se inserir ainda mais na economia local.

Javier Milei, o recém-eleito presidente da Argentina, que havia prometido cortar laços comerciais com a China, parece agora reconsiderar sua postura. Neste sentido, Milei reconheceu, em seus primeiros discursos após a vitória, a importância do comércio estável e pragmático, ao invés de uma abordagem ideológica, o que reflete um fator decisivo ao apontar que a estabilidade econômica é prioridade para a maioria dos países. Com isso, ele se junta a vozes de líderes de países como a Coreia do Sul e o Canadá, que também estão buscando estreitar laços comerciais com a China, reforçando a ideia de que os países latino-americanos estão priorizando a realização de acordos que tragam benefícios tangíveis para seus cidadãos, mesmo que os Estados Unidos não vejam essa aliança como favorável.

A diplomacia praticada por Pequim se mostrou resiliente, mesmo após sua aparente surpresa com os eventos que se desenrolaram na Venezuela. O embaixador Qui Xiaoqi, por sua vez, tem se posicionado tanto como defensor da soberania da Venezuela quanto um mediador nas relações complexas entre os Estados Unidos e os países da América Latina. A insistência da China em manter diálogos e oferecer suporte, mesmo nas adversidades, demonstra que, apesar da intervenção militar, a posição chinesa na América Latina está longe de ser precária. Ao contrário, a situação pode reafirmar a força da China como aliada em tempos de crise e suas táticas de se imiscuir nas economias locais.

O futuro das relações envolvendo os Estados Unidos e a América Latina parece cada vez mais incerto. A mudança nas dinâmicas de poder pode gerar consequências profundas na estrutura econômica e política da região. Uma nova ordem pode estar se delineando, onde os países podem optar por adotar um modelo mais pluralista em termos de acordos comerciais, buscando estabilidade em meio a um cenário global tumultuado. O fenômeno da "volatilidade menos ideológica", conforme descreveu um dos analistas, pode possibilitar a emergente multipolaridade no cenário geopolítico.

À medida que a América Latina observa esses desdobramentos, o que se intensifica é a disputa pela lealdade de seus países entre duas superpotências. Com a perspectiva de mudanças nos equilíbrios de poder, o futuro já não parece ser tão linear, e a região pode emergir como um campo de batalha crucial entre EUA e China, mas também como um potencial marco de colaboração e novas parcerias estratégicas que beneficiem as nações latinas contra as incertezas que o futuro promete.

Fontes: Bloomberg News, Folha de São Paulo, The Guardian

Detalhes

Nicolás Maduro

Nicolás Maduro é o atual presidente da Venezuela, assumindo o cargo em 2013 após a morte de Hugo Chávez. Maduro tem enfrentado críticas internas e externas por sua gestão e por crises econômicas e humanitárias no país. Ele é uma figura polarizadora, defendendo políticas socialistas e mantendo uma postura firme contra a intervenção estrangeira, especialmente dos Estados Unidos.

Qui Xiaoqi

Qui Xiaoqi é o embaixador da China na América Latina, conhecido por seu papel em fortalecer as relações entre a China e os países latino-americanos. Ele tem defendido a soberania das nações da região e atuado como mediador nas complexas relações entre os Estados Unidos e a América Latina, buscando expandir a influência econômica da China.

Javier Milei

Javier Milei é um economista e político argentino, eleito presidente da Argentina em 2023. Conhecido por suas opiniões libertárias e críticas ao intervencionismo estatal, Milei prometeu reformas econômicas radicais. No entanto, após sua eleição, ele começou a reconsiderar sua postura em relação ao comércio com a China, enfatizando a importância de um comércio estável e pragmático para a economia argentina.

Resumo

A recente intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina representa uma mudança significativa nas relações geopolíticas da região, especialmente em relação à crescente influência da China. O foco da operação foi a Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro se encontrou com o embaixador chinês, Qui Xiaoqi, horas antes de ser sequestrado por forças americanas. Especialistas afirmam que essa ação militar, a maior em mais de 200 anos, desafia a soberania dos países sul-americanos e altera a dinâmica de poder na região. O advogado Jorge Heine criticou a política americana, que se distancia da diplomacia tradicional e pode afastar os países latino-americanos da esfera de influência dos EUA, favorecendo a China. A "Operação Resolve Absoluta" gerou condenação internacional e solidariedade entre os países da América Latina, que buscam preservar sua soberania e interesses econômicos. O novo presidente argentino, Javier Milei, que prometeu cortar laços com a China, agora parece reconsiderar sua posição em favor de uma abordagem mais pragmática. A diplomacia chinesa, liderada por Qui Xiaoqi, continua a se mostrar resiliente, enquanto a região se prepara para um futuro incerto em meio a uma disputa crescente entre as superpotências.

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