17/02/2026, 19:04
Autor: Felipe Rocha

As crescentes tensões entre Etiópia e Eritreia estão alarmando a comunidade internacional, uma vez que os dois países mobilizam seus exércitos em resposta a uma série de provocativas declarações e ações por ambas as partes. O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, tem enfatizado a necessidade de garantir acesso ao porto de Assab, um ponto estratégico no Mar Vermelho, enquanto denuncia o apoio da Eritreia a grupos rebeldes dentro de seu próprio território. Esse cenário já gera receios sobre a possibilidade de um conflito em larga escala no Chifre da África, uma região marcada historicamente por guerrilhas e guerras por procuração.
As relações entre Etiópia e Eritreia já foram desgastadas no passado, mas um acordo de paz assinado em 2018 trouxe um breve período de esperança. Abiy Ahmed, que foi premiado com o Prêmio Nobel da Paz devido a esses esforços, agora se vê em uma posição delicada, com a recente rejeição dos termos de paz e um ressurgimento das tensões. Com as forças eritreas respaldando rebeldes na Etiópia, o governo de Abiy Ahmed agora vê a necessidade urgente de neutralizar essa ameaça, mesmo que isso signifique sacrificar vidas e recursos.
De acordo com analistas, a movimentação militar da Etiópia parece ser uma resposta direta à ameaçadora retórica do governo eritreo e ao apoio que este tem dado a grupos insurgentes, como os da Frente de Libertação Popular de Tigré (TPLF). Por outro lado, as ambições territoriais da Etiópia em relação ao seu acesso marítimo são compreendidas como um fator crucial que poderia determinar o caminho de qualquer potencial conflito. As limitações de acesso ao mar, especialmente no que diz respeito ao comércio e à modernização, deixam o país em uma posição vulnerável, e é essa vulnerabilidade que tem alimentado a ideia de que uma guerra pode ser iminente.
As questões de direitos humanos não podem ser negligenciadas nesse contexto. Eritreia é frequentemente descrita como um dos regimes mais opressivos do mundo, e seu exército é notório pelas condições a que seus soldados são submetidos. De fato, a Eritreia opera com uma política de recrutamento forçado, levando muitos cidadãos a se tornarem soldados sem qualquer opção de saída. Esse panorama resulta em uma situação complexa, onde a possibilidade de uma guerra não representa apenas números em um conflito territorial, mas vidas de pessoas que já estão sob opressão em seu cotidiano.
Emergem preocupações de que se a guerra eclodir, a situação não será apenas um simples embate militar entre duas nações, mas uma guerra que poderá arrastar potências regionais e internacionais. Os países da região, como Egito, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, já têm um histórico de envolvimento em conflitos africanos e podem acabar se metendo novamente em uma guerra por procuração. Essa possível dinâmica regional poderia agravar ainda mais a crise humanitária, que já é crítica em diversos locais do continente africano.
Outro ponto crítico levantado por analistas é a clara insatisfação da população etíope com a situação atual. Muitos cidadãos veem Abiy Ahmed de forma negativa por suas decisões que, segundo críticas, têm resultado em mais sofrimento e caos do que em paz. Em vez de trabalhar na estabilidade interna do país e melhorar as condições de vida, a percepção é de que o governo está mais focado em buscar soluções militares. O sentimento anti-guerra é forte entre muitos jovens etíopes, que lamentam a possibilidade de seus compatriotas serem enviados para a linha de frente novamente, resultando em uma nova onda de mortes e destruição.
As ações concretas por parte da comunidade internacional são urgentemente solicitadas. Historicamente, muitas crises na África do Oriente têm sido negligenciadas até que se tornem irreversíveis. O silêncio ou a inação internacional neste caso pode resultar em uma catástrofe humanitária. Organizações humanitárias estão pedindo à ONU que intervenha antes que a situação desande ainda mais, enfatizando que facilitar diálogos de paz, e não ações militares, deve ser a prioridade.
À medida que o drama na região se intensifica, a situação permanece em queda livre, à espera de uma solução que não só invista em um cessar-fogo, mas que também aborde as profundas desigualdades e tensões que existem na região há anos. O mundo observa, mas a pergunta crítica permanece: será que a paz pode prevalecer em um lugar onde as feridas do passado ainda estão abertas?
Fontes: BBC, Al Jazeera, The Guardian
Resumo
As tensões entre Etiópia e Eritreia estão crescendo, alarmando a comunidade internacional, com ambos os países mobilizando suas forças armadas. O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, destaca a importância do acesso ao porto de Assab e critica o apoio da Eritreia a grupos rebeldes. Embora um acordo de paz em 2018 tenha trazido esperança, a rejeição recente dos termos de paz e o ressurgimento das hostilidades geram preocupações sobre um potencial conflito em larga escala no Chifre da África. Analistas apontam que a movimentação militar da Etiópia é uma resposta à retórica do governo eritreo e ao suporte a insurgentes, como a Frente de Libertação Popular de Tigré (TPLF). As questões de direitos humanos são críticas, com a Eritreia sendo considerada um regime opressivo, e a possibilidade de guerra pode arrastar potências regionais. A insatisfação popular na Etiópia com a gestão de Abiy Ahmed é evidente, e há um forte sentimento anti-guerra entre os jovens. Organizações humanitárias pedem ação da ONU para evitar uma catástrofe humanitária, enfatizando a necessidade de diálogos de paz.
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