Estudo revela que crianças começam a mentir aos 10 meses

Pesquisa da Universidade de Bristol confirma que crianças desenvolvem habilidades de desonestidade antes dos três anos, desafiando percepções comuns sobre honestidade infantil.

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25/03/2026, 08:08

Autor: Laura Mendes

Uma ilustração de um grupo de crianças brincando em um parque. No centro, uma criança sorri astutamente enquanto as outras estão distraídas. Ao fundo, um pai observa, rindo de uma situação cômica onde uma criança tenta enganar outra. Elementos de natureza vibrante e um céu ensolarado, transmitindo um sentimento alegre e divertido.

Recentemente, um estudo publicado na revista "Cognitive Development", conduzido por pesquisadores da Universidade de Bristol, revelou descobertas intrigantes sobre o desenvolvimento da desonestidade em crianças. Segundo a pesquisa, cerca de um quarto das crianças começa a entender a natureza da mentira e da desonestidade aos 10 meses de idade. Esse percentual aumenta para cerca de 50% aos 17 meses e, por volta dos 3 anos, as crianças se tornam significativamente mais competentes e criativas na arte de mentir.

Essas informações podem surpreender muitos, especialmente pais que acreditam que a honestidade é uma qualidade inata e que as crianças pequenas não têm capacidade para mentir. No entanto, os resultados da pesquisa sugerem que a habilidade de enganar é uma parte do desenvolvimento infantil que começa bem mais cedo do que muitos imaginam. A equipe de pesquisadores examinou o comportamento de diversas crianças e notou que a capacidade de mentir está ligada a fatores como a complexidade da situação e o ambiente social em que a criança está inserida. Esse conhecimento não só amplia nossa compreensão sobre a psicologia do desenvolvimento, mas também coloca em questão as noções compreendidas sobre a inocência infantil.

O estudo chama a atenção para o fenômeno que muitos pais já começam a observar em seus filhos pequenos: as tentativas de manipular as situações para conseguir o que querem. Um dos comentários compartilhados sobre o estudo destaca que, mesmo que crianças muito pequenas possam parecer ingênuas, elas têm a capacidade de reconhecer quando é mais vantajoso mentir, mesmo que suas tentativas ainda sejam ineficazes.

Pesquisadores notaram que as crianças frequentemente copiam o comportamento dos adultos ao seu redor, o que implica que os atos de desonestidade podem ser aprendidos e reforçados socialmente. Este aspecto do aprendizado social é crucial, pois reflete o que as crianças veem em suas interações diárias. Se a mentira é uma prática comum entre adultos — seja em pequenas conversas sociais ou em situações mais sérias — é natural que as crianças, observadoras e curiosas, absorvam e reproduzam esses comportamentos.

Comentários reveladores de pais indicam que muitos perceberam que seus filhos começaram a testar limites e experimentar com a desonestidade logo após seus primeiros aniversários. Um pai compartilhou que sua filha de dois anos tentava esconder a verdade enquanto pedia algo que queria. Essas interações ressaltam a complexidade do comportamento infantil, que muitas vezes é mal interpretado como inocência pura, quando na realidade é parte de um aprendizado evolutivo sobre a comunicação e a socialização.

Além disso, a pesquisa abre espaço para discussões sobre a abordagem que os pais devem ter em relação a esse comportamento emergente. Ao invés de simplesmente reprimirem ou ignorarem os pequenos atos de desonestidade, os pais são incentivados a educar e guiar seus filhos sobre a honestidade e a moralidade. A forma como as crianças lidam com a verdade e a mentira menciona um processo de aprendizado em que a comunicação honesta deve ser cultivada desde cedo, para que os valores e as expectativas em relação ao comportamento estejam claros.

Ainda há espaço para considerar que a habilidade de mentir não é necessariamente negativa. Algumas pesquisas apontam que, conforme as crianças crescem, elas podem usar essa habilidade de maneira criativa para resolver problemas, melhorar a interação social ou até mesmo desenvolver empatia, ao considerar os sentimentos dos outros antes de agir.

Ao longo dos anos, a psicologia infantil tem sido palco de estudos variados, e a compreensão das habilidades sociais e cognitivas continua a evoluir. É crucial que pais, educadores e profissionais da saúde mental estejam cientes de como essas dinâmicas funcionam, para que possam oferecer a melhor orientação possível para as crianças e seus comportamentos em desenvolvimento. O impacto de se entender que uma criança pode começar a mentir muito antes do que se pensava convencionalmente nos ajudará a moldar abordagens educacionais mais efetivas e empáticas, de modo a fomentar cidadãos mais honestos e benevolentes no futuro.

Esses achados também suscitam reflexões sobre o tipo de ambiente que os adultos devem criar para incentivar a honestidade enquanto acolhem a curiosidade e a experimentação natural dos filhos. Proporcionar um espaço seguro onde as crianças possam aprender sobre consequências e moralidade, com apoio e amor, será decisivo para que elas desenvolvam não apenas habilidades de interação efetivas, mas também caráter.

Assim, o estudo não só fornece dados fascinantes sobre o desenvolvimento infantil, mas também lança luz sobre a responsabilidade que temos como sociedade em guiar as futuras gerações em suas jornadas de crescimento e aprendizado.

Fontes: Universidade de Bristol, Cognitive Development, estudos sobre desenvolvimento infantil

Resumo

Um estudo da Universidade de Bristol, publicado na revista "Cognitive Development", revelou que a compreensão da desonestidade em crianças começa muito antes do que se imaginava. A pesquisa indica que cerca de 25% das crianças entendem a natureza da mentira aos 10 meses, aumentando para 50% aos 17 meses, e, por volta dos 3 anos, elas se tornam mais criativas na arte de mentir. Esses achados desafiam a ideia de que a honestidade é uma qualidade inata, mostrando que a habilidade de enganar se desenvolve em um contexto social e é influenciada pelo comportamento dos adultos ao redor. Pais observaram que seus filhos começam a testar limites e experimentar com a desonestidade logo após os primeiros aniversários. A pesquisa sugere que, em vez de reprimir esses comportamentos, os pais devem educar as crianças sobre honestidade e moralidade. Além disso, a habilidade de mentir pode ser usada de forma criativa e empática à medida que as crianças crescem. O estudo destaca a importância de um ambiente que incentive a honestidade e a aprendizagem sobre consequências, moldando cidadãos mais éticos no futuro.

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