27/04/2026, 22:15
Autor: Laura Mendes

Um recente estudo elaborado pelo Centro para a Política Econômica e Pesquisa (CEPR) revela dados alarmantes sobre a mortalidade infantil em Cuba. O relatório, que conta com a contribuição dos pesquisadores Alexander Main, Joe Sammut, Mark Weisbrot e Guillaume Long, destaca um aumento de 148% na taxa de mortalidade infantil (IMR) de 2018 a 2025. De acordo com a pesquisa, se a IMR tivesse permanecido inalterada desde 2018, cerca de 1.800 vidas de bebês poderiam ter sido poupadas. Os pesquisadores atribuem esse aumento ao rígido embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, especialmente durante a administração do ex-presidente Donald Trump.
O bloqueio econômico a Cuba, que começou na década de 1960, foi intensificado com a administração Trump, que implementou a denominada "campanha de máxima pressão". As consequências dessas ações têm sido devastadoras para a população cubana, especialmente para os grupos mais vulneráveis, como gestantes e recém-nascidos. Além da escassez de alimentos e medicamentos, a saúde pública em Cuba enfrentou desafios sem precedentes que acentuaram a mortalidade infantil.
Segundo o estudo do CEPR, a combinação do embargo e a pandemia de Covid-19, que agravou ainda mais as condições de vida, foram determinantes para o aumento tragicamente elevado na mortalidade infantil na ilha. Apesar do desespero refletido nas estatísticas, a situação de saúde pública de Cuba historicamente é reconhecida mundialmente, principalmente por seus altos índices de vacinação e programas de saúde preventiva. No entanto, o embargo tem severamente limitado a capacidade do país de importar equipamentos e insumos médicos essenciais.
Além do aumento da mortalidade infantil, o relatório indica que a falta de medicamentos e o estreitamento da assistência médica são fatores diretos que têm contribuído para a deterioração do estado de saúde da população. Durante anos, Cuba tem lutado com dificuldades em garantir o acesso a tratamentos médicos básicos devido ao bloqueio, o que não foi diferente na pandemia da Covid-19. Os hospitais cubanos enfrentaram pressões extraordinárias, tendo que lidar com o crescimento do número de casos e com a falta de insumos essenciais.
Um aspecto particularmente preocupante do relatório é a afirmação de que a mortalidade infantil em Cuba não se trata apenas de uma questão de estatísticas, mas reflete o sofrimento humano real. A história de centenas de famílias que enfrentam a perda de seus bebês deve servir como um chamado à ação, tanto para os decisores políticos quanto para a sociedade civil ao redor do mundo. A crescente taxa de mortalidade infantis desafia o discurso da política externa dos Estados Unidos, que frequentemente proclama a defesa dos direitos humanos e do bem-estar das populações.
Embora alguns possam contestar a ligação entre nascentes políticas e o impacto na saúde pública, o estudo explica que os efeitos do embargo econômico foram devastadores e duradouros. As vozes que expressam desconforto em relação a essa realidade frequentemente se perdem em meio a uma retórica política polarizante e extremista. Enquanto o debate sobre as políticas americanas em relação a Cuba continua, os números e as histórias de dor emergentes não podem ser ignorados.
Diante deste cenário, é mais evidente do que nunca que diálogos construtivos e o reexame das políticas econômicas em relação a Cuba são necessários. O potencial para melhorar as condições de vida dos cubanos e, consequentemente, reduzir as taxas de mortalidade infantil exige uma abordagem que priorize a saúde e o bem-estar sobre a hostilidade política. A mortalidade infantil é uma questão que deve transcender a política e se tornar um ponto de convergência para a empatia humana e a ação.
Em suma, o aumento alarmante na mortalidade infantil em Cuba e as suas raízes nas políticas de embargo contrastam com a imagem de um país que, apesar de suas dificuldades, foi admirado na área da saúde pública. As lições aprendidas com esta análise não são apenas um reflexo da realidade em Cuba, mas representam um desafio moral para todos os envolvidos na execução de políticas que afetam diretamente a vida das crianças. O apelo final do CEPR é claro: a mudança é necessária, e mudanças nas políticas podem salvar vidas.
Fontes: Centro para a Política Econômica e Pesquisa, The New York Times, Organização Mundial da Saúde
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua presidência, ele era conhecido por sua carreira no setor imobiliário e por ser uma figura proeminente na mídia. Durante seu mandato, Trump implementou políticas de "máxima pressão" contra Cuba, intensificando o embargo econômico que afeta a ilha desde a década de 1960. Suas políticas geraram controvérsias e debates sobre direitos humanos e saúde pública.
Resumo
Um estudo do Centro para a Política Econômica e Pesquisa (CEPR) revela um aumento alarmante de 148% na taxa de mortalidade infantil em Cuba entre 2018 e 2025, atribuído principalmente ao embargo econômico dos Estados Unidos, intensificado durante a administração do ex-presidente Donald Trump. O relatório indica que, se a taxa de mortalidade infantil tivesse permanecido estável, cerca de 1.800 vidas poderiam ter sido salvas. A pesquisa destaca que a combinação do embargo e da pandemia de Covid-19 agravou as condições de vida e a saúde pública, especialmente para gestantes e recém-nascidos. Apesar do histórico positivo de Cuba em saúde pública, o bloqueio limitou severamente a importação de insumos médicos essenciais. O estudo enfatiza que a mortalidade infantil vai além de números, refletindo o sofrimento humano real e clamando por uma reavaliação das políticas econômicas em relação à ilha. O CEPR argumenta que mudanças nas políticas podem melhorar as condições de vida e reduzir a mortalidade infantil, transformando essa questão em um imperativo moral.
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