10/05/2026, 11:56
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um desenvolvimento que mostra uma clara divisão entre a riqueza elitista e as promessas extravagantes do ex-presidente Donald Trump, o visto conhecido como Gold Card, promovido por Trump, está encontrando uma rejeição notável entre o público-alvo para o qual foi aparentemente concebido. De acordo com informações do Washington Post, advogados que atuam em nome da elite financeira estão instruindo seus clientes a não se interessarem pelo Gold Card, que exige um investimento de US$ 1 a US$ 2 milhões junto com uma taxa de inscrição de US$ 15.000. A clara insatisfação em relação a essa oferta é um reflexo das implicações financeiras e legais que ela traz.
A estrutura e os custos relativos ao Gold Card têm sido alvo de críticas e hesitações, não apenas por causa da quantia necessária para obter o visto, mas também devido a litígios em andamento que envolvem o ex-presidente Trump. Problemas como possíveis impactos adversos dos impostos sobre a aquisição do visto e a falta de um visto formal que tenha sido validado pelo Congresso estão entre as principais preocupações expressas por esses advogados. Sete especialistas consultados destacaram essas impropriedades, que parecem indicar uma desconfiança abrangente em torno do Gold Card. Michael Wildes, advogado de imigração que anteriormente trabalhou com a ex-primeira-dama Melania Trump e seus pais, é um dos nomes que também expressou sua relutância em aceitar clientes interessados nessa proposta.
As críticas vão além de meras questões financeiras; há uma percepção de que o Gold Card é uma combinação de uma estratégia de marketing duvidosa e uma tática de triagem para corrupção. A sugestão de que um interesse do cliente em adquirir esse visto realmente serve como um sinal de que o lucro financeiro está à frente da legalidade gera reflexões sobre a ética envolvida. Os advogados ressaltam que a iniciativa poderia, de fato, ser uma estratégia para reunir informações financeiras da elite rica, que normalmente não veria necessidade de um visto de tal magnitude, dadas suas possibilidades de viagem em função de suas fortunas.
Daniel O'Connell, um especialista em imigração e ex-assessor em políticas de imigração, compartilhou sua visão sobre a ineficácia do Gold Card entre aqueles que poderiam se beneficiar dele. "Se você é uma pessoa rica, existem métodos muito mais eficientes para garantir uma entrada em qualquer país, sem precisar passar por um processo tão caro e complexo", revelou. Essa crítica ecoa uma realidade que muitos milionários já conhecem. A quantidade de riqueza frequentemente proporciona acesso sem precedentes a viagens internacionais, muitas vezes sem a necessidade de um visto específico.
Para a elite global, a rejeição do Gold Card pode também estar ligada a questões de marketing e imagem. Com o nome de Trump associado tanto a promessas não cumpridas na política quanto a diversas controvérsias durante seu período na presidência, a noção de que indivíduos de alta renda optem por se vincular a produtos que têm sua marca é uma noção que gera resistência. "É como se eles vissem o que realmente é: uma ideia que não vale o investimento", comentou uma fonte próxima que decidiu permanecer anônima.
Ademais, a relação entre seu nome e esquemas de corrupção expostos anteriormente faz com que figuras ricas e influentes hesitem em se associar a qualquer proposta que cheire a oportunismo. "A maioria dessas pessoas já possui múltiplos passaportes e não precisa gastar tanto para garantir acesso a outros países", acrescentou O'Connell. Essa lógica sugere que o Gold Card pode ser interpretado como um símbolo de desconfiança, não apenas do sistema de imigração dos Estados Unidos, mas também da credibilidade de Trump. O ex-presidente promoveu seus interesses empresariais por meio de seu conhecimento em negócios e, em função disso, o desinteresse em torno de um cartão de "ouros" que poderia simbolizar tanto status quanto associação com ele se torna ainda mais curioso.
Diante das resistências, alguns analistas apontam a possibilidade de que o Gold Card não apenas revele a deterioração da imagem de Trump entre setores claramente bem-sucedidos na sociedade, mas também mostre como as suas promessas políticas podem ser interpretadas como mais uma tentativa de lucro rápido e não como um serviço genuíno ao público. A última vez em que Trump promoveu esse visto, a venda pareceu vacilar, já que poucos investidores estão dispostos a dar espaço para dar as boas-vindas a um novo esquema consideravelmente arriscado.
Este colapso potencial em sua iniciativa se alinha a uma série de outras reverberações políticas que o ex-presidente enfrenta, que incluem tanto investigações legais quanto uma narrativa pública em deterioração. Mesmo com a promoção do cartão como uma solução para reduzir a dívida nacional, a realidade firme é de que ele começa a parecer mais uma extravagância sem substância do que uma verdadeira oportunidade em um setor tão dinâmico e volátil quanto o de imigração e vistos. Portanto, o Gold Card pode ainda ter que se provar como mais um capítulo das tentativas de Trump de monetizar sua fama, em uma era onde a confusão política e as dúvidas sobre sua credibilidade permanecem na pauta do dia.
Fontes: Washington Post, CNN, The New York Times
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que foi o 45º presidente dos Estados Unidos, exercendo o cargo de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por sua carreira no setor imobiliário e por seu programa de televisão "The Apprentice", Trump se tornou uma figura polarizadora na política americana, com uma retórica frequentemente controversa e uma série de investigações legais durante e após sua presidência.
Resumo
O Gold Card, um visto promovido pelo ex-presidente Donald Trump, enfrenta rejeição significativa entre a elite financeira, conforme reporta o Washington Post. Advogados estão aconselhando seus clientes a evitarem o visto, que exige um investimento de US$ 1 a US$ 2 milhões e uma taxa de inscrição de US$ 15.000. As críticas se concentram não apenas nos altos custos, mas também nas implicações legais e financeiras, incluindo litígios envolvendo Trump. Especialistas em imigração apontam que existem métodos mais eficientes para milionários garantirem acesso a outros países, sem a complexidade do Gold Card. Além disso, a associação do nome de Trump a promessas não cumpridas e escândalos de corrupção gera desconfiança entre potenciais interessados. A rejeição ao Gold Card pode refletir a deterioração da imagem de Trump e a percepção de que suas iniciativas visam mais lucro do que um serviço genuíno ao público. A promoção do visto como solução para a dívida nacional parece, portanto, mais uma tentativa de monetizar sua fama em um cenário político conturbado.
Notícias relacionadas





