Economista alerta que inflação de tarifas causará nova crise

Um renomado economista adverte que a inflação impulsionada por tarifas e a guerra no Irã pode agravar a crise econômica nos Estados Unidos.

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05/05/2026, 22:29

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma multidão de cidadãos passando por uma fila em um posto de gasolina, onde os preços estão expostos a níveis alarmantes. Um outdoor ao fundo exibe a citação do presidente sobre "tornar a América rica novamente". A cena captura a tensão e a incerteza econômica, com rostos preocupados e sinais de dificuldades financeiras de forma realista.

Em meio a um cenário econômico inquietante, o economista-chefe da Moody’s Analytics, Mark Zandi, fez um alerta contundente sobre as consequências da inflação provocada por tarifas e o impacto potencial da recente guerra no Irã. Com o ano de 2025 marcado por instabilidade, Zandi previa que os americanos já enfrentando dificuldades poderiam encarar um novo cenário de crise econômica, uma vez que os preços elevados de energia e outros bens essenciais ameaçam exacerbar a inflação na economia americana.

A situação econômica dos Estados Unidos não tem sido fácil para muitos cidadãos. O ano de 2025, que poderia ser uma nova era de prosperidade, segundo as promessas do presidente Donald Trump durante o Dia da Libertação, revelou-se um desafio para a maioria dos cidadãos. Em um discurso proferido em abril, Trump proclamou o que chamou de "era de ouro da América", elogiando medidas tarifárias como uma solução para a recuperação econômica. No entanto, os números falam por si: o mercado de ações sofreu um colapso, com o índice Dow Jones despencando quase 4.600 pontos em apenas quatro dias, uma queda de 11% que deixou muitos investidores em estado de choque.

As tarifas que inicialmente foram impostas e posteriormente revertidas trouxeram uma onda de incerteza ao mercado, levando a um cenário em que muitas empresas, especialmente no setor tecnológico, demitiram trabalhadores em massa. A adoção acelerada de inteligência artificial por essas organizações contribuiu ainda mais para o aumento do desemprego. Com um número crescente de empregadores adotando uma abordagem de "esperar para ver", a suspensão de contratações se tornou uma realidade, sinalizando uma desaceleração nas expectativas de crescimento econômico.

Zandi argumenta que o conjunto de ventos contrários enfrentados pela economia americana não se limita apenas ao impacto das tarifas, mas se agrava com a escalada dos preços dos combustíveis e do consumo. Ele observou que, embora a inflação tenha diminuído desde um pico de 9,1% em julho de 2022, ainda se mantém teimosamente acima dos níveis pré-pandêmicos, colocando pressão sobre as finanças familiares e a confiança do consumidor.

Enquanto alguns podem ter encontrado oportunidades em meio a essa turbulência, outros enfrentam as consequências da recessão. Comentários sobre essa realidade variam, com alguns trazendo perspectivas otimistas sobre as oportunidades de compra nas ações, enquanto outros registram experiências pessoais de prosperidade familiar, desassociadas do impacto econômico mais amplo. A percepção de um "2025 miserável" para muitos contradiz as experiências positivas de outros, mostrando a complexidade da situação. Este nível de disparidade nas respostas à crise econômica pode ser um indicativo de que nem todos os setores da sociedade estão enfrentando os mesmos desafios.

As tarifas não são um conceito novo na economia dos Estados Unidos, mas a insistência de algumas políticas tarifárias e sua relação com a inflação estão no centro das atenções. Economistas criticam essa confusão conceitual entre inflação e tarifas, argumentando que a manipulação de ambos os termos serve apenas para confundir o público. Contudo, a realidade é que os preços estão subindo e as famílias sentem isso no bolso, impactadas por um ambiente que cada vez mais desestimula o consumo e a confiança.

À medida que a guerra no Irã se intensifica, as expectativas de que isso exacerbará a inflação e os custos de vida tornam-se uma preocupação crescente para economistas e cidadãos comuns. Zandi não é o único a levantar essa questão; muitos analistas já preveem que a escalada do conflito pode criar um efeito dominó que leva a um aumento significativo dos preços em diversas commodities, impactando diretamente o mercado.

Neste momento, os EUA estão à beira de uma crise econômica que poderia trazer consequências devastadoras. A interseção entre inflação, tarifas e os desdobramentos da guerra no Irã necessita ser monitorada de perto, à medida que os especialistas buscam identificar maneiras de mitigar os impactos negativos sobre a economia e os cidadãos. A recuperação econômica se revela complicada, e o futuro dos mercados continua incerto. Em uma era onde a incerteza é a única certeza, o foco por parte do governo e dos especialistas deve ser na restauração da confiança por meio de políticas que visem o fortalecimento da economia e o apoio às famílias afetadas.

Fontes: Moody’s Analytics, Bloomberg, The Wall Street Journal

Detalhes

Mark Zandi

Mark Zandi é o economista-chefe da Moody's Analytics, uma empresa de análise econômica e financeira. Ele é amplamente reconhecido por suas análises sobre a economia dos Estados Unidos e suas previsões sobre tendências econômicas. Zandi frequentemente comenta sobre políticas econômicas e suas implicações, sendo uma voz influente em debates sobre a recuperação econômica e a inflação.

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Antes de sua presidência, Trump era conhecido por seu trabalho no setor imobiliário e por ser uma personalidade da televisão. Sua administração foi marcada por políticas econômicas controversas, incluindo tarifas sobre importações e uma abordagem agressiva em relação ao comércio internacional.

Resumo

Em um cenário econômico desafiador, o economista-chefe da Moody’s Analytics, Mark Zandi, alertou sobre os efeitos da inflação causada por tarifas e a guerra no Irã. Ele prevê que, em 2025, muitos americanos poderão enfrentar uma nova crise econômica, com preços elevados de energia e bens essenciais exacerbando a inflação. Apesar das promessas do presidente Donald Trump de uma "era de ouro da América", o mercado de ações experimentou uma queda significativa, com o índice Dow Jones despencando quase 4.600 pontos em quatro dias. As tarifas e a adoção de inteligência artificial contribuíram para demissões em massa, enquanto a inflação, embora tenha diminuído desde seu pico em 2022, ainda pressiona as finanças familiares. A disparidade nas experiências econômicas entre os cidadãos revela uma complexidade na situação, com alguns vendo oportunidades enquanto outros enfrentam dificuldades. A guerra no Irã intensifica as preocupações sobre a inflação e os custos de vida, tornando a recuperação econômica um desafio complicado e incerto.

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