19/01/2026, 13:37
Autor: Ricardo Vasconcelos

Nos últimos dias, uma carta escrita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, gerou repercussões nas redes sociais e nas mídias tradicionais. Nela, Trump expressa sua indignação por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, sugerindo que a aliança militar da OTAN deveria apoiar uma "anexação" dos EUA à Groenlândia, enquanto critica a Dinamarca e menciona a história da descoberta territorial. O conteúdo da carta foi descrito por muitos como provocador e desconcertante.
A missiva, que datava do início de sua presidência, traz uma série de declarações notórias e, por vários ângulos, parece refletir a batalha de egos que caracterizou sua administração. Trump menciona como, ao contrário do que a Dinamarca poderia pensar, os EUA deveriam ter um "controle total e completo" sobre a Groenlândia. Essa afirmação levanta não só questões sobre a diplomacia internacional, mas também sobre a forma como a história é percebida e interpretada.
No seu trecho inicial, Trump critica explicitamente a decisão da Noruega de não conceder-lhe o Prêmio Nobel da Paz por seu suposto sucesso em interromper conflitos de longa data, uma declaração que gerou risos e comentários por sua falta de fundamento. O tom infantil da carta — “não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz” — provocou reflexões sobre sua incapacidade de lidar com a perda e a desconsideração em relação a conquistas de outros líderes mundiais.
Além de confrontar a Noruega sobre a questão do prêmio, sua carta também menciona a história de exploração e propriedade, onde Trump argui que a Dinamarca não possui documentos claros de posse sobre a Groenlândia. Essa afirmação foi prontamente contestada por comentadores históricos, que ressaltaram que o Tratado das Índias Ocidentais Dinamarquesas de 1916 reconheceu especificamente as reivindicações dinamarquesas sobre o território da Groenlândia, algo que parece ter escapado ao entendimento do ex-presidente.
A resposta pública foi rápida e intensa, com muitos cidadãos, inclusive da Noruega, expressando tanto a incredulidade quanto o humor diante da missiva. Alguns comentadores aproveitaram para destacar que a retórica de Trump reflete uma visão distorcida da relação americana com seus aliados e uma falta de noção sobre a história. Um comentarista norueguês até observou que a carta serve como um lembrete de que Trump ainda não superou a narrativa de seu predecessor, o ex-presidente Barack Obama, que foi laureado com o mesmo prêmio que ele cobiçava.
A carta também ressoou com críticas ao comportamento de Trump, sendo algumas delas bastante contundentes. Observadores notaram que a sua abordagem "infantil" e "descompensada" em relação a assuntos sérios como política externa e segurança global levanta alarmes sobre a capacidade de um líder de gerenciar crises e alianças estratégicas. Contrariando a ideia de que o riso ou a ridicularização de Trump por sua carta é apenas uma piada de improvável proporção, muitos enfatizam a gravidade por trás de suas palavras, principalmente em questões relacionadas à OTAN e à segurança nacional.
É evidente que a alegação de que os EUA têm o "direito" de assumir o controle da Groenlândia, e a sugestão de que terreno poderia ser adquirido através de um ato passivo de chegada, ecoa uma narrativa colonialista que foi contestada diversas vezes ao longo da história. Uma opinião contundente em resposta à carta destaca que a lógica utilizada por Trump falha em reconhecer o complexo histórico de soberania e as questões de direitos indígenas que cercam a Groenlândia, o que afeta diretamente as discussões atuais sobre os povos nativos que habitam a região.
As reações não se limitaram apenas a críticas. Há um grupo que considera sua abordagem como uma continuação do estilo de liderança pop que Trump adota, em que provocações e piadas desmedidas parecem ser sua moeda de troca para atrair atenção, mesmo que às custas de desconstruir relações diplomáticas. Ao final das contas, a carta de Trump é emblemática de seu estilo – uma mistura de controverso, ego e política que continua a ser debatida e analisada em várias esferas, desde acadêmicos até observadores da política mundial.
Com a relevância desse evento ainda ressoando, as implicações para a política externa dos EUA e suas relações com os aliados serão observadas de perto, principalmente pelas indesejadas comparações que o comportamento do ex-presidente provoca. As interações das potências globais são um equilíbrio delicado, e as palavras de seus líderes têm o poder de moldar essas relações. A carta enviada a Gahr Støre serve não apenas como um relance cômico, mas como uma chamada à reflexão sobre o impacto que a retórica e os atos de governos podem ter no futuro.
Fontes: BBC, The Guardian, Washington Post, New York Times
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por seu estilo de liderança polêmico e suas declarações provocativas, Trump é uma figura central na política contemporânea, frequentemente polarizando opiniões. Antes de sua presidência, ele era um magnata do setor imobiliário e personalidade da televisão.
Resumo
Uma carta do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, chamou a atenção nas redes sociais e na mídia. Na missiva, Trump expressa sua indignação por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz e sugere que a OTAN deveria apoiar a "anexação" dos EUA à Groenlândia, criticando a Dinamarca. O conteúdo provocativo da carta reflete a batalha de egos de sua administração e levanta questões sobre diplomacia e história. Trump argumenta que os EUA deveriam ter "controle total" sobre a Groenlândia, uma afirmação contestada por historiadores que lembram do Tratado das Índias Ocidentais Dinamarquesas de 1916. A resposta pública foi intensa, com muitos expressando incredulidade e humor. Observadores notaram que a retórica de Trump reflete uma visão distorcida das relações com aliados e uma falta de compreensão histórica. A carta simboliza seu estilo controverso, misturando ego e política, e levanta preocupações sobre a política externa dos EUA e suas implicações nas relações internacionais.
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