16/03/2026, 19:35
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um contexto político cada vez mais polarizado nos Estados Unidos, o comportamento do ex-presidente Donald Trump continua a despertar debates acalorados. Psicólogos têm identificado táticas manipulativas associadas a personalidades narcisistas que Trump parece utilizar de forma reiterada. Entre essas táticas, destaca-se o conceito de DARVO, um acrônimo que significa Negar, Atacar e Reverter a Vítima e o Ofensor. Essa estratégia, frequentemente usada por narcisistas para escapar de responsabilidades por suas ações, parece estar ao alcance do ex-presidente, segundo análises de comportamentos e discursos.
DARVO consiste, essencialmente, em negar as acusações, atacar o acusador e inverter a posição de vítima — uma dinâmica que alguns estudiosos do comportamento humano afirmam ser evidente nas interações de Trump com seus críticos. Jennifer Freyd, psicóloga conhecida por cunhar o termo DARVO, defende que essa manobra é uma forma de distorcer a realidade e criar confusão entre o público. Com a retórica de que é “o presidente da paz” ao mesmo tempo em que instiga conflitos, Trump exemplifica, para muitos analistas, a aplicação extrema dessa tática na política contemporânea.
Os comentários de cidadãos e acadêmicos destacam a preocupação com a eficácia dessa abordagem em moldar as percepções do público. As palavras e ações de Trump frequentemente desafiam a lógica convencional e desconsideram padrões de empatia, algo que, segundo especialistas, caracteriza comportamentos narcisistas. De acordo com a Mayo Clinic, o transtorno de personalidade narcisista (TPN) manifesta-se por um forte senso de autoimportância e uma necessidade de admiração constante, além de comportamentos desdenhosos em relação aos outros. Esse perfil parece se encaixar perfeitamente na descrição do ex-presidente, que frequentemente utiliza técnicas de manipulação retórica para se colocar como uma figura central de qualidades superiores.
Além disso, a polarização e a confusão geradas por suas declarações fazem com que muitos em sua base de apoio considerem-no uma vítima de ataques injustos, reforçando uma narrativa perpetuada por sua própria campanha. A retórica de que "se não é assim, não foi tão ruim" ou "se foi, não é minha culpa" ressoa como um eco das táticas frequentemente atribuídas a líderes narcisistas. Dentro desse contexto, a analogia feita por um comentarista sobre a criação potencial de um "Síndrome de Derangement do Trump" ironiza a maneira como seus comportamentos não apenas transgridem padrões éticos, mas também podem ser vistos como uma nova forma de manipulação psicológica.
O impacto dessa manipulação não se limita mais às interações individuais, mas permeia as relações sociais e políticas em um nível mais amplo. Comportamentos que, em outros contextos, podem ser considerados inadequados ou antiéticos, são justificados e, de certa forma, celebrados ao serem apresentados como demonstração de força e inteligência. A narrativa de que pessoas com habilidades manipulativas são de alguma forma superiores é um debate que reflete profundas fissuras na sociedade americana.
A questão que surge é: como a sociedade pode se proteger dessas táticas? Especialistas alertam que é essencial que o público esteja ciente dessas dinâmicas para reconhecer e, possivelmente, resistir às manipulações. Com base em discussões e pesquisas atuais, a educação em psicologia pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar o eleitorado a discernir comportamentos manipulativos.
Analistas enfatizam a necessidade de uma abordagem mais crítica ao consumo de informações, e muitos se sentem frustrados ao perceber que as técnicas mais escandalosas são frequentemente aceitas sem questionamento. A manipulação da verdade, através da criação de um cenário onde o agressor se transforma em vítima, é uma prática que deve ser abordada com seriedade e desconfiança, particularmente quando se trata de uma figura com tanta influência sobre a política nacional.
Portanto, à medida que o cenário político evolui, a figura de Trump permanecerá no centro das discussões sobre narcisismo e manipulação. A forma como o ex-presidente utiliza essas táticas revela não apenas aspectos de sua personalidade, mas também levanta preocupações sobre o futuro das interações políticas nos Estados Unidos. O entendimento crítico dessas dinâmicas é vital não apenas para os eleitores, mas para a saúde de uma democracia que se vê cada vez mais dividida e confusa sobre o que é verdadeiro e autêntico em seu discurso político.
Fontes: Mayo Clinic, Folha de São Paulo, The New York Times
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de 2017 a 2021. Conhecido por seu estilo de comunicação direto e polêmico, Trump tem sido uma figura divisiva na política americana. Antes de sua presidência, ele era um magnata do setor imobiliário e uma personalidade de televisão. Sua administração foi marcada por políticas controversas e uma retórica que frequentemente desafiava normas políticas tradicionais. Além disso, Trump é conhecido por seu uso eficaz das mídias sociais para mobilizar apoio e comunicar suas ideias.
Resumo
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a ser um foco de debates acalorados, especialmente em um contexto político polarizado. Psicólogos identificam que Trump utiliza táticas manipulativas associadas a personalidades narcisistas, como o conceito de DARVO, que significa Negar, Atacar e Reverter a Vítima e o Ofensor. Essa estratégia permite que ele negue acusações, ataque críticos e se posicione como vítima, distorcendo a realidade e confundindo o público. Especialistas, como Jennifer Freyd, que cunhou o termo DARVO, alertam sobre os impactos dessa manipulação nas percepções sociais. A retórica de Trump, que se apresenta como "o presidente da paz" enquanto instiga conflitos, exemplifica essa tática. A polarização gerada por suas declarações faz com que muitos em sua base o vejam como alvo de ataques injustos. A educação em psicologia é sugerida como uma ferramenta para ajudar o público a reconhecer e resistir a essas manipulações, que têm implicações profundas na saúde da democracia americana.
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