Dinamarca pondera sobre o Artigo 4 da OTAN em meio a incertezas

A Dinamarca hesita em invocar o Artigo 4 da OTAN diante de percepções de ameaça americana, revelando complexas dinâmicas de segurança na região.

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06/01/2026, 16:06

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma cena de um mapa da Groenlândia cercada por símbolos da OTAN, com bandeiras dos EUA e da Dinamarca ao fundo, representando tensão geopolítica. Um grupo de líderes de diversos países observando a cena, com expressões de preocupação, destacando a importância das alianças na segurança internacional.

A recente situação geopolítica em torno da Groenlândia e das relações da Dinamarca com os Estados Unidos tem chamado a atenção para as complexidades da segurança internacional, especialmente no contexto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O Artigo 4 da OTAN estipula que os membros devem se consultar sempre que qualquer parte acreditarem que a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer uma delas está em perigo. Entretanto, a hesitação da Dinamarca em invocar esse artigo se torna um sinal claro das tensões que permeiam a atual dinâmica política.

Comentários de especialistas em política internacional sugerem que a Dinamarca está adotando uma postura cautelosa, esperando que a situação se acalme até as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ou mesmo até que o ex-presidente Donald Trump perca apoio significativo. Essa expectativa de "ganhar tempo" significa que a Dinamarca não quer formalizar uma queixa no âmbito da OTAN em um momento em que um confronto direto poderia exacerbar as tensões com os Estados Unidos, um dos principais membros da aliança.

A decisão de não levar à frente um questionamento formal acerca da segurança da Groenlândia revela uma estratégia cautelosa. A Dinamarca poderia estar avaliando que qualquer abordagem direta ao assunto não apenas colocaria o foco da situação sob a luz dos Estados Unidos, mas também permitiria que Trump se posicionasse como um ator central em uma possível crise, dado seu histórico de retórica agressiva em relação a questões de segurança e defesa.

Dentro desse cenário, a possibilidade de um conflito na Groenlândia, uma região de enorme importância estratégica, não deve ser descartada. As análises ressaltam que a Groenlândia tem sido uma área de interesse dos Estados Unidos, especialmente por seu potencial em recursos naturais e seu posicionamento geográfico. A segurança da ilha, portanto, poderia ser colocada em risco não por um estado inimigo, mas por políticas internas dos próprios Estados Unidos.

A competição por atenção política entre a Europa e os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à segurança, é palpável. O dilema entre garantir a segurança da Ucrânia e manter o interesse na Groenlândia coloca a Dinamarca em uma posição complicada. A incerteza econômica na Europa, agravada por uma dependência energética crescente do GNL (gás natural liquefeito) americano, torna a situação ainda mais complexa.

Os analistas apontam que o enfrentamento do governo dinamarquês ao ex-presidente Trump pode resultar em consequências imprevisíveis, levando à possibilidade do país se ver em uma situação em que terá que escolher entre manter laços com os EUA ou priorizar a segurança de sua própria integridade territorial. Essa realidade de insegurança é ainda mais inquietante em um contexto onde a OTAN, enquanto aliança militar, depende de coesão entre seus membros. Se a Dinamarca não se sentir segura na já frágil estrutura de garantias de segurança, isso pode afetar as relações e a eficácia da OTAN como um todo.

Há uma preocupação evidente de que um tópico de tal magnitude se transforme em uma fonte de conflito interno durante uma cúpula da OTAN, levando a uma discussão acalorada entre os EUA e seus aliados, especialmente quando figuras como Trump, que têm um histórico de rivalidades políticas, estão envolvidas. Para muitos, o preço político de trazer essas questões à tona poderia de fato superar quaisquer vantagens esse diálogo pudesse oferecer.

Ainda assim, a segurança e a estabilidade da Groenlândia permanecem um assunto de relevância internacional. Com os EUA como uma possível fonte de ameaça, a necessidade de discutir abertamente o que a Dinamarca e seus aliados pretendem fazer para garantir a segurança da ilha é urgente. Controvérsias geopolíticas como essa insuflam o debate sobre medidas estratégicas que devem ser adotadas para mitigar riscos e preservar a paz em uma região até então considerada estável. As próximas semanas e meses podem apresentar uma oportunidade significativa para a Dinamarca moldar sua posição política enquanto avalia a postura americana e suas implicações para a segurança europeia. Em um mundo onde as alianças estão sendo testadas, a posição da Dinamarca será crucial não apenas para o futuro da Groenlândia, mas também para a integridade da OTAN.

Fontes: The Guardian, Foreign Policy, Washington Post, El País

Detalhes

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de 2017 a 2021. Conhecido por seu estilo de liderança controverso e retórica agressiva, Trump teve um impacto significativo na política americana, especialmente em temas de segurança e defesa. Sua administração foi marcada por tensões com aliados tradicionais e uma abordagem nacionalista em relação à política externa. Após perder a reeleição em 2020, Trump continua a ser uma figura influente no Partido Republicano e na política dos EUA.

Resumo

A situação geopolítica na Groenlândia e as relações entre Dinamarca e Estados Unidos têm gerado debates sobre segurança internacional, especialmente dentro da OTAN. O Artigo 4 da aliança exige consultas quando a integridade territorial de um membro está ameaçada, mas a hesitação da Dinamarca em invocá-lo reflete tensões políticas. Especialistas sugerem que a Dinamarca adota uma postura cautelosa, aguardando um momento mais favorável para agir, possivelmente até as eleições nos EUA ou uma diminuição do apoio a Donald Trump. Essa estratégia pode evitar um confronto direto que exacerbaria as tensões com os EUA. A Groenlândia, com sua importância estratégica e recursos naturais, é um ponto focal, e a segurança da ilha pode ser comprometida por políticas internas dos EUA. A competição entre a Europa e os EUA em questões de segurança coloca a Dinamarca em uma posição delicada, onde terá que equilibrar seus laços com os EUA e a proteção de sua integridade territorial. A discussão sobre a segurança da Groenlândia é urgente, e a posição da Dinamarca será fundamental para o futuro da OTAN e da estabilidade na região.

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