Dinamarca critica ações dos EUA sobre a Groenlândia e alerta para perigos

O ex-primeiro-ministro dinamarquês expressa preocupações sobre a busca dos EUA por influência na Groenlândia, evocando possíveis consequências para a segurança global e econômica.

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09/01/2026, 15:54

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma vasta paisagem da Groenlândia mostrando suas imensas geleiras e um céu azul limpo, com uma silhueta do antigo primeiro-ministro da Dinamarca, olhando intrigado para um mapa com marcas dos EUA, enquanto ao fundo, uma representação estilizada do presidente Donald Trump com um olhar decidido. A imagem deve capturar a tensão geopolítica, envolvendo a Groenlândia e a presença dos EUA na região.

Em um cenário global em constante mudança, as recentes ações dos Estados Unidos em relação à Groenlândia acenderam alertas na comunidade internacional, especialmente entre os países nórdicos. O ex-primeiro-ministro da Dinamarca, que preferiu não ser identificado, referiu-se a essas iniciativas como um “ato de agressão” que coloca em risco não apenas a Groenlândia, mas também a estabilidade da aliança militar da Otan e, por extensão, a paz no hemisfério ocidental.

Essa crítica vem em um momento em que as tensões geopolíticas aumentam, e as ações da administração Trump em relação à Groenlândia estão sendo vistas como um claro exemplo de uma política de expansionismo, que mais parece uma abordagem de domínio territorial do que uma estratégia de segurança genuína. O ex-primeiro-ministro destacou que as decisões que foram tomadas nas últimas administrações norte-americanas correm o risco de destruir o entendimento e a boa vontade que foram construídos ao longo do século XX, que viabilizaram uma coexistência pacífica entre as nações ocidentais.

Muitos observadores apontam que a preocupação não se restringe apenas aos direitos territoriais, mas se estende ao espectro da exploração econômica. As jazidas de terras raras presentes na Groenlândia são alvos de cobiça, dada sua importância crescente para tecnologias modernas, como dispositivos eletrônicos e sistemas de defesa. Comentários em fóruns especializados apontam que as tentativas de aprofundar a presença dos EUA na região podem estar ligadas não apenas a interesses de segurança, mas também à dinâmica econômica global, onde a dependência de tecnologias substitutivas e de alta demanda está favorecendo cada vez mais a exploração desses recursos.

É importante destacar que a Groenlândia é uma região autónoma dentro do Reino da Dinamarca, e sua posição geográfica a torna um local de importância estratégica. A proximidade com os Estados Unidos, somada à possibilidade de um envolvimento crescente da China, levanta questões sobre a soberania da ilha e o papel que a Dinamarca deve desempenhar nas decisões que afetam diretamente o futuro da Groenlândia. Há uma preocupação latente de que, ao buscar aumentar sua influência, os EUA estejam incorrendo no risco de uma resposta adversa da Rússia, que vê com desagrado a expansão do controle ocidental em áreas que reivindica como de seu interesse.

Como um observador de longa data da política internacional, o ex-primeiro-ministro expressou a necessidade urgente de diálogo e transparência entre nações, enfatizando que a agressividade não pode ser a primeira opção. A cooperação mútua deve ser priorizada em vez de posturas combativas que só aumentam a desconfiança entre antigas potências aliadas.

Além disso, muitos analistas advertiram que a economia dos EUA, que já opera com um nível absurdo de dívida, poderia sofrer impactos adversos caso os baixos níveis de confiança em sua política externa resultem em perdas significativas na valorização do dólar americano. Em um mundo interconectado, onde a economia está intrinsecamente ligada à política, qualquer alteração significativa na maneira como os EUA são percebidos por seus aliados pode gerar consequências drásticas, até mesmo um rearranjo econômico onde a China e a Europa, que atualmente detêm grandes quantias da dívida americana, poderiam decidir deixar de confiar nos títulos do governo dos EUA.

Enquanto isso, a administração Trump segue numa trilha marcada por decisões controversas, deixando muitos questionando não apenas sua estratégia, mas sua capacidade de discernir quais são os reais interesses da nação. Os que dominam as discussões em círculos especializados argumentam que deve haver uma abordagem mais cautelosa que leve em conta os anexos históricos e as consequências geopolíticas de cada ato. Com as sanções econômicas contra adversários e a contínua instabilidade no Oriente Médio, a ampliação do domínio dos EUA na Groenlândia poderia criar um ambiente favorável a conflitos desnecessários com outras potências globais.

Os avisos feitos por líderes de antigos estados europeus revelam uma crescente preocupação sobre a visão unilateral de Trump. Isso implica na possibilidade de uma reavaliação das alianças tradicionais, onde os paradigmas de segurança e cooperação possam ser colocados à prova. Afinal, a verdadeira segurança global não deve se basear na força bruta ou em táticas de controle territorial, mas sim na construção de um futuro onde a diplomacia e o respeito mútuo prevaleçam.

Na verdade, sob um olhar crítico, as ações em relação à Groenlândia podem muito bem ser vistas como um reflexo de uma administração que se sente ameaçada em um mundo onde seu status de poder está em constante questionamento. Portanto, se não houver uma revisão clara sobre a política americana em relação a seus vizinhos e aliados, quem pagará o preço desse embate podem ser todos, e não apenas os atores diretos envolvidos. O mundo observa, e novas dinâmicas emergem, trazendo um horizonte incerto para a geopolítica moderna.

Fontes: The Guardian, BBC News, The New York Times

Detalhes

Donald Trump

Donald Trump é um empresário e político americano, que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por suas políticas controversas e estilo de liderança não convencional, Trump implementou uma agenda focada em "América Primeiro", que incluiu medidas de imigração rigorosas e uma abordagem agressiva em relação ao comércio internacional. Sua administração também foi marcada por tensões com aliados tradicionais e um foco em questões de segurança nacional.

Resumo

As recentes ações dos Estados Unidos em relação à Groenlândia levantaram preocupações na comunidade internacional, especialmente entre os países nórdicos. Um ex-primeiro-ministro dinamarquês criticou essas iniciativas, classificando-as como um “ato de agressão” que ameaça não apenas a Groenlândia, mas também a estabilidade da Otan e a paz no hemisfério ocidental. As tensões geopolíticas estão em alta, com a administração Trump sendo acusada de expansionismo territorial, colocando em risco entendimentos construídos ao longo do século XX. Além dos direitos territoriais, há uma crescente preocupação com a exploração econômica das jazidas de terras raras na Groenlândia, essenciais para tecnologias modernas. A posição geográfica da ilha a torna estratégica, especialmente diante do crescente envolvimento da China. O ex-primeiro-ministro enfatizou a necessidade de diálogo e cooperação em vez de agressividade, alertando que a política externa dos EUA pode impactar negativamente sua economia. A administração Trump, marcada por decisões controversas, enfrenta críticas sobre sua estratégia e a possibilidade de reavaliação das alianças tradicionais, o que pode afetar a segurança global e a diplomacia.

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