23/01/2026, 14:51
Autor: Laura Mendes

A crescente preocupação com os custos da formação em medicina no Brasil tem colocado em evidência o debate sobre a qualidade do ensino e a viabilidade do investimento. Recentemente, um curso de medicina que obteve as piores notas no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) revelou que a mensalidade para os alunos pode chegar a impressionantes R$ 17 mil, gerando uma série de questionamentos tanto sobre a viabilidade desse investimento quanto sobre a relevância do diploma em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
A avaliação do MEC trouxe à tona uma série de disparidades entre instituições de ensino, especialmente entre universidades públicas e privadas. Comentários feitos por usuários em diversas plataformas refletem a realidade de muitas famílias que buscam oferecer ensino superior de qualidade a seus filhos. Um dos pontos destacados é que as melhores universidades, como a USP e a Unicamp, são estatais e possuem fontes de financiamento mais robustas, o que permite uma melhor infraestrutura e, consequentemente, um ensino de maior qualidade.
Enquanto isso, a situação dos cursos privados suscita um debate sobre se o alto investimento financeiro realmente se traduz em retornos proporcionais no mercado de trabalho. Um indivíduo apontou que, ao final do curso, muitos graduados não conseguem uma remuneração condizente com o que foi investido, o que levanta a questão: será que a medicina ainda é uma profissão que realmente garante uma posição confortável na pirâmide salarial?
De acordo com relatos, o cenário que se apresenta frequentemente é de descontentamento entre os estudantes, que enfrentam altas mensalidades e a expectativa de uma vida financeira promissora ao final da graduação. A realidade, no entanto, pode ser diferente, com muitos recém-formados lidando com salários iniciais considerados abaixo do esperado em comparação a outras áreas. Há quem defenda que o estigma de que a medicina é um caminho seguro para a riqueza é uma falácia, apontando que o sonho de uma carreira lucrativa está se esvaindo na realidade do sistema de saúde atual, que privilegia certos tipos de especialidades e serviços.
Além do mais, as críticas a algumas instituições de ensino são contundentes. Recentemente, a Estácio, uma das maiores redes de ensino privado do Brasil, foi alvo de reações negativas após se manifestar sobre os resultados do Enade, alegando que os dados não refletem a realidade do ensino que oferecem. Essa declaração exacerbou a insatisfação, criando uma imagem de fuga das responsabilidade em vez de buscar soluções para os problemas apontados.
Uma perspectiva mais otimista foi apresentada por alguns, que afirmam que mesmo em um mercado de trabalho difícil, a medicina ainda proporciona uma entrada salarial acima da média em comparação com outras profissões. Um comentário explicava que muitos médicos novos conseguem, através de plantões e atuação em clínicas, receber salários que, somados, podem ultrapassar os R$ 20 mil mensais, dependendo da demanda e da localização.
Entretanto, é válido ressaltar que o caminho para esses altos salários pode envolver anos de trabalho árduo e dedicação, além de um cenário em constante transformação devido a novas regulamentações, melhorias na gestão do sistema de saúde e mudanças nos formatos de atendimento ao paciente. Enquanto setores como tecnologia e saúde encontram formas de se expandir e crescer, é imperativo que as instituições de ensino também se adaptem a essas mudanças, promovendo não apenas uma formação técnica sólida, mas também um preparo para uma realidade econômica cada vez mais desafiadora.
Por fim, a questão sobre a viabilidade de se investir em cursos de medicina com mensalidades exorbitantes continua a ser um tema de intenso debate, com uma gama de opiniões divergentes sobre a qualidade do ensino e os resultados na vida profissional. O futuro da medicina no Brasil pode depender, essencialmente, de como stakeholders educacionais e profissionais da saúde se unirão para garantir que a formação médica seja tanto acessível quanto de qualidade, garantindo que os novos profissionais estejam bem preparados para enfrentar os desafios que a carreira pode lhe apresentar.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, MEC, site da Estácio
Resumo
A crescente preocupação com os altos custos da formação em medicina no Brasil tem gerado debates sobre a qualidade do ensino e a viabilidade desse investimento. Um curso de medicina com as piores notas no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) revelou mensalidades de até R$ 17 mil, levantando questionamentos sobre o retorno financeiro no mercado de trabalho. A avaliação do MEC destacou disparidades entre universidades públicas, como USP e Unicamp, e privadas, com as estatais oferecendo melhor infraestrutura e ensino. Muitos graduados enfrentam salários iniciais abaixo do esperado, desafiando a ideia de que a medicina é um caminho seguro para a riqueza. Críticas a instituições como a Estácio aumentaram após a rede se manifestar sobre os resultados do Enade, levando a um clima de insatisfação. Apesar das dificuldades, alguns defendem que a medicina ainda oferece salários acima da média, embora o caminho para altos rendimentos exija anos de dedicação e adaptação às mudanças no sistema de saúde. O futuro da medicina no Brasil dependerá da colaboração entre educadores e profissionais para garantir uma formação acessível e de qualidade.
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