26/02/2026, 20:10
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um movimento significativo de resistência contra a dependência do petróleo russo, a Croácia anunciou sua decisão de não permitir o transporte de petróleo proveniente da Rússia através de seu porto e da estrutura de oleodutos do país. Este ato não é apenas uma questão logística, mas uma declaração política clara contra a agressão russa na Ucrânia, além de criar um impacto nas relações geopolíticas entre a Croácia e a Hungria, que desde o início do conflito tem se alinhado com Moscou de maneira ambígua.
A recusa da Croácia é um reflexo de um cenário mais amplo, onde diversos países europeus estão repensando suas dependências energéticas e seus alinhamentos políticos. O governo croata manifestou que não quer ser cúmplice em qualquer forma de apoio à máquina de guerra de Vladimir Putin, referindo-se ao que chamou de “lucro de guerra”. Com isso, a Croácia, que sofreu com conflitos em sua própria história, tem demonstrado uma postura firme em solidariedade à Ucrânia, recordando o apoio que o país vizinho havia prestado durante suas batalhas por independência nos anos 90.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e seu governo, que historicamente têm mostrado uma tendência a buscar acordos com a Rússia em várias questões, agora enfrentam uma crise interna. Os comentários críticos em relação à gestão de Orbán reafirmam um descontentamento crescente na sociedade húngara, que vê seu líder como um fator que potencialmente compromete a segurança e a autonomia do país. Muitos, como expressam nas suas reflexões, esperam que a população reaja a essa situação nas próximas eleições, reconhecendo a “negligência épica” que permitiu tal aliança com o regime russo.
Além disso, a divisão entre os dois países, tradicionalmente aliados em tópicos de interesses regionais, parece se aprofundar. A Croácia está disposta a marginalizar a Hungria na arena internacional ao adotar uma política que visa a reivindicação da soberania da União Europeia contra práticas que possam beneficiar autoritarismos em ascensão na região.
A situação se torna ainda mais complexa quando se observa que o apoio militar ao governo da Ucrânia e a postura da Hungria em relação a esses eventos geram uma desconfiança palpável na arena política. Vários comentaristas têm assinalado que as medidas do governo húngaro são insuficientes para garantir a segurança do país, já que Orbán tem promovido um discurso profundamente enraizado de resgate territorial e identificação cultural com o passado húngaro, o que representa uma conduta diplomática arriscada e que pode culminar em suas consequências adversas nas relações externas.
Além disso, os húngaros têm se mostrado cientes dos riscos associados a um alinhamento contínuo com a Rússia, especialmente à luz das experiências do passado, como a repressão de 1956. Algumas voices emergentes dentro da Hungria clamam por ações contra as políticas de Orbán, demonstrando um ímpeto por reformas e uma busca ativa por uma identidade política que represente os valores democráticos e a integração europeia.
Diante desse cenário, há uma expectativa crescente para que a oposição em Hungria ganhe força e comece a questionar o regime vigente, buscando talvez um novo rumo que alinhe o país mais claramente com os valores da Comissão Europeia. O apoio a uma Croácia independente e firme em suas posturas pode inspirar um movimento similar dentro de suas fronteiras.
Esses eventos indicam que a dinâmica do leste europeu é extremamente volátil e continua a evoluir. A recusa da Croácia em colaborar com o transporte de petróleo russo não é apenas um passo isolado, mas sim parte de uma estratégia mais abrangente para afirmar a sua posição na arena política conturbada da região. As consequências dessa decisão ainda estão por se concretizar, mas sinalizam um potencial de reconfiguração nas alianças e na segurança energética da Europa.
A batalha pela autonomia e a luta contra o imperialismo data longas distâncias e, ao ressoar com a luta atual da Ucrânia, a Croácia tem reafirmado seu lugar como um pilar de resistência contra a desestabilização que as guerras no continente trazem. Aproximando os habitantes com um novo entendimento de solidariedade e metas comuns, a Croácia uma vez mais se reinventa como um símbolo de luta e resistência na Europa contemporânea.
Fontes: Agência Reuters, The Guardian, Al Jazeera
Resumo
A Croácia decidiu não permitir o transporte de petróleo russo através de seu território, como parte de uma resistência contra a agressão russa na Ucrânia. Essa decisão reflete uma reavaliação das dependências energéticas na Europa e busca afirmar a soberania da União Europeia contra autoritarismos. O governo croata expressou sua rejeição em ser cúmplice do que chamou de "lucro de guerra" de Vladimir Putin, lembrando o apoio que a Ucrânia deu à Croácia durante suas batalhas por independência nos anos 90. Por outro lado, a Hungria, sob a liderança do primeiro-ministro Viktor Orbán, enfrenta crescente descontentamento interno devido a sua ambiguidade em relação à Rússia. A divisão entre Croácia e Hungria, tradicionalmente aliadas, se aprofunda, com a Croácia se posicionando como um pilar de resistência na Europa. O apoio militar à Ucrânia e a postura húngara geram desconfiança, e há um clamor por reformas dentro da Hungria, com a oposição buscando alinhar o país mais estreitamente aos valores democráticos da Comissão Europeia. A situação na região continua volátil, com a Croácia se reafirmando como um símbolo de luta e solidariedade.
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