Coreia do Sul rejeita exercícios militares com EUA e Japão

Coreia do Sul nega a realização de exercícios militares em conjunto com os EUA e Japão, destacando a instabilidade nas relações entre os países e novas dinâmicas geracionais.

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26/02/2026, 19:54

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma bandeira da Coreia do Sul com uma sombra da bandeira do Japão ao fundo, simbolizando a complexidade das relações entre os dois países. Em destaque, jovens sul-coreanos e japoneses se divertindo juntos em um evento cultural, com elementos de K-Pop e anime ao redor, demonstrando uma nova onda de aproximação entre as gerações mais jovens, apesar das tensões históricas.

A Coreia do Sul tomou a decisão de recusar uma proposta dos Estados Unidos para a realização de exercícios militares tripartites com o Japão, uma ação que ocorre em um contexto delicado de relações históricas e tensões regionais. A recusa da Coreia do Sul acontece em um momento em que se aproxima a comemoração do Japão sobre a soberania das ilhas Dokdo, território também reivindicado por Seul. Essa situação demonstra a complexidade que envolve a cooperação militar na região e levanta questões sobre a segurança e a colaboração futura entre esses países.

Os comentários de analistas e cidadãos sobre as relações Coreia do Sul-Japão revelam uma ampla gama de percepções. Enquanto alguns percebem um potencial de diálogo e entendimento, ainda existem profundas barreiras históricas que dificultam uma colaboração efetiva. Um observador argumenta que a ideia de tropas japonesas aterrissando no solo sul-coreano durante um conflito é simplesmente inconcebível para a maioria da população.

Entretanto, há um viés encorajador nas interações entre as gerações mais jovens dos dois países. Jovens sul-coreanos e japoneses estão cada vez mais envolvidos com as culturas um do outro, muito graças ao fenômeno cultural do K-Pop, anime e outros elementos da cultura pop. Essa nova interação cultural, segundo alguns comentários, pode eventualmente levar a uma reconciliação que ultrapasse as antigas divisões. Um comentarista expressou que muitos millennials e membros da geração Z não vêem mais os japoneses com a mesma desconfiança ou hostilidade que as gerações anteriores, indicando que a convivência respeitosa pode se tornar um novo padrão.

No entanto, o cenário político ainda é marcado por desafios. Muitos dentro da política conservadora da Coreia do Sul e do Japão se opõem a qualquer forma de reconciliação que possa ser vista como uma forma de passividade em relação às questões históricas. A questão das ilhas em disputa, o papel da China e as memórias do colonialismo japonês na Coreia do Sul continuam a ser empecilhos que dificultam os esforços de aproximação.

Enquanto isso, um crescente interesse por relacionamentos amistosos entre as duas culturas está levantando discussões sobre a forma como a arte e o entretenimento podem funcionar como pontes não oficiais. Comentários nesta linha ressaltam que, com o avanço da cultura pop pondo em destaque as semelhanças e interesses comuns, a proximidade entre as populações pode, com o tempo, trazer mudanças na opinião pública e, possivelmente, em decisões políticas.

Ainda assim, a dinâmica das relações internacionais na região é complexa. Um comentarista destacou como a China, ao lado de sua rivalidade historicamente tensa com os Estados Unidos e a Coreia do Sul, também desempenha um papel crucial nesse panorama. Embora a China tenha suas próprias questões com a Coreia do Norte, a interação entre os três países continua a ser precária, exposta a muitos riscos e mal-entendidos.

Neste cenário, a rejeição da Coreia do Sul à proposta de exercícios militares com o Japão e os EUA se destaca como um indicador da fragilidade nas alianças. Muitos analistas advogam que, mesmo com a possibilidade de diálogos culturais, as relações políticas ainda permanecem muito influenciadas por questões do passado. A divisão clara entre as gerações, com os jovens mais abertos ao diálogo e os mais velhos ainda reticentes, evidencia um futuro incerto na política regional.

Embora existam componentes positivos na crescente aceitação de interações culturais, a necessidade de um sólido entendimento político não deve ser subestimada. A política ainda é moldada por questões históricas que podem fazer a reconciliação mais difícil do que parece à primeira vista. A falta de um consenso claro e a presença de movementos conservadores continuam a ditar as ações dos governos dessas nações, dificultando o progresso positivo que a nova geração anseia.

Assim, a situação entre a Coreia do Sul e o Japão serve como um microcosmo das complexidades que caracterizam as relações internacionais na região. À medida que a festa do Japão pelo território de Dokdo se aproxima, as nuances da política poderão ser sentidas mais profundamente, e o futuro das cooperações, sejam eles militares ou culturais, permanecerá nas mãos das gerações que hoje estão moldando as narrativas de amanhã.

Fontes: Agência AFP, CNBC, The Korea Times, Japan Times

Resumo

A Coreia do Sul rejeitou uma proposta dos Estados Unidos para realizar exercícios militares conjuntos com o Japão, em meio a tensões históricas e disputas territoriais, especialmente em relação às ilhas Dokdo. Essa recusa destaca as complexidades das relações militares na região e levanta questões sobre a segurança e a colaboração futura entre os países. Apesar de algumas percepções de potencial diálogo, barreiras históricas ainda dificultam a cooperação. No entanto, interações culturais entre as gerações mais jovens, impulsionadas por K-Pop e anime, podem favorecer uma reconciliação. Enquanto isso, a política conservadora em ambos os países resiste a qualquer forma de aproximação, e as questões do passado continuam a influenciar as decisões atuais. A rejeição da Coreia do Sul à proposta militar é um sinal da fragilidade das alianças na região, onde os jovens estão mais abertos ao diálogo, mas as gerações mais velhas permanecem cautelosas. A situação entre Coreia do Sul e Japão reflete as complexidades das relações internacionais, especialmente com a influência da China e a rivalidade com os Estados Unidos.

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