Coreia do Norte lucra bilhões com presença militar na Rússia

A Coreia do Norte pode ter arrecadado até 14,4 bilhões de dólares com a venda de tropas e armamentos para a Rússia, em meio a tensões geopolíticas.

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16/03/2026, 22:40

Autor: Felipe Rocha

Uma ilustração impactante mostra um mapa da Coreia do Norte e da Rússia, com cercas de arame farpado envolvendo as duas nações. Mísseis são lançados do território norte-coreano enquanto uma caixa registradora, simbolizando a riqueza proveniente do comércio de armas e tropas, está cheia de dólares. Em destaque, pessoas em fila diante de uma loja vazia, simbolizando a pobreza da população norte-coreana, contrastando com o cenário de riqueza e poder militar.

A Coreia do Norte está em uma posição financeira mais forte do que em muitos anos, com estimativas apontando que o regime de Kim Jong Un pode ter arrecadado até 14,4 bilhões de dólares ao fornecer tropas e armamentos para a Rússia. Este valor significativo surge em um contexto onde as sanções econômicas internacionais estão cada vez mais severas e a Rússia enfrenta dificuldades em acessar mercados globais para vender seu petróleo. Essa situação levanta dúvidas sobre como um país sob sanções como a Coreia do Norte consegue prosperar em um ambiente geopolítico tão adverso e hostil.

O certo é que a relação entre a Coreia do Norte e a Rússia se fortaleceu nas últimas semanas, especialmente desde o início da invasão da Ucrânia. A Rússia, que luta para ter acesso a recursos e financiar suas operações militares, vê na Coreia do Norte um parceiro potencial. Em troca, a Coreia do Norte não apenas recebe dinheiro, mas também se beneficia em termos de tecnologia militar e suporte estratégico. Desde o início do conflito ucraniano, a Rússia tem procurado diversificar seus fornecedores de produtos e armamentos, e a Coreia do Norte se apresenta como uma opção viável.

Por outro lado, observadores críticos apontam que, embora o regime de Kim Jong Un possa estar acumulando riquezas, a maioria da população norte-coreana não tem acesso a esses recursos. Muitos afirmam que esse dinheiro é usado para fortalecer o aparato militar e aumentar a repressão interna, enquanto a população continua a sofrer com a escassez de alimentos e bens essenciais. Assim, a promessa de um crescimento econômico gerado pela relação com a Rússia não se reflete na vida cotidiana dos cidadãos norte-coreanos, que, segundo diversas fontes, permanecem em condições precárias.

Um aspecto intrigante é como essas transações estão sendo realizadas em um contexto onde a maioria dos métodos de pagamento tradicionais está bloqueada devido a sanções internacionais. A Coreia do Norte, ao que tudo indica, tem desenvolvido métodos alternativos para facilitar o comércio, o que pode incluir o uso de criptomoedas ou redes clandestinas para garantir que as necessidades financeiras do regime sejam atendidas. A capacidade de manter o fluxo de recursos financeiros nessa lógica de isolamento ressalta a habilidade do regime para navegar em um ambiente difícil, aberto a novas oportunidades, mesmo em tempos de crise.

A análise desse cenário levanta questionamentos sobre o papel das potências internacionais nas dinâmicas de comércio militar e político. Enquanto a Rússia tenta mascarar suas necessidades de recursos em meio a sanções, a Coreia do Norte parece ser uma ponte crucial para garantir um fluxo de capital que, de outra forma, estaria perdido. A interdependência criada entre esses dois países é uma demonstração clara de como, em tempos de crise, parcerias inesperadas podem surgir, refletindo uma geopolítica em constante mudança.

Além disso, tem-se discutido o impacto que essa colaboração pode ter na estabilidade da região. A ascensão financeira da Coreia do Norte, combinada com armamentos avançados, pode representar uma ameaça não apenas para os vizinhos imediatos, como a Coreia do Sul e o Japão, mas também para o equilíbrio de poder na Ásia e mundialmente. A capacidade da Coreia do Norte de potencializar sua força militar em tempos de necessidade pode ser uma fonte de preocupação nas reuniões internacionais sobre segurança e defesa, onde a busca por desescalada e diálogo é sempre predominante.

A Coreia do Norte parece estar tirando proveito do caos global e, ao mesmo tempo, mostrando uma resiliência impressionante em meio às adversidades. Essa situação ressalta a complexidade do comércio global de armas e a moralidade que envolve a venda de armamentos e força militar em um mundo que clama por paz. À medida que as tensões aumentam e a guerra na Ucrânia continua, a atenção global se voltará para como essa aliança poderá evoluir e quais repercussões isso terá para a segurança e estabilidade mundial. Assim, o futuro das relações entre a Rússia e a Coreia do Norte não apenas moldará a política no Leste Asiático, mas também poderá ter um impacto duradouro em todo o mundo.

Fontes: BBC, Reuters, The Guardian, Al Jazeera, Foreign Policy

Resumo

A Coreia do Norte está em uma posição financeira mais forte, com estimativas de arrecadação de até 14,4 bilhões de dólares ao fornecer tropas e armamentos para a Rússia, que enfrenta dificuldades devido a sanções econômicas. A relação entre os dois países se fortaleceu desde o início da invasão da Ucrânia, com a Coreia do Norte se beneficiando em termos de dinheiro e tecnologia militar. No entanto, a população norte-coreana continua a sofrer com a escassez de alimentos, enquanto os recursos são direcionados para o fortalecimento militar. A Coreia do Norte tem desenvolvido métodos alternativos de comércio, como criptomoedas, para contornar as sanções. Essa interdependência levanta questões sobre o papel das potências internacionais e o impacto na estabilidade regional, especialmente para países vizinhos como Coreia do Sul e Japão. A ascensão financeira da Coreia do Norte em meio ao caos global destaca a complexidade do comércio de armas e suas implicações para a segurança mundial.

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