Coreia do Norte ameaça atacar se Kim Jong-un for assassinado

A recente revisão constitucional na Coreia do Norte estabelece um protocolo nuclear que ameaça retaliação se Kim Jong-un for morto, intensificando tensões globais.

Pular para o resumo

08/05/2026, 11:06

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma cena dramática e intensa do líder norte-coreano Kim Jong-un em um cenário sombrio, cercado por mísseis nucleares e soldados em posição de ataque. O fundo mostra um céu tempestuoso, simbolizando a tensão e a incerteza do futuro. Destacam-se expressões de ansiedade e lealdade entre os guardas ao seu redor, refletindo a dualidade de poder e medo.

Na última semana, a Coreia do Norte fez uma declaração alarmante ao anunciar que qualquer assassinato de Kim Jong-un resultará em um ataque nuclear automático, de acordo com uma nova emenda à sua constituição. A mudança foi oficialmente adotada em 22 de março durante a 15ª Assembleia Popular Suprema em Pyongyang, marcando um desdobramento significativo na política externa do país e instigando preocupações a nível internacional sobre as reais intenções de uma das nações mais isoladas do mundo.

O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul divulgou que a emenda estabelece um mecanismo para um ataque nuclear retaliatório caso o sistema de comando e controle da Coreia do Norte seja ameaçado. O artigo revisado da política nuclear afirma: “Se o sistema de comando e controle sobre as forças nucleares do estado estiver em perigo devido a ataques de forças hostis, um ataque nuclear será lançado automaticamente e imediatamente.” Essa disposição vem em meio a um contexto global de instabilidade política e militar crescente, e reflete não apenas uma preocupação interna, mas uma estratégia desesperada para manter a relevância e o poder por parte de um regime que frequentemente encontra desafios às suas táticas.

O professor de história e relações internacionais Andrei Lankov, da Universidade Kookmin em Seul, observou que essa nova emenda não é apenas uma reafirmação de uma política voltada para a retaliação, mas um sinal de maior preocupação com as vulnerabilidades do regime norte-coreano diante de possíveis ações externas, especialmente após a eliminação de líderes do Oriente Médio em ataques orquestrados por potências ocidentais como os Estados Unidos e Israel. Segundo ele, a Coreia do Norte teme que a eficiência destes ataques possa inspirar uma ação similar contra Kim.

Analistas ressaltam que, por mais radical que a declaração possa parecer, pode haver um entendimento tácito dentro do regime de que a retaliação nuclear, como uma escolha, pode não ser viável. Com a história recente mostrando a queda de outros líderes e regimes sob pressão externa, a retórica agressiva pode servir mais como uma ferramenta de intimidação do que como uma intenção genuína de execução. Um comparativo pertinente é a mudança na dinâmica da Coreia do Sul, que sob a liderança de Moon Jae-in buscou uma aproximação com o Norte, sugerindo que a queda de Kim poderia ser vista como uma oportunidade para reestabelecer laços pacíficos, e não o oposto.

Além disso, ao articular tais ameaças, a Coreia do Norte revela um desejo de manter a atenção do mundo sobre suas ações. Observadores internacionais notam que, em um momento em que a mídia se concentra em conflitos como o da Rússia na Ucrânia ou as tensões no Oriente Médio, a nação pode estar fazendo um esforço consciente para reafirmar sua presença no cenário global. Essa busca por relevância parece refletir uma combinação de insegurança interna e vontade de evitar ser eclipsada por outras crises geopolíticas.

A questão da lealdade e da sucessão no regime norte-coreano é outro ponto crítico que suscita discussões acaloradas. Kim Jong-un sempre se apresentou como o herdeiro da dinastia Kim, e qualquer movimento que pudesse ser interpretado como uma fraqueza poderia desencadear uma luta interna pelo poder. Comentários em todo o espectro político enfatizam que a resposta dos líderes e do exército ao decreto da nova constituição pode ser significativa. Existe uma crença mútua de que, com a morte de Kim, não haveria um comprometimento semelhante entre os leais e novos líderes, que poderiam ter uma visão diferente para o futuro da Coreia do Norte em termos de sua política nuclear e relacionamento com o resto do mundo.

A posição da China, como um dos principais aliados da Coreia do Norte e responsável por um papel moderador em qualquer potencial conflito terrestre, também não pode ser ignorada. Analistas profissionais apontam que, historicamente, a China tem sido cautelosa em permitir que a Coreia do Norte se envolva em ações altamente provocativas que poderiam resultar em uma reação militar dos Estados Unidos ou seus aliados, temendo que a instabilidade no Norte possa ressoar em suas próprias fronteiras. A administração chinesa, portanto, deve observar atentamente os desdobramentos desta nova política, pois sua aceitação ou oposição pode moldar o futuro do regime e suas atividades militares.

Em suma, a emenda à constituição da Coreia do Norte não é apenas uma curiosidade legal, mas um reflexo de um estado muito mais complexo de tensões, temores e cálculos racionais que caracterizam a política internacional contemporânea. O futuro da região e as potências globais envolvidas dependem não apenas das ações de Kim Jong-un, mas das respostas que a comunidade internacional (especialmente os EUA e a China) decidirá tomar para desescalar a situação e criar um ambiente mais seguro para todos. As implicações do recente anúncio norte-coreano podem se estender muito além de suas fronteiras, afetando o equilíbrio de poder na Ásia e além, já que todos os olhos se voltam para Pyongyang e sua capacidade de manter sua evolução militar e política sob controle.

Fontes: The Telegraph, Newsweek

Resumo

Na última semana, a Coreia do Norte anunciou uma emenda à sua constituição que estabelece um ataque nuclear automático em resposta ao assassinato de Kim Jong-un. A mudança, adotada durante a 15ª Assembleia Popular Suprema em Pyongyang, levanta preocupações internacionais sobre as intenções do regime. O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul informou que a emenda permite uma retaliação nuclear imediata se o sistema de comando do país for ameaçado. Especialistas, como o professor Andrei Lankov, observam que essa declaração reflete a vulnerabilidade do regime e um desejo de manter a relevância no cenário global, especialmente em meio a outras crises. A retórica agressiva pode ser mais uma ferramenta de intimidação do que uma intenção real de ataque. A lealdade interna e a sucessão no regime são questões críticas, com a possibilidade de uma luta pelo poder caso Kim seja removido. A posição da China como aliado da Coreia do Norte também é fundamental, pois seu papel pode influenciar a estabilidade da região. Assim, a nova emenda é um reflexo das complexas tensões que permeiam a política internacional contemporânea.

Notícias relacionadas

Uma imagem impactante mostrando a tensão geopolítica no Oriente Médio, com navios petroleiros no mar sob um céu escuro e ameaçador, simbolizando a instabilidade e a incerteza no cenário político entre os Estados Unidos, Arábia Saudita e Irã.
Política
Arábia Saudita expressa preocupações sobre ações de Trump em relação ao Irã
Funcionários sauditas manifestaram temores sobre possíveis retaliações do Irã frente ao Projeto Liberdade idealizado por Trump, evidenciando desconfiança em sua postura militar.
08/05/2026, 22:55
Imagem do Estreito de Malaca com navios de carga em movimento, ao fundo, um céu dramático que reflete tensões geopolíticas. Em primeiro plano, uma bandeira da Indonésia e da Malásia, simbolizando a parceria e as novas imposições de pedágio naval.
Política
Indonésia e Malásia discutem pedágio no Estreito de Malaca
Indonésia e Malásia estudam novas taxas para navegação no Estreito de Malaca, gerando inquietação no comércio global e aumento de tensões marítimas.
08/05/2026, 20:17
Uma imagem impactante de Melania Trump em um evento público, com um semblante pensativo e cercada por uma multidão, juxtaposta a uma pilha de livros e cartazes com mensagens motivacionais, simbolizando a crítica aos seus esforços de comunicação e escrita.
Política
Melania Trump falha na comunicação ao criticar campanha de Michelle Obama
Melania Trump enfrenta críticas após tentativa de substituir campanha de Michelle Obama com mensagem controversa e confusa que não agradou ao público.
08/05/2026, 20:03
Uma representação vibrante do Parlamento da Virgínia em discussão, com membros da oposição e da maioria em fervoroso debate, destacando um quadro que simboliza a divisão política. O fundo deve ser uma colagem de elementos, incluindo mapas dos distritos e símbolos de ambas as partes, refletindo a complexidade do redistritamento e a paixão do debate democrático.
Política
Democrata Jefferies intensifica pressão por redistritamento em Virgínia
Líder democrata na Câmara, Hakeem Jefferies, destaca plano de redistritamento para 2028, buscando reverter estratégias do GOP após decisões da Suprema Corte na Virgínia.
08/05/2026, 20:02
A imagem mostra um protesto no qual um grupo diverso de pessoas, incluindo indivíduos trans e aliados, segura cartazes com mensagens sobre direitos humanos e igualdade. O fundo é uma cidade moderna em dia ensolarado, simbolizando esperança e luta. As expressões do grupo variam de determinação a otimismo, refletindo a importância da inclusividade e do respeito às diferentes identidades.
Política
Casa Branca amplia definição de contraterrorismo incluindo pessoas trans
A nova política de contraterrorismo da administração Biden visa grupos considerados radicais, incluindo pessoas trans, provocando preocupações de discriminação.
08/05/2026, 20:00
Uma imagem chamativa de um executivo da ABC com um semblante preocupado em frente a uma tela de TV mostrando a Casa Branca. Ao fundo, manifestantes segurando cartazes em apoio à liberdade de expressão. A cena é intensificada por iluminação dramática, destacando a tensão do momento e simbolizando a batalha entre a mídia e o governo.
Política
ABC enfrenta acusações de violação de liberdade de expressão sob Trump
A ABC enfrenta um dilema jurídico após acusações de violação da liberdade de expressão, intensificando debates sobre a política de mídia do governo Trump.
08/05/2026, 19:59
logo
Avenida Paulista, 214, 9º andar - São Paulo, SP, 13251-055, Brasil
contato@jornalo.com.br
+55 (11) 3167-9746
© 2025 Jornalo. Todos os direitos reservados.
Todas as ilustrações presentes no site foram criadas a partir de Inteligência Artificial