16/03/2026, 12:50
Autor: Felipe Rocha

No dia 2 de outubro de 2023, o Conselho Norueguês do Consumidor lançou um relatório que acende um alerta sobre a enshittificação da internet, um termo que se refere ao processo de degradação da qualidade de produtos e serviços digitais devido à priorização do lucro em detrimento do bem-estar do consumidor. Este fenômeno, segundo a percepção da organização, é uma consequência direta da estrutura atual do mercado digital, que favorece as grandes corporações e prejudica a competitividade das pequenas empresas. O relatório, intitulado "Caminhos para um Futuro Tecnológico Justo", traz à tona questões complexas que precisam ser navegadas em um cenário em que a regulamentação, a inovação e a defesa do consumidor se entrelaçam de maneira crítica.
Com o crescimento avassalador de serviços digitais "gratuitos", a nocividade desse fenômeno torna-se ainda mais evidente. O estudo sublinha a dificuldade em regular essas ofertas, que muitas vezes escondem sistemas de monetização que não beneficiam o consumidor a longo prazo. Um dos comentários recebidos na discussão sobre o relatório aponta que a manutenção de um mercado aberto e competitivo pode ser a solução mais eficaz para combater esse tipo de degradação da qualidade. O crítico menciona que, se pequenas empresas forem devidamente apoiadas e protegidas, será mais fácil para elas competir contra os gigantes corporativos que frequentemente priorizam os lucros em detrimento da qualidade.
No entanto, a realidade é que o capitalismo corporativo muitas vezes reflete um sistema quebrado. Segundo alguns especialistas, as plataformas digitais operam sob a lógica de que o lucro é mais importante que o consumidor, uma situação que perpetua a enshittificação. O relatório do Conselho Norueguês do Consumidor sugere uma regulamentação mais rigorosa e medidas que assegurem a proteção dos direitos dos consumidores e promovam um ambiente digital mais saudável e justo.
Um dos principais desafios que surgem na discussão sobre como impedir essa deterioração é a complexidade das políticas envolvidas. A exigência de um maior investimento em recursos para superar esses obstáculos foi mencionada em diversos comentários. A ideia de que uma abordagem política mais robusta pode ajudar a transformar essa realidade é vista como uma necessidade urgente por muitos.
Além disso, o levantamento detalha cinco sessões importantes: "A internet que queremos", "O que é enshittificação?", "Como a enshittificação acontece?", “A IA generativa é a próxima fronteira da enshittificação” e "Um caminho para reviver a internet: recomendações de políticas". Essas seções oferecem uma análise abrangente e acessível sobre o fenômeno, proporcionando aos tomadores de decisões uma base para desenvolver estratégias eficazes de regulamentação.
O relatório também menciona que, embora a Noruega não seja membro da União Europeia, o país planeja implementar medidas de controle baseadas em experiências anteriores, incluindo um sistema que poderia funcionar como barreira de verificação para acesso digital. Um ponto que merece destaque é a preocupação com a privacidade e a cibersegurança, que, segundo os críticos, podem não receber a atenção adequada de políticas governamentais mais abrangentes.
Para muitos, a enshittificação da internet não é apenas uma questão de qualidade, mas uma questão de direitos do consumidor. As vozes que defendem essa perspectiva argumentam que, sem intervenção, os consumidores continuarão a ser vítimas de produtos e serviços que não atendem às suas necessidades básicas. A defesa de um mercado livre muitas vezes é contestada pela evidência de que o livre mercado, em sua forma mais pura, não garante necessariamente inovação ou produtos superiores àqueles oferecidos por grandes corporações. Ao contrário, o relatório sugere que a aplicação de regulamentações que favoreçam a concorrência e impeçam práticas monopolistas seriam passos cruciais para reverter essa tendência negativa.
Em síntese, o relatório do Conselho Norueguês do Consumidor representa um chamado à ação, não apenas para os reguladores internos, mas para toda a sociedade, para repensar o que queremos da internet e da tecnologia que consumimos. À medida que enfrentamos um futuro dominado por inteligência artificial e serviços digitais, a necessidade de garantir que esses avanços tecnológicos ocorram de maneira ética, transparente e justa se torna ainda mais crítica. Para que possamos construir uma internet melhor, é essencial que os defensores dos direitos dos consumidores e os formuladores de políticas se unam na luta por uma estrutura de mercado que priorize a qualidade e o bem-estar em vez do lucro a curto prazo.
Fontes: Folha de São Paulo, The Guardian, Financial Times
Detalhes
O Conselho Norueguês do Consumidor é uma entidade governamental da Noruega responsável por proteger os direitos dos consumidores e promover práticas de mercado justas. A organização realiza pesquisas, elabora relatórios e atua na defesa dos interesses dos consumidores em diversas áreas, incluindo serviços digitais, segurança e qualidade dos produtos.
Resumo
No dia 2 de outubro de 2023, o Conselho Norueguês do Consumidor divulgou um relatório que alerta para a "enshittificação" da internet, um termo que descreve a degradação da qualidade dos serviços digitais em função da priorização do lucro. O documento, intitulado "Caminhos para um Futuro Tecnológico Justo", destaca como o atual mercado digital favorece grandes corporações em detrimento de pequenas empresas, dificultando a concorrência. O relatório enfatiza a necessidade de regulamentações mais rigorosas para proteger os direitos dos consumidores e promover um ambiente digital saudável. Além disso, menciona que a Noruega, embora não seja parte da União Europeia, planeja implementar medidas de controle digital baseadas em experiências passadas. A preocupação com a privacidade e a cibersegurança também é destacada, com especialistas argumentando que a intervenção é essencial para garantir que os consumidores não sejam prejudicados por práticas monopolistas. O documento conclama a sociedade a repensar o futuro da internet e a importância de uma abordagem ética e transparente em relação à tecnologia.
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