06/05/2026, 18:05
Autor: Felipe Rocha

O Cinemark encontra-se no centro de uma controvérsia após a divulgação de que o filme de animação "Zuzubalândia", previsto para 2024, foi exibido impressionantes 17.237 vezes em 2026. O filme, no entanto, conseguiu atrair meros 1.882 espectadores, resultando em uma média alarmante de apenas 0,1 visitante por exibição. Essa situação expõe não apenas a fragilidade da Cota de Tela, requisito legal que estipula uma porcentagem mínima de exibições para filmes nacionais nos cinemas, mas também acende um debate sobre a eficácia de tal regulamentação na promoção e fortalecimento do cinema nacional.
A Cota de Tela foi instituída com a intenção de garantir mais oportunidades para os filmes brasileiros nas salas de cinema, mas o uso que o Cinemark vem fazendo dessa regra pode indicar um desvio de finalidade. Críticos da medida argumentam que simplesmente exigir tempo de exibição para filmes nacionais, sem uma estratégia clara para formação de público, resulta em salas vazias e na satisfação de requisitos legais, sem, porém, promover o entretenimento e a cultura desejados. O que deveria ser um apoio ao cinema brasileiro se transforma em um artifício para que as distribuidoras internacionais dominem as bilheteiras.
Os cinemas existem para exibir filmes e oferecer entretenimento ao público, mas o que acontece quando as programações se desvirtuam e se tornam uma mera formalidade? O Cinemark, ao continuar a exibir "Zuzubalândia" em horários matutinos e com pouca publicidade, parece ter encontrado uma forma de atender à Cota de Tela sem estar realmente comprometido com o sucesso do filme. O propósito do programa, segundo fontes da indústria, deveria ser facilitar um acesso mais amplo e criar uma audiência para o cinema nacional, mas a prática adotada pelo Cinemark pode dizer o contrário.
A questão se complica quando se analisa o cenário que rodeia os cinemas. Atualmente, a indústria cinematográfica se prepara para uma série de lançamentos de grandes blockbusters. Títulos altamente aguardados, como o novo filme do Homem-Aranha e "Duna 3", prometem revigorar o fluxo de público nas bilheteiras. Esse contexto pode ter levado o Cinemark a apressar o cumprimento de sua obrigação com a Cota de Tela, exibindo "Zuzubalândia" de forma massiva, sem qualquer preocupação em promover uma verdadeira cultura cinematográfica.
De acordo com uma investigação realizada pela Folha, que assistiu a quatro sessões do filme em dias diferentes, todas as salas estavam completamente vazias, evidenciando a falta de interesse do público. Este fenômeno não é exclusivamente sobre "Zuzubalândia", mas ilustra um problema maior que aflige a indústria do cinema em todo o Brasil: a dificuldade de se criar e manter um público fiel e engajado com produções nacionais. A falta de programações diversificadas e a escassez de filmes dublados, que ainda dominam grande parte da oferta cinematográfica, são apontadas como barreiras à popularização dos filmes nacionais.
Em resposta às críticas, o Cinemark afirmou que "Zuzubalândia" está sendo exibido como parte do Programa Escola, um projeto desenhado para trazer estudantes a sessões de cinema. Contudo, a instituição não esclareceu por que apenas esse filme faz parte da iniciativa, especialmente quando as regras permitem que qualquer filme possa ser selecionado, contanto que haja permissão da distribuidora. Esse ponto levanta novos questionamentos e críticas sobre a transparência das decisões da rede de cinemas.
Enquanto isso, a busca por um cinema melhor e mais representativo permanece. A indústria precisa urgentemente de diálogos construtivos que levem em consideração o que poderia realmente captar e engajar o público em torno do cinema nacional. Filmes que representem a diversidade e a cultura brasileira com qualidade e acessibilidade são essenciais para reverter a tendência atual de desinteresse.
Sem um comprometimento real com uma programação que reflita o que há de melhor no Brasil, e sem uma visão clara que envolva o público, a luta para fortalecer o cinema nacional terá um longo caminho pela frente. A situação do Cinemark com "Zuzubalândia" deve servir de alerta para todos na indústria. A legislação, por mais que tenha boas intenções, precisa ser revisada e adaptada para garantir que os cinemas possam se comprometer de fato com a proposta de promover e distribuir filmes brasileiros de qualidade.
A esperança é que, com mais diálogo e ações assertivas, a indústria possa revitalizar não só a exibição de filmes, mas também a relação com o público brasileiro, criando não apenas espectadores, mas verdadeiros apreciadores da sétima arte e tudo o que ela tem a oferecer.
Fontes: Folha de São Paulo, Agência Nacional do Cinema (Ancine)
Detalhes
O Cinemark é uma das principais redes de cinemas no Brasil, conhecida por oferecer uma ampla gama de filmes, incluindo lançamentos de grandes estúdios internacionais. A empresa se destaca por sua infraestrutura moderna e pela experiência de cinema que proporciona aos espectadores, com salas equipadas com tecnologia de ponta. Além de exibições de filmes, o Cinemark também promove eventos especiais e iniciativas como o Programa Escola, que busca incentivar o público jovem a frequentar as salas de cinema.
Resumo
O Cinemark enfrenta críticas após exibir o filme "Zuzubalândia" 17.237 vezes em 2026, atraindo apenas 1.882 espectadores, o que resulta em uma média de 0,1 visitante por exibição. Essa situação levanta questionamentos sobre a eficácia da Cota de Tela, que visa aumentar a exibição de filmes nacionais nos cinemas. Críticos argumentam que a aplicação dessa regra pelo Cinemark pode estar desviando seu propósito original, favorecendo distribuidoras internacionais em vez de promover o cinema brasileiro. A falta de público para "Zuzubalândia" reflete um problema maior da indústria cinematográfica no Brasil, que luta para engajar o público com produções nacionais. O Cinemark defendeu a exibição do filme como parte do Programa Escola, mas não explicou por que apenas este filme foi selecionado. A situação destaca a necessidade de um compromisso real com a programação que represente a diversidade cultural brasileira e a urgência de diálogos construtivos para revitalizar o interesse pelo cinema nacional.
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