03/04/2026, 23:42
Autor: Ricardo Vasconcelos

A recente pesquisa de aprovação global realizada pela Gallup revelou uma virada histórica nas opiniões mundiais sobre a liderança da China e dos Estados Unidos. Em 2025, pela primeira vez em quase duas décadas, a China superou os Estados Unidos em termos de classificação de aprovação, alcançando 36% em comparação com 31% dos EUA. Essa mudança não apenas reflete um crescimento nas expectativas em relação à China, mas também uma queda substancial na percepção dos Estados Unidos, o que levanta importantes questões sobre o futuro da liderança global e as dinâmicas de poder.
Segundo a pesquisa da Gallup, 48% da população mundial desaprova a liderança dos Estados Unidos, marcando um novo recorde. Em contrapartida, a taxa de desaprovação da China se manteve estável em 37%, revelando um panorama comparativo interessante. Os analistas atribuem essa mudança a uma combinação de fatores, incluindo a deterioração da imagem dos Estados Unidos entre aliados tradicionais e o crescente papel da China no cenário geopolítico mundial.
Um comentário notável aponta que a diferença nas expectativas é um fator crucial nesse contexto. Os Estados Unidos, com um histórico de liderança global, são avaliados com base em padrões de contenção e moralidade, enquanto a China é julgada com base em sua capacidade de realizar ações diretas e pragmáticas que atendem aos seus interesses. Isso sugere que, enquanto os EUA enfrentam uma severidade nas críticas, a abordagem mais assertiva da China pode estar sendo vista sob uma luz mais favorável, independente das questões éticas que possam envolver suas políticas.
Além disso, a pesquisa revela que os erros percebidos da política externa dos EUA, especialmente na América do Sul e no Oriente Médio, são fontes de frustração entre antigos aliados. A contínua abordagem dos Estados Unidos em oferecer suporte militar a aliados sob demanda pode estar criando um ambiente propício para a China expandir sua influência econômica. Um dos comentários na pesquisa menciona que "a China lidera com seu bolso", insinuando que o poder econômico se mostrou um instrumento mais eficaz do que a oferta militar ao longo da história.
Essa análise também destaca a relação entre investimento e armamento, evocando a ideia de que a tradição imperial sempre está intrinsicamente ligada a esses dois aspectos. Muitos especialistas sugerem que a nova era de poderizaão global pode não ser mais sobre quem possui as armas mais potentes, mas sim sobre quem consegue se integrar melhor no tecido econômico global. A ascensão da China pode ser um reflexo de sua habilidade em moldar suas parcerias com base em investimentos e comércio, ao invés de simplesmente por meio de intervenções militares.
Por outro lado, a reputação da China continua a ser um tópico controverso, onde as percepções variam amplamente. Enquanto alguns defendem que a posição da China é justificada frente aos erros dos EUA, outros expressam preocupação com a falta de transparência e o autoritarismo do Partido Comunista Chinês. Essa dicotomia na percepção global sugere que o aumento da aprovação da China não é universal, e provavelmente à medida que os dados se desdobram, a complexidade da opinião pública se tornará mais evidente.
Uma análise de tendências sugere que a ascensão da China nas classificações de aprovação também pode ser como uma oportunidade para os líderes dos EUA reconsiderarem suas abordagens. Em vez de se concentrar apenas em competitividade militar, pode ser imperativo que os Estados Unidos busquem uma nova forma de se apresentar no cenário internacional – uma que priorize a diplomacia, o comércio justo e a colaboração em questões globais pressing, como mudanças climáticas e pandemias.
Assim, o resultado desse enigmático levantamento de dados é claro: a competição entre as potências globais não se limita a estratégias militares e rivalidades históricas. O sucesso futuro pode depender mais da habilidade de influenciar por meio da economia do que por mostra de força. Portanto, com os dados atuais em mão, os países devem refletir sobre suas trajetórias e considerar como podem moldar o futuro da liderança global em um mundo cada vez mais interconectado. Com essa mudança nas classificações, as implicações para a política internacional prometem ser profundas e de longo alcance, criando novas dinâmicas que aqui se preparam para se chocar nas próximas décadas.
Fontes: Gallup, The New York Times, Foreign Policy, BBC News
Detalhes
A Gallup é uma empresa de pesquisa de opinião pública e análise de dados, conhecida por suas pesquisas sobre atitudes e comportamentos em diversas áreas, incluindo política, economia e saúde. Fundada em 1935, a Gallup utiliza métodos rigorosos para coletar dados e fornecer insights que ajudam a entender as tendências sociais e a opinião pública em todo o mundo.
Resumo
A pesquisa de aprovação global da Gallup revelou uma mudança histórica nas percepções sobre a liderança da China e dos Estados Unidos. Em 2025, a China alcançou 36% de aprovação, superando os 31% dos EUA, marcando a primeira vez em quase duas décadas que isso ocorre. Essa mudança reflete um aumento nas expectativas em relação à China e uma queda na imagem dos EUA, que agora tem 48% de desaprovação, um recorde. Analistas atribuem essa virada à deterioração da imagem americana entre aliados e ao crescente papel da China na geopolítica. A pesquisa sugere que a abordagem pragmática da China está sendo vista de maneira mais favorável, enquanto os EUA enfrentam críticas severas. Além disso, a pesquisa destaca que a capacidade da China de expandir sua influência econômica pode ser mais eficaz do que a oferta militar dos EUA. A reputação da China, contudo, continua controversa, com opiniões divergentes sobre seu autoritarismo e falta de transparência. A análise conclui que a competição global pode depender mais da influência econômica do que da força militar, sugerindo que os EUA devem reconsiderar suas estratégias no cenário internacional.
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