04/05/2026, 20:45
Autor: Laura Mendes

No dia 11 de outubro de 2023, a China anunciou uma nova regulamentação que restringe conteúdos relacionados à ostentação nas redes sociais, resultando no banimento de diversas contas de influenciadores que infringiram as novas diretrizes. A Administração Cibernética Central lançou a iniciativa conhecida como “Limpeza”, que visa a criação de um espaço online mais saudável e responsável, combatendo conteúdos que propagam valores materiais e exibicionistas. Entre os alvos da nova norma estão vídeos curtos e transmitidos ao vivo que promovem uma cultura de consumo excessivo e a chamada “fantasia do enriquecimento rápido”.
Esse movimento não é uma novidade em termos de políticas governamentais na China, pois desde 2024 o país já havia intensificado suas ações contra conteúdos considerados prejudiciais ao bem-estar social e à ética nacional. O foco, desta vez, está na remoção de influenciadores considerados promotores de estilos de vida que contrariam a filosofia do governo, exaltando materiais de luxo e ostentação, com comportamento que pode ser interpretado como um desrespeito aos valores coletivos. Exemplos de contas banidas incluem influenciadores de destaque como Wang Hongquanxing, Baoyu Jiajie e Bai Gongzi, que acumulavam milhões de seguidores e estavam associados à promoção de estilos de vida excessivamente glamorosos.
Como resposta à nova regulamentação, plataformas de mídia social adotaram métodos rigorosos na revisão de conteúdos. Serviços populares como Weibo, Douyin e Xiaohongshu estão dedicando mais recursos para operar dentro da nova estrutura de regras. A abordagem integral também pretende conter comportamentos que incluem a exibição de produtos caros, discriminação entre usuários, engano e apelos à opressão financeira, características observadas nos conteúdos de influenciadores banidos. Além disso, a regulamentação se estende a casos de evasão fiscal e venda de produtos falsificados, com a intenção de criar um ambiente online mais seguro e ético.
Entre as reações ao novo conjunto de regras, existe uma preocupação generalizada sobre a liberdade de expressão na China. Muitos compartilham relatos sobre as dificuldades de viver em um país com censura ativa. Há um forte sentimento entre os cidadãos de que essa nova regulamentação amplifica ainda mais o controle estatal sobre a vida digital e cultural do público. Com algumas vozes se manifestando contrariamente, a ideia de limitar a ostentação gerou sentimentos de tristeza e nostalgia entre aqueles que acreditam na importância de um espaço livre para a expressão individual.
Entretanto, outros veem a medida como uma resposta necessária aos problemas sociais que o consumismo exacerbado pode causar, refletindo uma crescente necessidade de um debate sobre valores e comportamento em sociedade. Os apoiadores da restrição argumentam que o culto à riqueza e à ostentação tem efeito corrosivo na moral pública, promovendo um padrão de comparação que instiga insatisfação e ansiedade. Eles acreditam que as novas políticas podem estimular um foco em valores essenciais e virtudes sociais, em vez do status material.
Adicionalmente, essa política é vista por alguns como um reflexo de uma longa trajetória de governança na China, caracterizada pela tentativa de orientar comportamentos sociais e culturais em direção a um ideal coletivo e sustentável. Para muitos, a lógica da nação duradoura consiste em preservar uma visão coesa da sociedade frente às incertezas trazidas pelo capitalismo global.
Perspectivas futuras sobre o ciberespaço da China permanecem incertas. A crescente regulamentação pode não apenas limitar influenciadores e conteúdos de ostentação, mas também inspirar um amplo debate sobre a liberdade individual, proteção de dados e a dinâmica do poder entre o estado e os cidadãos na era digital. Com essa servidão da liberdade de expressão sob os holofotes, a sociedade chinesa provavelmente enfrentará novos dilemas éticos enquanto navega nesse novo normal de governança cibernética.
Assim, enquanto a luta entre regulamentação estatal e a liberdade de expressão continua a afetar a vida digital do público, a China busca consolidar um futuro que, segundo suas autoridades, prioriza a moralidade e a harmonia social em detrimento da ostentação e do individualismo exacerbado. O que vem a seguir nesse cenário regulatório continua a ser um campo fértil para discussões acaloradas sobre o futuro do ciberespaço, direitos individuais e as implicações do controle social nas mídias digitais.
Fontes: Folha de São Paulo, The Guardian, CNN, Reuters, TechCrunch
Resumo
No dia 11 de outubro de 2023, a China implementou uma nova regulamentação que proíbe conteúdos relacionados à ostentação nas redes sociais, resultando no banimento de várias contas de influenciadores. A Administração Cibernética Central lançou a iniciativa “Limpeza”, visando criar um ambiente online mais saudável, combatendo a promoção de estilos de vida extravagantes e a cultura do consumo excessivo. A nova norma se alinha a ações anteriores do governo, que já havia intensificado medidas contra conteúdos prejudiciais ao bem-estar social. Influenciadores como Wang Hongquanxing e Baoyu Jiajie, que promoviam estilos de vida glamorosos, foram alvos da regulamentação. Em resposta, plataformas como Weibo e Douyin implementaram revisões rigorosas de conteúdo. A regulamentação gerou preocupações sobre a liberdade de expressão na China, com muitos cidadãos expressando descontentamento em relação ao controle estatal sobre a vida digital. Enquanto alguns veem a medida como necessária para combater o consumismo, outros temem que isso limite a expressão individual. O futuro do ciberespaço na China permanece incerto, com um debate crescente sobre a dinâmica entre o estado e os cidadãos.
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