07/04/2026, 14:24
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em 26 de setembro de 2023, China e Rússia exerceram seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, derrubando uma resolução que tinha como objetivo fortalecer a proteção da navegação comercial no Estreito de Hormuz. Esta decisão acende novas preocupações sobre a segurança na região, que é um dos corredores mais importantes para o transporte marítimo de petróleo do mundo. Não apenas isso, mas também enfatiza a crescente rivalidade entre as potências ocidentais e os aliados do Oriente, em um tempo onde as tensões geopolíticas aumentam rapidamente.
O Estreito de Hormuz serve como uma via crucial através da qual cerca de 20% do petróleo mundial é transportado. No entanto, a abordagem da China e da Rússia em relação à resolução sugere uma estratégia deliberada para reafirmar sua influência na região, em meio a um clima de descontentamento crescente com as políticas dos EUA e seus aliados no Oriente Médio. De acordo com analistas, este veto pode ser interpretado como um movimento para desestimular a pressão ocidental e aumentar a autonomia dos países que estão sob sanções, especialmente Irã e Venezuela.
A proposta original, apresentada pelo Barein, visava a coordenação entre as nações para garantir a segurança das rotas marítimas, algo que os dois países vetantes enxergam como uma tentativa de minar suas próprias posições estratégicas. Vários comentários feitos na onda desta votação ressaltam que a postura da China e da Rússia pode ser vista como uma maneira de reafirmar suas alianças com o Irã, ao mesmo tempo que sinaliza aos EUA que suas estratégias podem não estar funcionando como planejado.
Um dos comentaristas apontou que essa situação remete à antiga máxima de "não interrompa seu inimigo enquanto comete um erro", o que pode estar em pleno efeito no que diz respeito à maneira como o conflito tem sido gerido na região, especialmente após o aumento das hostilidades por parte dos EUA contra o Irã. Essa posição dos dois países poderia ser vista como uma forma de deixar que o Irã mantenha sua capacidade de resistir à pressão externa, favorecendo uma situação onde o país não só sobrevive, mas ainda pode emergir fortalecido de um cenário adverso.
A guerra no Oriente Médio, especialmente no contexto do Irã, é um terreno fértil para a complexidade, considerando as nuances do envolvimento internacional. O fechamento do Estreito de Hormuz poderia potencialmente desestabilizar os interesses de seus maiores oponentes. Além disso, a hipótese de que a atual administração dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, esteja na verdade se colocando em um papel que beneficie a Rússia e a China, se intensifica. Economistas e analistas políticos discutem que tal situação não só foi benéfica para a Rússia, que tem visto suas sanções severamente reduzidas, mas também para a China, que cresce em influência global enquanto os EUA se vêem cada vez mais distraídos por suas próprias crises internas.
Por outro lado, a percepção de que a resposta dos países da Europa e do Oriente Médio tem sido inadequada em face de tal desencadeamento de ações pelos EUA e seus aliados também é um ponto de discórdia. Observadores mencionam que a falta de uma posição unida pode acabar custando caríssimo em termos de segurança e estabilidade na região. Comentários sublinham a "apatia europeia" face a uma situação que poderia se tornar mais crítica, colocando em risco não apenas a navegação, mas também a economia global, dada a dependência do petróleo do Oriente Médio.
Enquanto isso, a votação no Conselho de Segurança lança dúvidas sobre a eficácia das instituições internacionais em lidar com crises contemporâneas. A possibilidade de um impasse, onde apenas dois países têm a capacidade de inviabilizar uma proposta apresentada por 11 outros membros, levanta questionamentos sobre a estrutura de governança global e a relevância do multilateralismo no século XXI.
À medida que a situação no Estreito de Hormuz continua a evoluir, fica claro que decisões estratégicas tomadas hoje poderão ter repercussões significativas amanhã. A dinâmica entre os grandes poderes — EUA, Rússia e China — não apenas molda as relações internacionais, mas também pode determinar o curso de conflitos regionais e sua resolução. O cenário atual indica que se preparar para futuras turbulências será crucial, não apenas para garantir a navegação no Estreito de Hormuz, mas também para assegurar a paz e a estabilidade a nível global.
Fontes: Folha de São Paulo, BBC, Al Jazeera, The Guardian
Detalhes
O Estreito de Hormuz é uma passagem marítima crucial localizada entre Omã e Irã, sendo responsável por cerca de 20% do petróleo mundial transportado por mar. Essa via é vital para a economia global, pois conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, permitindo o trânsito de petroleiros e outras embarcações comerciais. A segurança nesta região é frequentemente afetada por tensões geopolíticas, especialmente entre potências ocidentais e países do Oriente Médio.
Resumo
Em 26 de setembro de 2023, China e Rússia exerceram seu veto no Conselho de Segurança da ONU, bloqueando uma resolução que visava fortalecer a proteção da navegação comercial no Estreito de Hormuz. Essa decisão levanta novas preocupações sobre a segurança na região, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo. O veto é interpretado como uma estratégia para reafirmar a influência de ambos os países, em um contexto de crescente rivalidade com as potências ocidentais. A proposta, apresentada pelo Barein, buscava coordenação entre nações para garantir a segurança das rotas marítimas, mas foi vista por China e Rússia como uma ameaça às suas posições estratégicas. Analistas sugerem que essa postura pode fortalecer o Irã em face das pressões ocidentais. A situação também destaca a ineficácia das instituições internacionais em enfrentar crises contemporâneas, levantando questões sobre a governança global e a relevância do multilateralismo. À medida que a situação evolui, decisões estratégicas atuais terão repercussões significativas para a paz e a estabilidade global.
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