16/01/2026, 14:46
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em um movimento que promete remodelar as relações comerciais entre Canadá e China, ambos os países anunciaram na última sexta-feira um novo acordo que reduz significativa e temporariamente as tarifas sobre a importação de veículos elétricos (EVs). A mudança, que representa um passo de alívio em um contexto econômico tenso, permitirá que cerca de 49.000 veículos elétricos chineses entrem no mercado canadense, sujeitos a uma tarifa de 6,1%. Este acordo pode indicar uma nova era para as relações comerciais entre o Canadá e a China, especialmente em um cenário onde as relações com os Estados Unidos têm se deteriorado.
Historicamente, o Canadá havia implementado tarifas elevadas de 100% em veículos elétricos importados da China, numa tentativa de proteger sua indústria automotiva local. No entanto, com a mudança nas necessidades econômicas e a pressão para reduzir preços e aumentar a competitividade no setor de veículos elétricos, o governo canadense decidiu reavaliar essa posição. O novo acordo abre as portas para uma gama mais diversificada de carros elétricos no Canadá, onde atualmente os preços dos EVs são considerados elevados e, muitas vezes, acessíveis apenas para uma parcela pequena da população.
Os comentários gerados pela notícia revelaram uma série de reações em relação a essa mudança. Algumas opiniões indicaram que a decisão de permitir a importação de EVs chineses pode ser interpretada como uma estratégia para ampliar as opções para os consumidores e aumentar a competição no mercado interno. Outros, no entanto, se mostraram céticos, ressaltando que a quantidade de veículos permitidos no acordo é baixa em comparação às vendas totais de automóveis no país, que podem representar apenas cerca de 3%. Além disso, há a perspectiva de que a maioria dos novos veículos elétricos no Canadá ainda seria representada por marcas como Tesla, Volvo e Polestar, enquanto os fabricantes de carros chineses poderiam enfrentar desafios consideráveis para atender às exigências de segurança e regulamentação veicular nas Américas.
A decisão de reverter as tarifas de importação também pode ser vista dentro de um contexto político mais amplo, donde se observa uma crescente tensão nas relações canadenses e americanas. Muitos analistas acreditam que as tarifas impostas pela administração anterior dos EUA, em uma tentativa de proteger indústrias locais, acabaram empurrando o Canadá para buscar alternativas além das fronteiras norte-americanas. Este movimento pode ser considerado um reflexo da busca do Canadá por maior autonomia econômica, ao mesmo tempo que busca capitalizar as oportunidades do crescente mercado de energia renovável e veículos elétricos.
Uma das reações mais notáveis a este desenvolvimento foi a observação sobre a retórica política utilizada ao longo do processo. Uma declaração feita no contexto das negociações ressaltou a importância de "conversas diretas", contrastando com abordagens mais agressivas de negociação adotadas anteriormente por líderes de outros países. Tal posicionamento sugere que o Canadá está adotando uma postura diplomática mais sutil na facilidade de seu comércio exterior enquanto busca parcerias estratégicas que beneficiem suas economias.
Ainda que o número de veículos elétricos chineses permitidos seja limitado, a decisão do Canadá pode ter um impacto positivo nas metas ambientais do país. A inclusão de menos EVs caros pode encorajar um maior número de consumidores a optar por esses veículos, contribuindo assim para a redução de emissões de carbono e impulsionando a transição para uma economia mais verde.
Com a crescente demanda global por veículos eletrificados, o ajuste das tarifas com a China pode ser apenas o primeiro passo de uma série de mudanças que podem redefinir o cenário automotivo na América do Norte. À medida que países ao redor do mundo continuam a buscar soluções sustentáveis e abordagens inovadoras para enfrentar a crise climática, as relações comerciais e econômicas continuarão a evoluir, refletindo as novas prioridades e realidades do comércio global.
Fontes: The Globe and Mail, BBC News, Reuters
Resumo
O Canadá e a China anunciaram um novo acordo que reduz temporariamente as tarifas sobre a importação de veículos elétricos (EVs), permitindo a entrada de cerca de 49.000 veículos chineses no mercado canadense com uma tarifa de 6,1%. Essa mudança, que ocorre em um contexto de relações comerciais tensas com os Estados Unidos, representa uma reavaliação da política canadense, que anteriormente impunha tarifas de 100% em EVs chineses. O governo canadense busca diversificar as opções de veículos elétricos disponíveis e aumentar a competitividade no mercado, onde os preços atuais são considerados altos. Apesar das reações mistas à decisão, que incluem preocupações sobre a quantidade limitada de veículos permitidos, a medida pode ter um impacto positivo nas metas ambientais do Canadá, incentivando mais consumidores a optar por EVs. Este movimento também reflete uma busca por maior autonomia econômica e parcerias estratégicas em um cenário de crescente demanda global por soluções sustentáveis.
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