09/01/2026, 15:50
Autor: Ricardo Vasconcelos

No cenário internacional atual, a crescente retirada dos Estados Unidos de instituições multilateralistas, como a ONU, tem gerado sérias preocupações em relação à governança global e à estabilidade nas relações entre países. A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, enfatizou a gravidade da situação ao afirmar que a saída dos EUA coloca em risco as bases da governança mundial, com a possibilidade de um ambiente onde "a força é que faz o certo". Essa análise pega carona em uma tendência alarmante que vem sendo observada nos últimos anos, onde a diplomacia e a colaboração internacional parecem estar cedendo espaço a uma abordagem mais unilateral e agressiva por parte de potências mais fortes.
Recentemente, atos do governo americano sob a administração de Donald Trump, como a suspensão de apoio a 66 organizações internacionais, incluindo 31 agências da ONU, têm sido considerados um ato emblemático de isolamento e descaso para com os esforços globais de cooperação. A ordem executiva assinada por Trump, que foi amplamente divulgada, levanta questões sobre o futuro das iniciativas multilaterais que buscam abordar problemas globais urgentes, como mudanças climáticas, fome e doenças.
Os comentários expressos por analistas e cidadãos ao redor do mundo refletem a inquietação gerada por esse cenário. Há uma percepção generalizada de que o comportamento dos EUA, ao se afastar de acordos e entidades que promovem a paz e a estabilidade, abre espaço para uma dinâmica de "lei da selva", onde países mais poderosos impõem suas vontades à base da força, em vez da negociação e do respeito às normas internacionais. Essa mudança não apenas prejudica a reputação da América no cenário global, mas também alimenta a percepção de que o país está se afastando de seus princípios fundacionais de democracia e justiça.
Além disso, a narrativa de que a China, por sua vez, deseja uma ordem internacional que priorize a cooperação e o respeito às regras já estabelecidas, tem levantado questões sobre as verdadeiras intenções do governo chinês. Se antes a China era vista como uma potência econômica emergente, sua crescente capacidade militar e os esforços para expandir sua influência na Ásia e além agora geram um grande questionamento sobre seus planos futuros. A construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China e a militarização dessas áreas são vistas por muitos como atos provocativos que desafiam a soberania de países vizinhos e a ordem internacional vigente.
A discussão sobre a reação dos EUA a essa militarização é igualmente complexa. A expectativa é que, face a um sistema multipolar em rápido desenvolvimento, os Estados Unidos recalibrem sua abordagem de diplomacia e defesa, buscando alianças estratégicas em vez de adotar uma postura de confronto direto. O impacto da crescente rivalidade pode resultar em desafios significativos na segurança global, especialmente considerando os mais de 10 anos de incursões militares e intervenções no Oriente Médio que deixaram uma legião de incertezas e instabilidades.
Entre os cidadãos e analistas, há uma imensa clivagem nas opiniões sobre o caminho a seguir. Muitos acreditam que, para evitar uma escalada em um ciclo de hostilidades e conflitos, é essencial restaurar o multilateralismo e os canais de diálogo internacionais. Opiniões que emergem colocam em dúvida se a China é a verdadeira adversária ou se, ao contrário, os EUA são mais responsáveis por criar e sustentar um clima de instabilidade que pode levar a consequências globais catastróficas.
A "lei da selva" mencionada por representantes chineses não é vista apenas como um sentimento passageiro, mas como uma chamada para a conscientização e a ação. O futuro da governança global, com o avanço de ilhas de poder como a China e a Rússia, depende da capacidade das potências ocidentais de se adaptarem e colaborarem dentro de um sistema que parece estar em rápida mudança.
Com a data se aproximando das eleições presidenciais em 2024, a expectativa é que o futuro da política externa dos EUA e sua posição nas relações internacionais sejam temas discutidos intensamente. Seja através da continuidade do enfrentamento com adversários globais ou da reavaliação de alianças, a escolha do próximo líder pode ter ramificações duradouras na forma como o mundo se estrutura e opera. A busca por um equilíbrio em uma arena de poder em transformação é um desafio intrínseco que demanda um investimento em voltadas sociais, econômicas e de diplomacia, o que pode ser essencial para evitar crises maiores.
Fontes: BBC News, Al Jazeera, The New York Times, Reuters
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por seu estilo controverso e políticas polarizadoras, Trump implementou uma agenda nacionalista e protecionista, incluindo a retirada de acordos internacionais e a diminuição do apoio a organizações multilaterais. Sua administração foi marcada por tensões nas relações exteriores e um enfoque em "America First".
Resumo
A crescente retirada dos Estados Unidos de instituições multilaterais, como a ONU, tem gerado preocupações sobre a governança global e a estabilidade nas relações internacionais. A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, alertou que essa tendência pode resultar em um ambiente onde a força prevalece sobre a diplomacia. A administração de Donald Trump, ao suspender apoio a diversas organizações internacionais, exemplifica esse isolamento e descaso com a cooperação global. Analistas e cidadãos expressam inquietação com a possibilidade de uma "lei da selva", onde potências mais fortes impõem suas vontades. A China, por sua vez, busca uma ordem internacional que priorize a cooperação, mas suas ações, como a militarização do Mar do Sul da China, levantam questões sobre suas intenções. A expectativa é que os EUA recalibrem sua abordagem diplomática em um sistema multipolar, enquanto a discussão sobre o futuro da política externa americana se intensifica com as eleições presidenciais de 2024.
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