10/01/2026, 16:11
Autor: Felipe Rocha

A CES 2026, uma das feiras de eletrônicos mais importantes do mundo, trouxe à tona uma realidade preocupante para a indústria de PCs. Enquanto grandes nomes da tecnologia apresentaram inovações e aperfeiçoamentos, muitos dos expositores e participantes notaram que o foco do evento estava se deslocando rapidamente em direção a soluções de inteligência artificial. Isso gera apreensão sobre o futuro dos computadores pessoais e o impacto que essa evolução tecnológica terá sobre os consumidores comuns.
O evento, realizado em Las Vegas, tem sido tradicionalmente uma plataforma para os fabricantes de hardware apresentarem os últimos modelos e inovações em PCs, porém, desta vez, muitos visitantes e comentaristas apontaram uma mudança clara de paradigma. Tecnologias voltadas para empresas e inteligências artificiais dominaram as discussões, enquanto os dispositivos de consumo, como PCs e laptops, estavam em segundo plano. “Estamos vendo uma sobreposição de interesses corporativos em relação às necessidades dos consumidores”, comentou um participante do evento. Isso pode ser um indicativo de que a indústria está cada vez mais priorizando as soluções que atendem a grandes corporações em detrimento do usuário comum.
Um aspecto discutido frequentemente foi a questão da falta de suporte para versões antigas do Windows. “A Microsoft recentemente anunciou que o Windows 10 não receberá mais atualizações, pressionando os usuários a adquirir novos equipamentos para evitar riscos de segurança”, disse um comentarista. Esta política, além de empurrar os usuários para a compra de novos PCs, aumenta o estresse no mercado, especialmente para aqueles que não podem arcar com essas novidades. Com uma base instalada enorme de usuários que utilizam o sistema operacional mais antigo, esse capricho da Microsoft provoca inseguranças.
Além disso, houve a preocupação com os preços crescentes de DRAM e outras memórias. Participantes afirmam que os fabricantes de IA estão monopolizando a produção de chips, o que representa um desafio adicional para a indústria de PCs. Essa escassez não apenas aumentou os custos dos componentes, como pode comprometer o desenvolvimento de novos modelos que atendam às expectativas dos consumidores. “Simplificando, nossa oferta global de memória está sendo sacrificada para agradar a indústria de IA. Isso é bom para empresas como a OpenAI, Microsoft e NVIDIA, mas é uma má notícia para quem se importa com PCs e produtos de consumo”, declarou um analista.
O que domingo pareceu mais uma atração curiosa, agora se torna um sintoma de um mercado em transformação. Os aspiradores de robôs e eletrodomésticos inteligentes tomaram o palco em detrimento dos sistemas de computação pessoal que antes dominavam as vitrines. Uma realidade para muitos que admitiram que fica mais excitante ver inovações em eletrodomésticos em vez de computadores novos, o que pode ser um sinal de que o interesse do consumidor está mudando.
Essas transformações estão associadas ao aumento do uso de serviços baseados em nuvem, nos quais as aplicações estão sendo otimizadas para funcionar em dispositivos com menor capacidade de hardware. Com o crescente uso de dispositivos móveis e soluções mais integradas, a experiência do usuário está mudando, e os consumidores podem estar contentes em usar um smartphone em vez de um computador convencional.
Em um mundo que gira cada vez mais em torno de inovações, muitos se perguntam se os PCs ainda terão um lugar de destaque. A CES 2026 não só mostrou novos produtos, mas também importou um senso crescente de descontentamento para os que ainda acreditam no potencial dos computadores como ferramentas essenciais no nosso dia a dia. As empresas siliconadas que hoje dominam o desenvolvimento tecnológico parecem traçar um futuro moldado pelas demandas da IA, em que o modelo tradicional de PCs pode já estar fadado ao esquecimento.
Enquanto isso, a corrida pelas novas tecnologias avança e as incorporações em dispositivos de uso cotidiano se multiplicam. Os consumidores estão em um momento crucial de adaptação e aceitação, enquanto assistem a mudanças em um setor que, por muito tempo, foi sinônimo de inovação e acessibilidade. Neste cenário, a pergunta que fica é: a indústria de PCs conseguirá se reinventar e se fazer relevante em um mundo dominado pela inteligência artificial? A resposta ainda está nas mãos dos desenvolvedores e, mais importante, dos consumidores que permanecem atentos às mudanças.
Fontes: Jornal do Comércio, Folha de São Paulo, TechCrunch
Detalhes
A Microsoft é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, conhecida por desenvolver o sistema operacional Windows, a suíte de aplicativos Office e serviços de nuvem como o Azure. Fundada em 1975 por Bill Gates e Paul Allen, a empresa tem sido uma força motriz na inovação tecnológica e na transformação digital, impactando tanto o mercado de consumo quanto o corporativo. Recentemente, a Microsoft tem se concentrado em inteligência artificial e soluções corporativas, refletindo as tendências do setor.
Resumo
A CES 2026, uma das principais feiras de eletrônicos do mundo, evidenciou um deslocamento preocupante na indústria de PCs, com um foco crescente em soluções de inteligência artificial. Enquanto grandes empresas apresentaram inovações, muitos participantes notaram que os dispositivos de consumo, como PCs e laptops, estavam em segundo plano. Comentários indicaram uma sobreposição de interesses corporativos em detrimento das necessidades dos consumidores. A recente decisão da Microsoft de não atualizar mais o Windows 10 também gerou apreensão, forçando usuários a adquirir novos equipamentos. Além disso, a escassez de chips, dominada por fabricantes de IA, elevou os custos e comprometeu o desenvolvimento de novos modelos. A crescente popularidade de eletrodomésticos inteligentes e serviços em nuvem sugere uma mudança no interesse do consumidor, que pode preferir dispositivos móveis em vez de computadores tradicionais. A CES 2026 não apenas apresentou novos produtos, mas também um sentimento de descontentamento entre os que ainda valorizam os PCs como ferramentas essenciais, levantando questões sobre a relevância futura da indústria em um mundo dominado pela inteligência artificial.
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