Carney critica acordos tarifários dos EUA e acusa falta de valor

O ex-presidente do Banco do Canadá, Mark Carney, denuncia acordos tarifários recentes dos EUA, classificado-os como irrelevantes e sem peso real, destacando as incertezas econômicas para o Canadá.

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27/04/2026, 21:24

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem de uma mesa de negociações entre representantes do Canadá e dos EUA, com papéis e documentos espalhados, expressões sérias nas faces, e um fundo que representa uma bandeira dos dois países. Um relógio em destaque simboliza o tempo pressionando as negociações.

Em uma declaração contundente à CBC, o ex-presidente do Banco do Canadá, Mark Carney, manifestou preocupações sobre os acordos de alívio tarifário firmados pelo governo dos Estados Unidos, descrevendo-os como "inúteis" e denunciante de uma dinâmica assimétrica entre os dois países. Carney, que é um influente economista canadense e atualmente ocupa o cargo de enviado especial da ONU para as mudanças climáticas, argumenta que muitos dos acordos que foram celebrados não possuem o valor que aparentam ter e que Ottawa precisa ser cautelosa ao negociar com Washington.

Carney observou que muitos países se apressaram em fechar acordos com os EUA, mas que, na verdade, esses acordos não valem realmente o papel em que estão escritos. Essa crítica reflete uma visão compartilhada por muitos observadores do cenário comercial internacional, que acreditam que políticas tarifárias imprevisíveis e a postura americana poderiam colocar em risco não apenas a economia canadense, mas a estabilidade do comércio global.

Ele destacou que o Tratado entre México, EUA e Canadá (CUSMA) deve durar mais dez anos, a menos que os países envolvidos não façam novos compromissos, o que deve trazer um certo grau de segurança, mas que resultados incertos das próximas eleições intermediárias nos EUA poderiam complicar ainda mais. A expectativa é de que, se o Congresso recuperar seu poder, a situação se torne menos problemática para o Canadá. Essa afirmação é um reflexo do clima político nos EUA, onde muitos antecipam mudanças que podem afetar o comércio internacional.

Uma das recomendações de Carney é a aplicação de tarifas de forma gradual e com aviso prévio, em vez de aumentos abruptos e inesperados. Ele sugere que uma abordagem bem planejada, com comunicação adequada aos consumidores e empresas, permitirá que o mercado se adapte sem desestabilizações abruptas. A complexidade das relações comerciais e a necessidade de estimular a produção local tornam essencial um entendimento profundo das implicações de políticas tarifárias.

Os especialistas, incluindo Carney, discutem a importância de estabelecer um plano claro sobre o tempo necessário para que a infraestrutura local de fabricação esteja pronta, evitando assim a aplicação de tarifas que poderiam prejudicar as empresas e consumidores em um momento em que ainda dependem de produtos importados. Carney sugere que um planejamento cuidadoso e uma implementação gradual das tarifas podem facilitar a transição para uma maior dependência da produção interna, ao mesmo tempo em que se evita onerar os cidadãos e empresários com custos econômicos desnecessários.

Um ponto de reflexão também é a mudança na percepção pública dos acordos comerciais. Para Carney, a frustração com a postura dos EUA em relação aos acordos é um sinal claro da necessidade de Ottawa mudar sua abordagem. Ele enfatiza que o Canadá não deve entregar concessões em troca de "vitórias simbólicas", que podem rapidamente se desvanecer no ciclo de notícias, resultando em um cenário de instabilidade.

Outro comentário relevante, apesar de não tão focado nas questões tarifárias, aponta que o conceito inicial por trás da aplicação de tarifas era aumentar modicamente esses impostos para incentivar a fabricação interna, um ideal que, segundo críticos, foi distorcido na administração anterior de Donald Trump. Carney lembrou que a ideia era trocar um pouco do equilíbrio econômico por vantagens competitivas, mas essa mudança de paradigma não deve ser acompanhada de desespero, mas sim análise e estratégia.

O especialista ressalta que a atual dinâmica do comércio internacional demanda mais cautela e reflexão, onde o que é primeiro relevante é a criação de políticas que priorizem o que verdadeiramente traz benefícios ao público em geral e à economia do país. Assim, o foco deve estar em como implementar medidas tarifárias que não apenas cumpram uma função de proteção comercial, mas que ao mesmo tempo não causem desvantagens a longo prazo para a economia local, especialmente em tempos de incerteza política e econômica. Adotar uma abordagem proativa e estratégica é vital para o Canadá, especialmente considerando os desafios contínuos no cenário comercial mundial.

Fontes: CBC, The Globe and Mail, Financial Times

Detalhes

Mark Carney

Mark Carney é um economista canadense que atuou como presidente do Banco do Canadá de 2008 a 2013 e, posteriormente, como governador do Banco da Inglaterra. Atualmente, ele é enviado especial da ONU para as mudanças climáticas, onde trabalha para promover ações globais em resposta às alterações climáticas. Carney é reconhecido por sua influência nas políticas monetárias e sua visão sobre a interseção entre economia e sustentabilidade.

Resumo

Em uma declaração à CBC, Mark Carney, ex-presidente do Banco do Canadá e atual enviado especial da ONU para as mudanças climáticas, expressou preocupações sobre os acordos de alívio tarifário do governo dos EUA, considerando-os "inúteis" e refletindo uma dinâmica assimétrica entre os países. Carney alertou que muitos acordos não têm o valor que aparentam e que Ottawa deve ser cautelosa ao negociar com Washington. Ele destacou a importância do Tratado CUSMA, que deve durar mais dez anos, mas que pode ser afetado pelas eleições intermediárias nos EUA. Carney recomendou a aplicação gradual de tarifas, com comunicação adequada, para evitar desestabilizações no mercado. Ele também enfatizou a necessidade de um planejamento cuidadoso para a produção interna, evitando custos desnecessários para cidadãos e empresas. Carney criticou a abordagem anterior do governo Trump, que distorceu a ideia de tarifas como incentivo à fabricação interna, e ressaltou que políticas comerciais devem priorizar benefícios reais para a economia canadense em tempos de incerteza.

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