06/01/2026, 18:34
Autor: Laura Mendes

Em uma recente declaração, o climatologista e ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Carlos Nobre, destacou a grave irresponsabilidade do setor agropecuário no Brasil ao negar a existência da crise climática, que, segundo ele, pode levar o país a um colapso econômico e alimentar sem precedentes. Nobre argumenta que a negativa em aceitar o impacto das mudanças climáticas por parte dos empresários do setor poderá não apenas comprometer a sustentabilidade das atividades agrícolas a longo prazo, mas também exigirá uma adaptação drástica na forma como a produção de alimentos é administrada em um futuro próximo.
As opiniões expressas em comentários relacionados a essa matéria refletem uma crescente preocupação com a insistência do agronegócio em manter práticas que, embora altamente lucrativas no presente, não levem em consideração os impactos ambientais adversos. Observa-se um padrão no discurso em que se afirma que os agricultores estão, de fato, cientes do que está em jogo, mas optam por ignorar esses dilemas enquanto continuam a obter lucros exorbitantes às custas do nosso clima. A situação atual já se mostra crítica, com regiões enfrentando longos períodos de estiagem e aumento nos índices de temperaturas extremas, como bem apontado pelos comentários que ressaltam a grave onda de calor que dominou o Brasil nos últimos dias.
As evidências de que a agricultura brasileira, especialmente a dependente do clima, está em risco já há algum tempo são alarmantes. Um estudo da Embrapa revelou que o aumento das temperaturas e a mudança na configuração das chuvas têm pressionado o setor a repensar suas estratégias. Carlos Nobre cita um caso específico: várias regiões brasileiras costumavam ser amplamente produtivas para o cultivo do café, mas a sua viabilidade pode ser deslocada para áreas mais ao sul do país, como o Paraná e até mesmo países vizinhos como Argentina e Chile, se as temperaturas continuarem a subir. Esse fenômeno pode colocar em risco o que antes era considerado parte integrante da identidade agrícola nacional.
Além disso, Nobre alerta que a industrialização e a globalização da comida acabam contribuindo também para essa transformação. a dependência de insumos químicos, muitos deles prejudiciais ao solo e às águas, resulta em um ciclo vicioso em que se perde cada vez mais a capacidade de produzir alimentos de forma sustentável. Os comentários sobre a contaminação das águas por agrotóxicos e a deterioração da qualidade dos solos espelham um descontentamento crescente entre a população, que se vê às voltas com a falta de alimentos saudáveis e acessíveis, enquanto o lucro do agronegócio segue em ascensão.
Muitas pessoas expressam a preocupação de que uma crise alimentar pode surgir, na qual a população mais vulnerável do Brasil terá de arcar com as consequências da inação do setor agropecuário e das políticas públicas ineficazes. O economista José Graziano da Silva, ex-diretor da FAO, fez ecoar essas preocupações ao afirmar que o Brasil deve priorizar a segurança alimentar de sua população, e isso requer um alinhamento entre práticas agrícolas sustentáveis e a urgência de mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Os comentários refletem uma potente conscientização de que o próprio setor agropecuário não ficará imune aos efeitos adversos da crise climática. Existe um consenso de que, mesmo que o agronegócio continue a operar como atualmente, se os padrões climáticos mudarem radicalmente, a capacidade do setor de sustentar a produção se tornará insustentável. Há também o receio de que os impactos, como a estiagem prolongada ou a desregularização do ciclo de chuvas, provoquem um efeito domino que colapsará o mundo da agricultura no Brasil, afetando não apenas os agricultores, mas toda a cadeia produtiva.
Diante desse quadro, especialistas e ativistas clamam por uma reavaliação das práticas agrícolas, que devem adotar modelos mais sustentáveis e responsáveis em relação ao meio ambiente. A chamada para a conscientização é urgente, e é necessário que o setor agropecuário encontre formas de proteger o futuro, tanto do clima quanto da alimentação da população. A omissão diante dos desafios climáticos pode resultar em uma crise que transcede o espaço rural, atingindo todos os aspectos da vida em sociedade.
Em suma, enquanto o setor agropecuário nega a crise climática, a população se prepara para os efeitos devastadores que isso pode trazer. Se não houver uma mudança significativa nas abordagens hoje adotadas, os proximos anos podem revelar um Brasil com um panorama agrícola cada vez mais preocupante, onde as consequências da inação estarão à vista de todos e já não será possível ignorá-las. O apelo de Nobre é claro: é hora de agir e repensar a relação com a terra e nossos recursos, tendo em vista não apenas o lucro imediato, mas o bem-estar de futuras gerações.
Fontes: O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, G1, Agência Brasil
Detalhes
Carlos Nobre é um renomado climatologista brasileiro e ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ele é conhecido por seu trabalho em mudanças climáticas e suas implicações para o Brasil, destacando a importância da sustentabilidade e da preservação ambiental. Nobre tem sido um defensor ativo da conscientização sobre os riscos climáticos e suas consequências para a agricultura e a segurança alimentar no país.
José Graziano da Silva é um economista brasileiro e ex-diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Ele é reconhecido por seu trabalho em segurança alimentar e políticas agrícolas sustentáveis, tendo desempenhado um papel crucial na formulação de estratégias para combater a fome e promover o desenvolvimento rural. Graziano é um defensor da integração entre práticas agrícolas e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
Resumo
O climatologista Carlos Nobre, ex-presidente do INPE, criticou a postura do setor agropecuário brasileiro que nega a crise climática, alertando que essa negação pode levar a um colapso econômico e alimentar. Ele enfatiza que a resistência em reconhecer os impactos das mudanças climáticas compromete a sustentabilidade das atividades agrícolas e exige uma adaptação urgente na produção de alimentos. Comentários de especialistas e da população refletem a preocupação com práticas agrícolas que priorizam lucros imediatos em detrimento do meio ambiente, resultando em estiagens e aumento das temperaturas. Nobre destaca que a viabilidade de cultivos tradicionais, como o café, pode ser ameaçada, deslocando a produção para regiões mais ao sul. A industrialização e a dependência de insumos químicos agravam a situação, gerando descontentamento entre a população, que enfrenta a falta de alimentos saudáveis. O economista José Graziano da Silva ressalta a necessidade de priorizar a segurança alimentar, exigindo práticas agrícolas sustentáveis. Especialistas clamam por uma reavaliação das abordagens do setor, alertando que a omissão pode resultar em uma crise que afete toda a sociedade.
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