16/01/2026, 16:14
Autor: Ricardo Vasconcelos

No dia 29 de outubro de 2023, o governo canadense anunciou um acordo significativo com a China para reduzir tarifas sobre a importação de veículos elétricos (EVs) chineses. O novo entendimento permitirá a entrada de até 49.000 veículos elétricos com uma taxa de tarifa de 6,1%, uma redução drástica em comparação com a tarifa anterior de 100%. Em contrapartida, a China se comprometeu a reduzir as tarifas sobre sementes de canola canadenses de aproximadamente 84% para cerca de 15%. Este acordo reflete uma crescente interdependência comercial entre as duas nações e um movimento estratégico em direção a um futuro mais sustentável.
O cenário está mudando rapidamente no mercado automobilístico canadense. O preço médio de um veículo elétrico novo no país, que atualmente está acima de CAD 40.000, pode ser drasticamente reduzido com a chegada de modelos acessíveis da fabricante chinesa BYD, conhecida por seus EVs de custo eficiente. Há expectativa de que esses veículos possam ser adquiridos por até CAD 15.000, ampliando assim as opções para os consumidores canadenses.
Além disso, este acordo pode sinalizar uma mudança mais ampla no setor automotivo do Canadá. Especialistas indicam que o acordo também poderá fomentar a construção de fábricas no território canadense, criando empregos locais e fortalecendo a indústria automotiva nacional. Se o investimento em joint ventures com fabricantes chineses se concretizar, o Canadá poderia não apenas diversificar sua oferta de veículos, mas também estimular a economia local.
As questões de segurança e regulamentação foram levantadas em várias discussões sobre a adequação dos veículos chineses às rigorosas condições climáticas do Canadá. A segurança é uma grande prioridade, e especialistas sugerem que, antes da entrada desses novos veículos, deve haver uma avaliação detalhada para garantir que os produtos atendam aos padrões locais exigidos, especialmente em relação ao desempenho em invernos rigorosos.
A resposta ao acordo foi diversa. Enquanto alguns celebram a redução das tarifas como um avanço positivo, outros manifestaram preocupações sobre a segurança dos veículos importados. Há um receio de que a fase de transição possa colocar em risco a integridade da indústria automotiva canadense, que tem longas raízes no país. No entanto, outros comentam que a parceria com fabricantes chineses, especialmente empresas conhecidas pela inovação, pode ser a chave para a adaptação e revitalização do setor.
A expectativa é que, dentro de três anos, um aumento significativo no investimento nos EVs se concretize através de parcerias locais. O governo canadense vê na colaboração com a China uma maneira de impulsionar a inovação em sua indústria e, ao mesmo tempo, torna-se menos dependente dos fabricantes tradicionais dos Estados Unidos, que têm enfrentado turbulências políticas e comerciais.
O potencial impacto sobre as marcas americanas é notável. Com os preços dos EVs chineses mais competitivos, os consumidores podem inclinar-se por essas novas opções, reduzindo a participação de mercado das grandes montadoras americanas. De fato, analistas sugerem que essa mudança de paradigma pode significar uma transformação radical no ecossistema automotivo nos próximos anos.
Além das questões comerciais e econômicas, a discussão também se estende à geopolítica. Alguns comentaristas destacam que, ao estreitar laços com a China, o Canadá está fazendo um movimento estratégico potencialmente perigoso, dado o atual clima político mundial e as tensões entre os EUA e a China. A decisão de desassociar-se das pressões econômicas americanas, principalmente diante da política comercial agressiva do ex-presidente Donald Trump, está sendo vista por muitos como um passo ousado em meio a um cenário global em mudança.
No entanto, a otimista recepção ao acordo não é unânime. Alguns concordam que, apesar da necessidade de alternativas mais baratas e sustentáveis, o Canadá deve permanecer vigilante quanto à sua segurança econômica e industrial. O antigo equilíbrio entre a indústria doméstica e as novas colaborações internacionais deverá ser cuidadosamente monitorado para garantir que os interesses canadenses sejam sempre protegidos.
As expectativas para o futuro em termos de acessibilidade aos veículos elétricos no Canadá são agora mais promissoras do que nunca, ao mesmo tempo que o país considera seriamente sua posição no cenário global e na luta pelo comércio sustentável. A entrada de veículos elétricos acessíveis pode ser um marco não apenas para o setor, mas um exemplo de como ajustes nas políticas comerciais podem beneficiar os consumidores diretamente ao proporcionar novas alternativas mais alinhadas com as exigências ambientais atuais. A questão que fica no ar é: será que o Canadá conseguirá equilibrar suas prioridades locais sem sacrificar suas oportunidades de crescimento em um mercado cada vez mais dominado pela tecnologia verde?
Fontes: The Globe and Mail, Financial Post
Detalhes
A BYD (Build Your Dreams) é uma fabricante chinesa de veículos elétricos e baterias, conhecida por sua inovação e eficiência de custos. Fundada em 1995, a empresa se destacou no setor automotivo global, oferecendo uma ampla gama de veículos elétricos, incluindo carros, ônibus e caminhões. A BYD é reconhecida por seu compromisso com a sustentabilidade e a redução de emissões, posicionando-se como uma das principais líderes no mercado de veículos elétricos.
Resumo
No dia 29 de outubro de 2023, o governo canadense anunciou um acordo com a China para reduzir tarifas sobre a importação de veículos elétricos (EVs) chineses, permitindo a entrada de até 49.000 veículos com uma tarifa de 6,1%, uma queda significativa em relação à tarifa anterior de 100%. Em troca, a China reduzirá tarifas sobre sementes de canola canadenses de 84% para cerca de 15%. O acordo pode transformar o mercado automobilístico canadense, com a expectativa de que modelos acessíveis da fabricante chinesa BYD cheguem ao país, possivelmente por até CAD 15.000. Especialistas acreditam que isso pode estimular a construção de fábricas no Canadá, criando empregos e fortalecendo a indústria local. No entanto, questões de segurança e regulamentação foram levantadas, especialmente em relação ao desempenho dos veículos em condições climáticas rigorosas. A recepção ao acordo foi mista, com preocupações sobre a integridade da indústria automotiva canadense, mas também com otimismo sobre a parceria com fabricantes chineses. O impacto sobre as marcas americanas pode ser significativo, com consumidores inclinando-se por opções mais baratas. O Canadá enfrenta o desafio de equilibrar suas prioridades locais com oportunidades de crescimento em um mercado dominado pela tecnologia verde.
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